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A apresentadora e jornalista Fátima Bernardes foi contratada pelo Banco Master para uma campanha publicitária de R$ 5,4 milhões, segundo reportagem do Metrópoles divulgada nesta quinta-feira (22) e repercutida por outros veículos. O acordo previa seis meses de campanha, com remuneração de R$ 900 mil mensais. As peças foram gravadas, mas não chegaram a ser exibidas.
Conforme as informações publicadas, mensagens entre Daniel Vorcaro e integrantes do marketing mostram que a contratação começou a ser discutida em setembro de 2024. A estratégia buscava associar a imagem da apresentadora à reputação da instituição financeira. Com o avanço da crise, as ações foram suspensas. Fátima rescindiu o contrato, mas, segundo as reportagens, não devolveu os valores recebidos.
Por meio de sua assessoria, a apresentadora afirmou que o contrato foi firmado antes da crise e previa encerramento caso surgissem problemas reputacionais envolvendo qualquer das partes. Segundo a equipe, a cláusula foi acionada após a divulgação de um inquérito do Ministério Público sobre a negociação entre o Master e o Banco de Brasília (BRB). A assessoria também negou contato direto com Vorcaro e informou que as tratativas ocorreram pela agência Pullse.
Ex-controlador do Master, Vorcaro está preso preventivamente e é investigado por suspeitas de fraudes financeiras. Sua defesa nega irregularidades nas operações com o BRB e pediu a revogação da prisão e o arquivamento do inquérito referente a esses negócios.
O episódio permite uma cobrança legítima: como preservar a percepção de independência quando uma profissional conhecida por sua trajetória no jornalismo recebe milhões para promover uma instituição financeira?
Embora a contratação seja publicitária, a credibilidade construída diante do público tem valor comercial. Ao emprestar sua imagem a um banco, uma personalidade também ajuda a transmitir confiança naquela marca. Por isso, contratos dessa dimensão merecem transparência e escrutínio.
As informações consultadas não demonstram que Fátima tenha favorecido o Master em uma cobertura jornalística ou participado das irregularidades investigadas. A crítica fundamentada está no potencial conflito entre o prestígio jornalístico e os interesses de um anunciante e na responsabilidade de esclarecer esses vínculos ao público.