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Eleito por unanimidade para seu segundo período à frente da Câmara Municipal de Biguaçu, o vereador Lucas Manequinha (MDB), 31 pretende ampliar a participação popular no Legislativo e reforçar a independência entre os poderes. Em entrevista ao Jornais em Foco, ele detalhou a articulação que garantiu os 15 votos para o biênio 2027–2028 e apresentou como principal proposta a realização de sessões nos bairros.
Na política, Manequinha defendeu o diálogo entre o prefeito Alexandre e os partidos que sustentam o governo, cobrou o cumprimento dos acordos com o MDB e afirmou que a sigla deve se preparar para participar da disputa majoritária de 2028.

“O MDB vai se preparar, sim, para ter candidato”, declarou Lucas Manequinha.
Confira a entrevista, editada para clareza e concisão.
Jornais em Foco — O senhor foi eleito presidente com os votos dos 15 vereadores. Como começou essa articulação e qual foi a participação do prefeito?
Lucas Manequinha — A construção começou com um grupo de dez vereadores, o G10, conduzida por mim e com a participação de vereadores do MDB. Destaco Sandro Andrade, Zezé e Douglas, que estiveram comigo desde o início.
Fui presidente em 2022 e fiz um trabalho harmônico, respeitando cada mandato. Acredito que isso contribuiu para receber os 15 votos agora.
Houve, num primeiro momento, uma movimentação de agentes políticos e de integrantes do governo para viabilizar o nome do vereador Luan. Como essa candidatura não se consolidou, o prefeito nos procurou e disse que estaria conosco. Naquele momento, já tínhamos dez votos, quando eram necessários oito para vencer.
O prefeito pediu que Luan, André Leal e João Kennedy participassem da composição. Conversamos com o grupo e aceitamos, buscando também uma relação de harmonia e governabilidade. Depois, procurei André Clementino e Bia Borba e conseguimos chegar aos 15 votos.
Jornais em Foco — O G10 era um grupo de oposição ao prefeito?
Lucas Manequinha — Não. É importante esclarecer isso. Existe a base do prefeito e existe uma articulação dentro da Câmara, formada por vereadores que conversam entre si. Esses dez vereadores também integram a base do governo.
Mas fazer parte da base não significa concordar com tudo que chega pronto do Executivo. A Câmara tem seu papel, sua autonomia e precisa respeitar o posicionamento de cada vereador.
Quando o prefeito nos procurou, já tínhamos os votos necessários para ganhar. Os demais votos foram importantes e somos gratos por eles, mas a maioria já estava construída.
Jornais em Foco — Como o senhor conquistou os votos de André Clementino e Bia Borba, que fazem oposição ao governo?
Lucas Manequinha — Agradeço muito aos dois por entenderem a importância de uma Câmara autônoma. Propus respeito aos mandatos e condições para que o trabalho deles também tenha espaço.
A Câmara não é um puxadinho da prefeitura. É um poder autônomo. Cada vereador precisa ter seu mandato respeitado, independentemente de estar na base ou na oposição.
Jornais em Foco — O que a presidência da Câmara representa para o MDB e para os planos do partido em 2028?
Lucas Manequinha — A presidência é importante para o fortalecimento do MDB, que continua sendo um partido influente em Biguaçu e que, ao longo da história, sempre teve participação nas disputas majoritárias.
Queremos contribuir com a governabilidade do prefeito Alexandre, respeitando a autonomia dos poderes. Ao mesmo tempo, esperamos que ele cumpra os acordos políticos com o partido que participou da sua eleição.
Se os acordos forem cumpridos, o MDB estará junto. Mas, se o prefeito decidir seguir sem o MDB, o partido também precisa estar preparado para apresentar uma candidatura.
Temos bons nomes, como Luan, André Clementino e o meu próprio nome, que também está à disposição. O MDB vai se preparar para estar na majoritária.
Jornais em Foco — Já é o momento de discutir quem poderá ser vice de Alexandre numa eventual candidatura à reeleição?
Lucas Manequinha — Acho muito cedo para antecipar o nome do vice. Ainda temos dois anos de mandato e existem bons nomes na Câmara que poderiam participar dessa composição.
Uma movimentação precoce pode criar dificuldades e até comprometer um projeto de reeleição. É preciso conversar com o grupo e compreender que existem outras lideranças e outros projetos legítimos.
Jornais em Foco — As divergências entre o prefeito e vereadores podem provocar um racha na base aliada?
