Mostrar mais resultados...

A deputada estadual reeleita Ana Campagnolo (PL), de Santa Catarina, defendeu uma revisão das estratégias da direita brasileira após a eleição presidencial de 2026. Em pronunciamento, a parlamentar cobrou autocrítica dos representantes conservadores e afirmou que o movimento precisa construir uma organização que vá além das campanhas eleitorais e da mobilização nas redes sociais.
“Mais uma vez, a direita apostou tudo, tudo, no resultado de uma eleição. E não devia ser assim”, declarou.
Na avaliação de Campagnolo, conquistar a Presidência da República, isoladamente, não garante condições para implementar mudanças duradouras. Ela argumentou que um governo precisa de sustentação política, profissionais preparados e presença institucional para colocar suas propostas em prática.
Ao recordar a vitória de Jair Bolsonaro em 2018, a deputada questionou quais resultados estruturais foram alcançados em torno das bandeiras defendidas naquele período, como Deus, pátria, família e liberdade.
“Nós precisamos urgentemente fazer uma autocrítica”, afirmou.
Fortalecimento nos municípios
Um dos principais pontos do pronunciamento foi a defesa do trabalho de base. Campagnolo cobrou dos políticos eleitos e reeleitos uma atuação contínua nos municípios, com formação de lideranças e aproximação com associações, entidades, comunidades e instituições locais.
Para a parlamentar, a direita precisa avaliar o que construiu de permanente ao longo dos últimos anos e quais iniciativas conseguem sobreviver ao encerramento de uma eleição ou de um mandato.
Ela também criticou a concentração de esforços em vídeos de indignação, ataques aos adversários e disputas internas. Segundo sua análise, essas manifestações precisam ser acompanhadas de ações concretas e planejamento.
Rede presencial em Santa Catarina
Ao apresentar sua trajetória como exemplo, Campagnolo atribuiu o crescimento de sua votação à construção de uma rede presencial de apoiadores em Santa Catarina. A deputada afirmou que o trabalho envolve pessoas, vereadores, associações e entidades que mantêm vínculos com seu projeto político.
Na eleição de 2026, ela recebeu 387.523 votos e foi a candidata mais votada para a Assembleia Legislativa catarinense. (alesc.sc.gov.br)
Segundo a parlamentar, a presença nas redes sociais contribui para a comunicação, mas precisa ser acompanhada de organização fora da internet. Ela sustentou que o fortalecimento regional é essencial para dar continuidade às pautas conservadoras.
Proposta para os próximos quatro anos
Campagnolo sugeriu que os próximos quatro anos sejam dedicados à ampliação dessa organização em outros estados. A deputada colocou-se à disposição do partido para colaborar com materiais, treinamentos e suporte à formação de lideranças.
Em sua leitura do cenário nacional, a direita enfrenta uma desigualdade de forças na estrutura estatal e precisa responder com preparação e atuação de longo prazo. As críticas ao funcionamento das instituições e ao processo eleitoral foram apresentadas como avaliações políticas da parlamentar, sem demonstração de irregularidades no material encaminhado.
Ao encerrar, ela incentivou os apoiadores a manterem sua participação nas comunidades e nos espaços profissionais, defendendo que a transformação pretendida pelo movimento comece no cotidiano.
“A mudança precisa começar de baixo para cima”, declarou.