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Chegou a hora de Biguaçu discutir sua força na Assembleia Legislativa e eleger Salmir Silva deputado estadual

Biguaçu, Antônio Carlos e Governador Celso Ramos formam uma região forte economicamente, mas a presença direta da comarca nas grandes decisões estaduais continua sendo uma questão estratégica

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Foto: A comarca de Biguaçu ganhará muito elegendo Salmir da Silva deputado estadual

Por Décio Baixo Alves

Há momentos em que uma cidade precisa olhar para além de suas divisas e compreender o tamanho de sua própria força. Biguaçu cresceu. Tornou-se um município economicamente importante, estrategicamente localizado na Grande Florianópolis e cada vez mais integrado a Antônio Carlos e Governador Celso Ramos. Os três municípios formam a comarca de Biguaçu e, apesar de suas particularidades, convivem com desafios semelhantes em saúde, infraestrutura, mobilidade, educação, segurança e desenvolvimento.

Por isso, existe uma pergunta que considero legítima e necessária: qual é o peso político que essa região deseja ter dentro da Assembleia Legislativa de Santa Catarina?

Não se trata apenas de possuir um nome numa cadeira do Parlamento. Trata-se de ter alguém que conheça o território, saiba onde estão os gargalos, tenha contato permanente com prefeitos e lideranças e consiga colocar as demandas da região diretamente na pauta das secretarias estaduais e do Governo do Estado. Um deputado estadual dispõe de instrumentos concretos de atuação.

Além de legislar e fiscalizar, pode apresentar emendas, articular convênios, acompanhar projetos e cobrar respostas do Executivo. A legislação catarinense estabelece que as emendas individuais dos parlamentares à Lei Orçamentária sejam calculadas dentro do limite de 1,55% da receita corrente líquida, sendo metade desse percentual destinada obrigatoriamente à saúde. O valor individual efetivo depende do orçamento anual; portanto, os cerca de R$ 20 milhões por deputado, frequentemente mencionados no debate político, devem ser entendidos como uma referência aproximada e não como uma quantia fixa garantida todos os anos.

Mas a dimensão desses recursos mostra por que representação política importa. Imagine a diferença que milhões de reais podem fazer quando destinados a hospitais, unidades básicas de saúde, pavimentação, escolas, equipamentos, segurança, agricultura ou infraestrutura.

Naturalmente, um deputado representa todo o Estado e seus recursos não pertencem à sua cidade de origem. Também não existe garantia de que ter um parlamentar local signifique automaticamente mais dinheiro. Recursos públicos dependem de projetos, critérios técnicos, decisões orçamentárias e capacidade de execução. Ainda assim, ninguém pode ignorar uma realidade da política: proximidade ajuda a manter os problemas de uma região permanentemente sobre a mesa.

É nesse contexto que o nome do ex-prefeito Salmir da Silva ganha relevância na atual disputa estadual.

Salmir não chega ao debate como um desconhecido da população de Biguaçu. Possui uma trajetória recente no Executivo municipal e passou pelo julgamento das urnas de maneira bastante expressiva.

Em 2024, foi reeleito prefeito com 27.586 votos, equivalentes a 70,01% dos votos válidos, de acordo com a totalização oficial do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina. Independentemente da preferência partidária de cada eleitor, 70% dos votos é um resultado político que não pode ser simplesmente ignorado quando se analisa sua trajetória.

Sua administração também encerrou um ciclo marcado pelo anúncio e execução de investimentos expressivos. Em março de 2026, a Prefeitura apresentou um programa de aproximadamente R$ 104,8 milhões em obras e ações, abrangendo saúde, educação, infraestrutura e mobilidade urbana, fruto, segundo o município, de projetos, recursos próprios, financiamentos e articulação com os governos estadual e federal. Esse histórico permite uma discussão objetiva sobre experiência administrativa.

Quem comandou um município sabe quanto custa transformar uma reivindicação em projeto, um projeto em convênio e um convênio em obra. Sabe também que o caminho entre Brasília, Florianópolis e uma prefeitura pode ser longo e burocrático. E talvez seja justamente essa uma das maiores questões desta eleição para Biguaçu.

Durante muito tempo ouvimos reclamações de que determinadas regiões possuem enorme capacidade de articulação porque conseguem manter representantes próximos de suas bases dentro da Assembleia.

Quando existe uma estrada estadual precisando de intervenção, alguém precisa cobrar. Quando uma unidade de saúde precisa de equipamentos, alguém precisa buscar recursos. Quando Antônio Carlos necessita de investimentos para acompanhar seu crescimento, quando Governador Celso Ramos precisa compatibilizar desenvolvimento turístico e infraestrutura ou quando Biguaçu enfrenta problemas decorrentes de sua expansão urbana, essas demandas precisam chegar a Florianópolis com força.

Representação política não resolve tudo. Ausência de representação, entretanto, também tem consequências. É por isso que considero saudável que Biguaçu discuta profundamente esta oportunidade.

Salmir da Silva apresenta-se nessa eleição carregando algo que poucos candidatos possuem: o fato de ter comandado justamente o maior município dessa comarca e ter encerrado sua última eleição municipal com 70,01% dos votos. Isso não dispensa análise crítica. Pelo contrário.

O eleitor deve examinar o que foi realizado, o que deixou de ser realizado, suas propostas para Santa Catarina, os compromissos assumidos e a forma como pretende atuar na Assembleia Legislativa.

Mas também não faz sentido tratar como irrelevante a possibilidade de a comarca possuir uma voz diretamente ligada à sua realidade. Biguaçu precisa pensar grande. Antônio Carlos precisa pensar grande. Governador Celso Ramos precisa pensar grande.

São municípios em crescimento, com economia em transformação, novos empreendimentos, aumento das demandas públicas e necessidade permanente de investimentos. A questão que fica para a população é simples: qual espaço queremos que Biguaçu e os municípios da nossa comarca ocupem nas decisões políticas de Santa Catarina nos próximos quatro anos?

Essa é uma reflexão que vai muito além de partido ou de campanha. É uma discussão sobre força regional, recursos, desenvolvimento e representatividade. E oportunidades políticas precisam, no mínimo, ser analisadas com atenção por uma região que deseja continuar crescendo.

Clique aqui e veja o vídeo de Salmir