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Por Décio Baixo Alves
As eleições municipais de 2028 ainda estão longe, mas o tabuleiro político de Biguaçu já começa a mudar. A consolidação de Alexandre Martins de Souza no comando da Prefeitura, sua aproximação com o Partido Liberal e o desempenho de lideranças locais nas eleições de 2026 movimentam as conversas sobre a próxima disputa.
Hoje, na minha avaliação, quem tem a faca e o queijo na mão é Alexandre. O prefeito reúne condições favoráveis para construir uma candidatura à reeleição: está à frente da administração, amplia suas relações políticas e tem tempo para transformar essas vantagens em resultados para a população.
Alexandre assumiu definitivamente a Prefeitura após a saída de Salmir da Silva para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa. A posse ocorreu em 30 de março de 2026. Desde então, o antigo vice vem construindo sua própria identidade administrativa e política, iniciando uma carreira solo, embora carregue a experiência da gestão da qual já participava.
Salmir não conquistou o mandato estadual pretendido. Alexandre, que apoiou sua candidatura, permaneceu no comando do município e agora tem a oportunidade de transformar a continuidade administrativa em um projeto próprio para 2028.
Nesse caminho, a aproximação com o PL é importante. A filiação do prefeito vem sendo articulada com o apoio de Carol de Toni, eleita senadora, e deverá ser formalizada nas próximas semanas. A movimentação aproxima Alexandre do partido do governador Jorginho Mello e fortalece suas perspectivas eleitorais.
Estar próximo do governo estadual e ampliar o diálogo com representantes em Brasília pode facilitar a articulação de investimentos para Biguaçu. Mas o peso eleitoral dessas relações dependerá das entregas: obras concluídas, serviços melhores e respostas concretas aos problemas da cidade.
É nessa passagem entre articulação e resultado que Alexandre poderá consolidar seu favoritismo.
A escolha do vice será uma parte decisiva dessa construção. E o número de possíveis interessados mostra que o espaço ao lado do prefeito tende a ser disputado.
Entre os nomes lembrados estão Luan Pereira, Lucas Manequinha e João Luz, presidente da Câmara Municipal de Biguaçu. Luan possui uma credencial eleitoral expressiva: foi o vereador mais votado do município em 2024, com 1.853 votos. Sua presença em uma composição representaria o reconhecimento de uma liderança com base própria.
Lucas Manequinha reúne experiência política e passagem pela Secretaria de Obras, características relevantes em uma eleição municipal, na qual o relacionamento com os bairros e o conhecimento das necessidades da população fazem diferença.
João Luz, por sua vez, ocupa uma posição importante como presidente da Câmara Municipal de Biguaçu. A função lhe dá presença institucional e espaço nas negociações entre o Legislativo e o Executivo.
Mas o xadrez não termina nesses três nomes.
Os vereadores John Kennedy e André Leal também precisam ser considerados nas possibilidades para 2028. Pela avaliação política apresentada neste artigo, ambos demonstraram capacidade de mobilização na campanha de Fábio Botelho para deputado estadual, contribuindo para sua votação expressiva em Biguaçu.
Uma campanha estadual também funciona como demonstração da capacidade de articulação das lideranças municipais. Organizar apoios, conversar com as comunidades e mobilizar eleitores são tarefas que ajudam a revelar quem tem condições de participar de uma disputa maior.
Nesse sentido, John Kennedy e André Leal entram no tabuleiro com possibilidades em duas direções.
Podem participar de uma composição com Alexandre, inclusive como nomes para a vice, caso exista entendimento político e espaço dentro da aliança. Também podem contribuir para a construção de uma alternativa de oposição, caso não encontrem lugar nas articulações conduzidas pelo prefeito.
Isso não significa que estejam com candidaturas definidas ou que tenham decidido romper com a administração. Significa que, na leitura deste cenário, possuem força política para negociar e alternativas que não devem ser desprezadas.
Para Alexandre, o desafio será administrar essas expectativas. Uma base com várias lideranças competitivas representa uma vantagem, mas exige diálogo. Quem não se sentir contemplado pode procurar outro caminho e ajudar a fortalecer justamente o campo adversário.
A eleição de 2026 acrescentou ainda outra peça importante ao tabuleiro: Bia Borba.
A vereadora do Novo recebeu 52.770 votos para deputada federal em Santa Catarina. Embora não tenha conquistado uma cadeira na Câmara dos Deputados, terminou na condição de suplente e ganhou uma projeção que ultrapassou os limites de Biguaçu.
