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Balneário São Miguel possui projetos, diagnósticos, instrumentos legais e potencialidades suficientes para avançar, mas precisa integrar melhor as ações e acompanhar de forma contínua a execução das propostas. Essa é a principal mensagem da 8ª edição da Oficina do Jornal Comunitário Balneário São Miguel, publicada em 12 de setembro de 2026.
Com o tema “São Miguel precisa de um plano”, a publicação sustenta que projetos isolados não são capazes de transformar um território. A proposta é conectar áreas como saneamento, abastecimento de água, urbanismo, gastronomia, patrimônio, mobilidade, preservação ambiental e desenvolvimento econômico dentro de uma visão integrada para o futuro da comunidade.
O editorial destaca que São Miguel já conta com dois instrumentos que podem servir de base para essa organização: o Plano de Desenvolvimento Econômico Local, produzido no âmbito do Programa DEL, e o Plano Urbanístico e de Requalificação do Balneário. A publicação defende que o desafio agora não é começar tudo novamente, mas recuperar o que já foi produzido, organizar prioridades e transformar estudos e diagnósticos em ações concretas.
Entre os temas acompanhados pela edição está a obra da Casan, que revelou uma infraestrutura subterrânea ainda pouco conhecida no balneário. A reportagem cita tubulações antigas encontradas durante escavações e cobra informações claras sobre registros técnicos, recuperação das calçadas e providências adotadas no local.
Outro ponto de atenção é o saneamento. A publicação alerta que, enquanto a rede coletiva não chega, São Miguel depende de sistemas individuais e precisa ampliar o diagnóstico, a fiscalização, a orientação aos moradores e o monitoramento da água. A mensagem central é que ausência de rede pública não pode significar lançamento irregular de esgoto nem omissão do poder público.
A edição também apresenta protocolos relacionados a demandas comunitárias, incluindo questões envolvendo o Riacho da Praia das Pirangueiras, árvore na Rua Bento Francisco e iluminação de pitangueiras e da Curva da Brisa. O jornal defende que protocolar é apenas o primeiro passo e que o resultado depende de vistoria, resposta, prazo e acompanhamento.
Na área econômica, o Jornal Comunitário resgata o trabalho do Programa DEL, apontando que São Miguel já dispõe de diagnósticos e propostas para atividades como gastronomia, pesca, marinas, hospedagem, comércio, patrimônio, turismo de natureza e produção artesanal. A publicação sugere recuperar esses documentos e verificar o que foi concluído, o que está em andamento e o que ainda não saiu do papel.
A articulação empresarial também aparece como uma das prioridades. A proposta é iniciar com um grupo reduzido de empreendedores comprometidos, capazes de definir prioridades e construir uma agenda comum, com possibilidade de apoio institucional do poder público em etapas posteriores.
A publicação ainda defende uma visão territorial mais ampla, conectando praia, gastronomia, pesca, patrimônio, presença indígena, rios, cachoeiras e o Parque Natural da Serra de São Miguel. Entre as ações citadas estão um plano urbanístico para o balneário, valorização do parque, organização do Caminho da Mata Atlântica e fortalecimento de espaços históricos e culturais.
Outro projeto abordado é o das Casinhas do Livro. A edição propõe uma nova curadoria para o sistema de bibliotecas livres comunitárias, com atualização dos pontos, critérios para seleção do acervo, registro dos locais e definição de responsabilidades, buscando dar continuidade à iniciativa e ampliar seu alcance.
Ao encerrar a edição, o Jornal Comunitário reforça a necessidade de acompanhamento permanente das demandas. A publicação resume sua proposta em três verbos: cobrar, reconhecer e acompanhar, defendendo que informação, participação da comunidade e continuidade das ações são fundamentais para que os projetos deixem de existir apenas no papel e passem a produzir resultados concretos para São Miguel.