Mostrar mais resultados...

O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) fez duras críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ao deixar uma reunião da bancada do Partido Liberal. Questionado sobre uma suposta mudança de postura dos magistrados, o parlamentar rejeitou qualquer possibilidade de entendimento que, em sua avaliação, afaste a responsabilização por decisões envolvendo os presos do 8 de janeiro.
“Não adianta agora vestir fantasia de patriota, não adianta vestir fantasia de bonzinho”, declarou. Na sequência, retomou o lema usado por adversários políticos contra a anistia aos envolvidos nos atos de 2023 e o direcionou aos integrantes da Corte.
“Eu passei quatro anos nessa Casa ouvindo vocês berrar no nosso ouvido ‘sem anistia’. Agora é sem anistia pra vocês”, afirmou.
Entre os episódios mencionados, Zé Trovão destacou a morte de Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão. Preso em razão dos atos de 8 de janeiro, ele morreu no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, em novembro de 2023. Na ocasião, Alexandre de Moraes solicitou informações detalhadas à direção da unidade sobre o falecimento.
“Nós não vamos perdoar quem deixou o Clezão morrer na prisão”, disse o deputado, atribuindo responsabilidade pelo episódio aos magistrados que criticava. Essa responsabilização constitui uma acusação do parlamentar.
Zé Trovão também mencionou uma mulher que, segundo sua declaração, teria sido condenada aos 74 anos a 15 anos de prisão. O deputado não identificou a pessoa nem apresentou detalhes do processo na fala fornecida.
Ao acusar os ministros de cometerem crimes, o parlamentar afirmou que o PL utilizará sua força no Congresso para enfrentar decisões que considera injustas e buscar o afastamento de integrantes do Supremo.
“Nós vamos acabar com a injustiça. Nós vamos arrancar vocês”, declarou. Em seguida, acrescentou: “Vocês não merecem estar aí”.
Expectativa de mudanças na Corte
Na parte final da manifestação, Zé Trovão associou a possibilidade de mudanças no STF a um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Segundo sua projeção, o candidato poderia indicar quatro ministros em decorrência de aposentadorias e outros dois após processos de impeachment.
A declaração expressa a expectativa política do deputado, sem representar uma mudança já definida na composição do tribunal. Zé Trovão também não apontou quais seriam os dois ministros que pretende ver afastados.
A fala reforça sua defesa de uma atuação mais incisiva do Congresso contra integrantes do Supremo e sua rejeição a uma conciliação que deixe de contemplar a responsabilização que reivindica.