Lucas Manequinha — A eleição de 2024 reuniu várias lideranças fortes. O resultado teve uma contribuição importante dos candidatos a vereador que sustentaram a candidatura de Salmir e Alexandre.
Naturalmente, quando se monta um grupo com vários candidatos bons, a dificuldade para um projeto de reeleição aumenta, porque as pessoas também querem buscar espaço.
É legítimo que Alexandre queira disputar a reeleição, assim como é legítimo que outras lideranças queiram participar da majoritária. Cabe ao prefeito fazer esse movimento de diálogo. Ele precisa entender que é a pessoa que tem que aglutinar nesse processo.
Jornais em Foco — Qual é a sua avaliação da administração de Alexandre?
Lucas Manequinha — Acho que precisamos dar mais um tempo para uma avaliação mais exata. Até a eleição para deputado, Alexandre trabalhava à sombra do ex-prefeito Salmir. Agora, precisamos observar os próximos meses.
Confio no prefeito e espero que faça um bom trabalho. Mas também espero que consulte os partidos políticos da cidade.
Não se faz política apenas com popularidade, não se faz política sozinho ou com duas ou três pessoas. Faz-se política com um grupo. Esse grupo ganhou em 2020, ganhou em 2024 e poderá ganhar em 2028, se permanecer unido.
Jornais em Foco — O que o senhor destaca da sua primeira passagem pela presidência, em 2022?
Lucas Manequinha — Não vou atribuir os resultados apenas a mim, porque somos um grupo. Mas, conduzindo aquele processo, conseguimos implantar a Câmara digital e modernizar o funcionamento do Legislativo.
Passamos a utilizar votação eletrônica, tablets e processos digitais nas comissões. Isso dá mais fluidez ao trabalho, dinamismo e transparência.
Também instituímos, por resolução, a divulgação antecipada das pautas. Como as sessões acontecem às segundas e terças-feiras, a população pode consultar previamente no site os assuntos que serão discutidos.
Outro avanço foi a inclusão por meio de intérprete de Libras. Esse serviço deixou de ser mantido posteriormente e quero retomá-lo.
Jornais em Foco — Qual será o principal projeto para o biênio 2027–2028?

Foto: Lucas implementará a câmara itinerante
Lucas Manequinha — O carro-chefe será a Câmara itinerante. A ideia é que, a cada quinze dias, a sessão de terça-feira seja realizada em um bairro, levando o Legislativo também ao interior e à região norte do município.
Queremos organizar um calendário que permita passar pelas regiões duas vezes ao longo de cada ano.
A sessão terá o funcionamento da Câmara, mas com uma diferença importante: vamos ampliar a participação na tribuna para que os moradores possam falar.
Jornais em Foco — Como será essa participação dos moradores?
Lucas Manequinha — A princípio, pensamos em abrir inscrições para cinco a dez pessoas, com um tempo determinado para cada participação.
O morador poderá reivindicar o que precisa ser reivindicado, elogiar o que precisa ser elogiado e apresentar as demandas da sua comunidade.
Queremos fazer com que a Câmara seja uma extensão de cada bairro e ampliar a voz das pessoas. Esse é o objetivo: aproximar os vereadores da população e contribuir para uma gestão mais participativa.
Jornais em Foco — Como o MDB deve se organizar para chegar fortalecido à próxima eleição municipal?
Lucas Manequinha — Quero trabalhar com o presidente municipal, Sandro Andrade, para valorizar os vereadores e atrair novas lideranças. Precisamos preparar o partido para participar da próxima composição majoritária.
É importante reconhecer quem construiu a história do MDB, mas também abrir espaço para novos nomes. Minha avaliação é que o partido vem perdendo espaço no Estado e que a falta de diálogo contribui para isso. É algo que precisamos evitar em Biguaçu.
Valorizar, sim, a velha guarda, mas, sobretudo, projetar o futuro do partido.
Jornais em Foco — Depois do apoio à candidatura de Júlio Garcia a deputado federal, existe a possibilidade de o senhor trabalhar com ele em Brasília?
Lucas Manequinha — Existe, sim, a possibilidade de estar mais próximo dele no futuro, eventualmente numa assessoria. Mas não agora. Minha prioridade é a presidência da Câmara.
A parceria com Júlio foi construída pela identificação com sua maneira de fazer política, especialmente pelo diálogo. Não surgiu por interesse em cargo, e eu não ocupo função na Assembleia Legislativa.
Neste primeiro momento, penso na cidade, em honrar os votos que recebi dos vereadores e em presidir a Câmara com bastante diálogo, pluralidade e respeito a cada mandato.