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Prefeito Alexandre de Biguaçu está com a faca e o queijo na mão

Vitória de aliados nas eleições amplia a força política do prefeito e abre perspectivas de investimentos, novas alianças e protagonismo municipal

Colunista

Biguaçu

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Jornais em Foco

Foto: Alexandre (dir. na foto) vai se filiar ao PL do governador Jorginho e buscará a reeleição para 2028

Por Décio Baixo Alves

As eleições de 2026 redesenharam o cenário político e deixaram o prefeito de Biguaçu, Alexandre Martins de Souza, em uma posição privilegiada. Mesmo sem estar nas urnas, Alexandre viu importantes lideranças com as quais mantém proximidade conquistarem espaço em Brasília. O resultado abre uma oportunidade para transformar articulação política em obras e benefícios para a cidade.

Carol de Toni e Carlos Bolsonaro foram eleitos para o Senado por Santa Catarina. Jair Renan Bolsonaro conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados. São nomes que passam a integrar uma rede de representação com peso nacional e que podem ampliar a interlocução de Biguaçu com o governo federal.

Na leitura política desta coluna, Alexandre sai fortalecido porque participou da construção dessas pontes. Receber lideranças, organizar encontros e abrir espaço para o diálogo durante a campanha cria vínculos que podem continuar depois da eleição. Biguaçu sediou um encontro com o governador Jorginho Mello e lideranças do PL, organizado por Alexandre e pelo então candidato Salmir da Silva.

A proximidade com Carol de Toni, descrita nos bastidores como uma amizade fraterna, é um dos principais trunfos do prefeito. Ter liberdade para telefonar, apresentar uma demanda e conversar diretamente com uma senadora facilita o caminho de uma reivindicação. O mesmo vale para os vínculos com Carlos e Jair Renan Bolsonaro. Esse acesso ganha valor quando se traduz em acompanhamento de projetos, emendas parlamentares e defesa das necessidades do município.

O resultado de Salmir da Silva, que não conquistou a vaga de deputado estadual, representa a frustração desse movimento. Alexandre apoiou o ex-prefeito e parceiro político. Entretanto, essa derrota não apaga o espaço conquistado pelo atual prefeito nas demais articulações. O saldo político permite olhar para os próximos meses com otimismo.

Nesse cenário, a possível ida de Alexandre para o Partido Liberal ganha outra dimensão. O interesse de Jorginho Mello em atraí-lo para a sigla e colocá-lo à frente de um projeto municipal para 2028. Agora, com aliados fortalecidos nas urnas, essa aproximação adquire ainda mais relevância.

Segundo as informações trazidas a esta coluna, Alexandre pretende transformar sua filiação em um grande encontro em Biguaçu. Se reunir o governador, senadores e deputados eleitos, o ato poderá demonstrar publicamente a força das relações construídas pelo prefeito. Mais do que uma mudança de legenda, será uma oportunidade de apresentar compromissos com o futuro da cidade.

Há também uma possibilidade nacional no horizonte. Flávio Bolsonaro disputará o segundo turno da eleição presidencial contra Lula. Caso vença, a proximidade de Alexandre com Carlos e Jair Renan, irmãos de Flávio, poderá facilitar a interlocução com o futuro governo. É uma perspectiva condicionada ao resultado das urnas, mas com evidente importância para a estratégia política do prefeito.

Enquanto o quadro político se define, Biguaçu já tem uma obra de grande significado avançando. Alexandre assinou o contrato da primeira etapa do projeto dos Molhes do Rio Biguaçu, contemplando dragagem, desassoreamento e recomposição de encostas. O investimento dessa fase é de R$ 18,39 milhões, com R$ 10 milhões do Governo do Estado e o restante de recursos municipais.

A intervenção prepara o caminho para a futura implantação dos molhes e busca melhorar o escoamento do rio, contribuindo para reduzir os impactos das chuvas. É uma demanda que permite ao prefeito associar sua capacidade de articulação a uma entrega concreta, acompanhada de perto pela população.

A aproximação com o PL também poderá provocar mudanças na composição do governo municipal. A permanência do PT na base tende a entrar em discussão diante de um alinhamento mais claro com o campo bolsonarista. Uma eventual saída, porém, dependerá das decisões locais e das negociações depois do segundo turno.

Alexandre terá, assim, espaço para imprimir sua própria marca à administração. Os próximos meses e o próximo ano serão decisivos para organizar prioridades, fortalecer a equipe e aproveitar os canais políticos disponíveis. Uma gestão com entregas consistentes poderá dar sustentação ao seu projeto eleitoral de 2028.

Na expressão popular, o prefeito está com a faca e o queijo na mão. Tem interlocutores fortalecidos, aproximação com o governador e uma agenda de obras capaz de produzir resultados importantes. Cabe a ele transformar esse conjunto de condições em melhorias percebidas nos bairros e na vida das famílias.

Boas ondas vêm a caminho de Alexandre. E, se souber conduzi-las, quem poderá avançar junto é Biguaçu.