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Urnas de 2026 abrem a disputa por Florianópolis em 2028

Marquito fortalece seu espaço na oposição, Fábio Botelho ganha projeção no grupo de Topázio e Carla Ayres e Gemada ampliam seu peso nas articulações para a sucessão municipal

Colunista

Florianópolis

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Jornais em Foco

Foto: Marquito, Botelho e Bruno Souza fazem parte do xadrez eleitoral das eleições para prefeito de Florianópolis

Por Décio Baixo Alves

A eleição de 2026 terminou para os candidatos ao Legislativo, mas abriu uma nova etapa da disputa política em Florianópolis. Os votos depositados nas urnas da Capital ajudam a identificar lideranças, medir a capacidade de mobilização dos partidos e projetar possíveis protagonistas da eleição municipal de 2028.

Nesse primeiro desenho, dois nomes ganham destaque: Marquito, do PSOL, e Fábio Botelho, do Podemos. O primeiro foi reeleito deputado estadual e liderou a votação para a Assembleia Legislativa dentro de Florianópolis, com 37.062 votos. O segundo, apoiado pelo prefeito Topázio Neto, conquistou seu primeiro mandato estadual e recebeu 21.912 votos na Capital, ficando em terceiro lugar nessa disputa. Entre eles apareceu Ana Campagnolo, do PL, com 25.683 votos.

Na eleição para deputado federal, Carla Ayres, do PT, recebeu 35.593 votos em Florianópolis, terminando como a segunda mais votada no município para o cargo. Gemada, do Podemos, somou 17.426 votos, alcançando a terceira posição. Ambos ficaram na suplência no resultado estadual.

Uma seleção das votações municipais permite visualizar o cenário:

Marquito sai das urnas com um argumento forte para liderar novamente a oposição. Além da experiência parlamentar, possui uma base eleitoral expressiva na cidade que pretende governar. Seu resultado o coloca como um dos principais nomes para disputar a Prefeitura em 2028, embora a candidatura ainda dependa das decisões partidárias e das alianças que serão construídas.

Existe também uma condição institucional favorável à participação de deputados na eleição municipal: pela regra geral, um deputado estadual pode disputar a Prefeitura sem renunciar ao mandato parlamentar. A exigência de renúncia aplicada aos chefes do Executivo não se estende automaticamente aos integrantes do Legislativo. Isso permite que Marquito, Botelho e outros deputados construam suas candidaturas enquanto exercem seus mandatos, observadas as demais condições legais.

Entretanto, liderar a votação para deputado estadual não significa ter assegurada uma maioria para prefeito. Marquito precisará transformar reconhecimento político em confiança para administrar a cidade. Uma candidatura competitiva terá de apresentar respostas concretas para mobilidade, moradia, saúde, educação, saneamento e ocupação urbana, alcançando também eleitores que não se identificam com o PSOL.

Carla Ayres entra nessa discussão com força própria. Sua votação para deputada federal demonstra que o PT possui uma liderança com capacidade de mobilização na Capital. O resultado lhe dá legitimidade para participar da definição de uma candidatura de oposição e sustenta a possibilidade de disputar a Prefeitura.

É justamente nessa relação entre PT e PSOL que estará uma das decisões mais importantes de 2028. Na minha avaliação, candidaturas separadas de Carla e Marquito podem fragmentar um eleitorado que compartilha parte das mesmas prioridades. Também podem dividir recursos, militância e o discurso de alternativa ao governo municipal.

Uma composição entre os dois partidos poderia oferecer à oposição melhores condições de disputar o comando da cidade. Mas uma aliança consistente exige mais do que definir quem será candidato a prefeito ou a vice. Precisa de programa comum, compromissos administrativos e capacidade de incorporar outros setores.

Também seria um erro somar os 37.062 votos de Marquito aos 35.593 de Carla e apresentar o resultado como uma base garantida para 2028. As votações ocorreram para cargos diferentes: o mesmo eleitor pode ter escolhido os dois. Uma união política pode ampliar a competitividade, mas a transferência de votos dependerá da candidatura, da campanha e da confiança construída.

Do lado governista, Topázio terá o desafio de fazer um sucessor. Ele assumiu a Prefeitura em 2022, após a renúncia de Gean Loureiro, e foi reeleito em 2024. Pela regra constitucional que permite apenas um período consecutivo de reeleição, não poderá disputar outro mandato seguido em 2028.

Fábio Botelho aparece como uma possibilidade forte para representar esse projeto. Sua eleição teve apoio direto de Topázio, e Florianópolis forneceu mais da metade de sua votação estadual. O resultado transforma um aliado da administração em uma liderança com mandato e respaldo próprio nas urnas.

É plausível, portanto, que o prefeito trabalhe para projetá-lo como sucessor. Isso, porém, ainda é uma hipótese política, não uma candidatura definida. Botelho precisará usar o mandato na Assembleia para ampliar sua presença pública e demonstrar capacidade de liderança. Herdar o apoio de um prefeito não significa herdar automaticamente seus eleitores.

A escolha também dependerá dos aliados. O PL possui nomes e força eleitoral para influenciar a composição. Bruno Souza, eleito deputado estadual e autor de 18.267 votos na Capital, aparece nesse debate. A vice-prefeita Maryanne Mattos, do PL, também integra a discussão sucessória, embora não tenha disputado a eleição de 2026.

Gemada merece atenção especial. Depois de ser o vereador mais votado de Florianópolis em 2024, com 6.968 votos, alcançou 17.426 votos no município na disputa federal de 2026. Sua campanha caminhou ao lado de Botelho, fortalecendo os dois dentro do Podemos.

Esse desempenho o credencia a participar com peso das negociações para 2028. Pode apresentar pretensão à cabeça de chapa, integrar uma composição como vice ou exercer papel decisivo na mobilização dos bairros. O crescimento de Gemada significa que o grupo governista terá de acomodar mais de uma liderança com respaldo eleitoral.

Outros nomes também precisam ser observados. Gean Loureiro e João Cobalchini mantêm votações locais que justificam sua presença no debate, apesar de não terem conquistado uma cadeira estadual. Ricardo Pastrana demonstrou capacidade de mobilização, enquanto Mário Motta reúne votação municipal e mandato. Camasão, por sua vez, representa outra base relevante no campo da esquerda. Os números lhes dão espaço político; não comprovam, por si, intenção de disputar a Prefeitura.

A leitura das urnas permite enxergar três cenários principais: uma oposição unificada em torno de Marquito ou de uma composição com Carla Ayres; uma oposição dividida, com PT e PSOL disputando separadamente; e uma sucessão governista que dependerá do entendimento entre Podemos, PL e demais aliados.

Na minha avaliação, Marquito desponta como o principal nome oposicionista, enquanto Botelho ganha condições de se tornar uma das principais apostas de Topázio. Carla Ayres e Gemada, contudo, têm força suficiente para influenciar o caminho dos respectivos grupos.

Até 2028, a avaliação da Prefeitura e a atuação dessas lideranças poderão alterar o quadro. A eleição municipal será decidida também pela vida cotidiana: o tempo perdido no trânsito, o atendimento de saúde, o acesso à moradia e a qualidade dos serviços nos bairros. Quem conseguir transformar sua votação de 2026 em presença constante e propostas convincentes terá melhores condições de conquistar a confiança de Florianópolis.