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Vergonha em Canelinha: Câmara acelera aumento e prefeito sanciona reajuste do próprio salário

Votação sem debate na primeira deliberação e aumentos de até 63,9% na cúpula municipal expõem prioridades que merecem cobrança pública

Política

Canelinha

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Foto: O prefeito de Canelinha, Diogo Francisco Alves Maciel, sancionou o aumento do próprio salário para R$ 24.100. A decisão, aprovada pela Câmara, exige explicações sobre as prioridades da administração e o respeito ao dinheiro do contribuinte.

Para quem chega ao supermercado e precisa retirar produtos do carrinho, reajustes generosos no alto escalão do poder público soam como uma provocação. Para comerciantes que enfrentam contas vencidas, inadimplência e o medo de fechar as portas, a pergunta é inevitável: os governantes compreendem o peso do dinheiro que sai do bolso do contribuinte?

Em Canelinha, a Câmara aprovou o aumento dos subsídios do prefeito, do vice e dos secretários. Segundo reportagem do Jornal Razão, a primeira votação durou 56 segundos, sem pronunciamentos dos vereadores. O projeto passou nos dois turnos na mesma noite e recebeu sanção do prefeito Diogo Francisco Alves Maciel em 29 de outubro.

O salário do prefeito sobe de R$ 17.899,28 para R$ 24.100: aumento de aproximadamente 34,6%. O vice passa a receber R$ 12.050. Para os secretários, a remuneração chega a R$ 12 mil, uma elevação de cerca de 63,9%. Os novos subsídios têm efeitos a partir de 1º de novembro.

É uma vergonha política que uma decisão dessa dimensão atravesse sua primeira votação sem discussão pública no plenário. A Câmara deve explicações à população. Fiscalizar o Executivo exige independência, disposição para questionar e compromisso com quem paga a conta.

O prefeito também precisa responder pela escolha que fez. Ao sancionar uma lei que aumenta expressivamente sua própria remuneração, assume a responsabilidade política por essa prioridade. Ter autorização para uma despesa não encerra a discussão sobre sua conveniência.

A justificativa apresentada pela Mesa Diretora menciona a responsabilidade e a complexidade dos cargos. Separadamente, uma proposta do Executivo alterou os vencimentos de sete cargos do funcionalismo, com previsão para janeiro de 2027.

Valorizar servidores exige critérios claros. No caso da cúpula política, aumentos dessa proporção exigem uma prestação de contas especialmente rigorosa: qual será o custo total? Que resultados justificam os novos valores? Por que concedê-los agora?

A população merece conhecer essas respostas com a mesma rapidez empregada na aprovação. O dinheiro público representa horas de trabalho, impostos e sacrifícios de famílias e empresas.

Canelinha precisa de uma Câmara que questione e de um prefeito que justifique suas prioridades. A pressa para melhorar os vencimentos do poder deve ser acompanhada de igual empenho para melhorar a vida de quem o sustenta.