No município, Bia conquistou 4.456 votos, ficando em segundo lugar na disputa para deputada federal, atrás de Júlia Zanatta, que recebeu 5.096. Foi um desempenho expressivo, que ampliou seu peso nas discussões sobre o futuro político da cidade.
Votos para deputada federal não se transferem automaticamente para uma eleição municipal. Ainda assim, esse resultado dá à vereadora uma credencial relevante para negociar seu espaço e participar das decisões sobre 2028.
É nesse contexto que uma possível chapa Alexandre e Bia ganha sentido político. Vale lembrar que Jorginho disputou sua reeleição pelo PL para governador tendo como vice um candidato do Novo. Em Biguaçu Alexandre será do PL e a Bia já está filiada ao Novo.
Bia construiu sua atuação como oposição ao governo municipal. Porém, a eventual entrada de Alexandre no PL pode alterar essa relação. A aproximação do prefeito com o campo conservador cria condições mais favoráveis ao diálogo com a vereadora e com as lideranças que participaram de sua campanha.
A mudança partidária não encerra automaticamente divergências sobre a administração. Mas torna mais complexa uma disputa entre lideranças que podem compartilhar aliados estaduais e nacionais.
Uma composição entre Alexandre e Bia poderia reunir a experiência administrativa do prefeito, a estrutura política de seu grupo e a projeção conquistada pela vereadora. Seria uma chapa potencialmente forte, com possibilidade de ampliar sua presença no eleitorado conservador.
Ao mesmo tempo, a escolha exigiria acomodação interna. Luan Pereira, Lucas Manequinha, João Luz, João Kennedy e André Leal continuariam sendo lideranças relevantes. A definição da vice precisaria considerar quem acrescenta votos, quem contribui para a gestão e como preservar a unidade da aliança.
Do outro lado, permanece a pergunta: quem poderá liderar uma oposição competitiva?
No cenário aqui analisado, André Clementino aparece como um dos nomes capazes de ocupar esse espaço. Seu afastamento do grupo governista abre caminho para uma atuação independente, mas uma candidatura majoritária exige aliados, estrutura, propostas e capacidade de reunir diferentes setores da cidade.
A ausência de um mandato estadual para o deputado que apoiou pode dificultar essa construção, mas não determina, por si só, sua força em 2028. A política municipal tem dinâmica própria.
A possibilidade de João Kennedy e André Leal participarem de uma articulação oposicionista também impede que esse campo seja tratado como definitivamente resolvido. Dependendo das negociações, lideranças hoje consideradas para uma composição podem se tornar peças importantes de uma candidatura adversária.
Quanto ao PT, minha avaliação é que o partido ainda encontra dificuldades para liderar uma alternativa majoritária em Biguaçu. Para disputar a Prefeitura com competitividade, precisaria ampliar sua organização e construir uma aliança que ultrapassasse sua base tradicional.
Também pode surgir um empresário, uma liderança comunitária ou outro nome disposto a representar o eleitorado insatisfeito. Dois anos são tempo suficiente para novas candidaturas e mudanças na avaliação de qualquer governo.
O próprio futuro de Bia permanece aberto. Sua votação estadual pode estimular projetos além de Biguaçu e ampliar sua participação nas articulações do Novo. Eventuais funções em Brasília, especialmente diante de uma possível vitória de Flávio Bolsonaro para a Presidência, pertencem hoje ao campo das hipóteses.
O que já se pode afirmar é que Bia ganhou dimensão política para participar da discussão municipal. João Kennedy e André Leal também entram nessa leitura como lideranças que podem influenciar tanto a composição governista quanto a organização da oposição.
Apesar dessas possibilidades, a bola da vez continua sendo Alexandre Martins de Souza. É ele quem ocupa a Prefeitura, conduz as articulações da administração e dispõe de tempo para construir as condições de sua candidatura à reeleição.
Ter a faca e o queijo na mão, porém, exige saber usar essa vantagem. O prefeito precisará entregar resultados, manter aliados próximos e construir uma composição que amplie sua força sem produzir divisões desnecessárias.
Alexandre parte de uma posição favorável. A disputa pela vice já movimenta o tabuleiro, e a oposição ainda procura seu caminho. Até 2028, muita água vai passar por baixo da ponte mas, neste momento, é o prefeito quem tem as melhores condições de conduzir os próximos movimentos.