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O senador Carlos Viana, de Minas Gerais, resolveu responder em tom duro ao ator e humorista Fábio Porchat após a grande repercussão do vídeo “Grandes Igrejas, Master Negócios”, publicado dentro do projeto Revelando.
O material apresentado por Porchat tem pouco mais de 30 minutos e aborda as relações entre o Banco Master, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, integrantes da Igreja Batista da Lagoinha e personagens da política nacional. O episódio ganhou milhões de visualizações e se transformou em um dos conteúdos políticos de maior repercussão nas redes sociais nos últimos dias.
Carlos Viana, porém, diz ter terminado os mais de 30 minutos com uma pergunta que repetiu diversas vezes durante sua resposta:
“Onde estava você, Porchat?”
Para o senador, Porchat teria escolhido determinadas conexões políticas para destacar enquanto deixava outras de fora.
Viana abriu sua fala diretamente:
“Você é um oportunista, um lacrador que quer enganar os outros.”
Na sequência, afirmou ter assistido ao conteúdo e começou a enumerar episódios que, segundo sua avaliação, deveriam ter recebido espaço semelhante.
Viana questiona ausência de episódios envolvendo o STF
Um dos primeiros assuntos levantados pelo senador foi a relação do Banco Master com integrantes ou pessoas próximas de autoridades do Supremo Tribunal Federal.
Viana mencionou um contrato de honorários advocatícios envolvendo o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e o Banco Master.
O senador também fez referência a contatos atribuídos a Daniel Vorcaro e questionou Porchat sobre episódios envolvendo viagens, aeronaves e relações entre pessoas ligadas ao banqueiro e integrantes do Judiciário.
Esses pontos foram apresentados por Carlos Viana como questionamentos e acusações políticas, e não equivalem, por si só, a constatações judiciais de irregularidades.
Viana então disparou:
“Onde estava você, Porchat?”
O senador também criticou a participação de ministros do Supremo em julgamentos relacionados a acontecimentos que, segundo sua interpretação, poderiam envolver integrantes da própria Corte.
Durante sua fala, citou Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Viana classificou a situação, em sua interpretação, como:
“Juiz em causa própria, blindado pelos outros ministros.”
E novamente questionou:
“Onde estava você, Porchat?”
“Você falou de aposentado? Então vamos falar de aposentado”
A partir desse momento, Carlos Viana direcionou boa parte de sua resposta para a investigação envolvendo aposentados e pensionistas do INSS.
O senador recordou sua atuação à frente da CPMI que investigou descontos e outras suspeitas envolvendo benefícios previdenciários.
“Você falou de aposentado no seu vídeo. Então vamos falar de aposentado”, afirmou.
Viana declarou que a investigação apurou bilhões de reais em prejuízos e descontos relacionados a aposentados e pensionistas e ressaltou que a comissão chegou a determinar prisões em flagrante durante depoimentos.
Segundo o senador, o relatório produzido no Congresso pediu mais de 200 indiciamentos.
Ao acompanhar o caminho do dinheiro e diferentes operações financeiras, disse Viana, a comissão chegou também ao Banco Master.
Banco Master e consignados
Carlos Viana afirmou que aproximadamente R$ 700 milhões em operações de crédito consignado envolvendo aposentados apareceram no radar da investigação parlamentar.
O tema ganhou novos elementos nesta semana. Auditoria da Controladoria-Geral da União apontou graves indícios de irregularidades em contratos de consignado do Banco Master. Segundo a análise divulgada pela imprensa, 93,3% de uma amostra de 165.990 contratos examinados tinham assinatura registrada somente depois do início da vigência.
Viana declarou que a CPMI também conseguiu aprovar medidas para acessar movimentações e documentos ligados a Vorcaro.
Em seguida, reclamou de decisões judiciais que restringiram ou invalidaram o acesso da comissão a determinados dados.
A cobrança a Porchat voltou:
“Onde estava você? Eu não vi isso no seu vídeo.”
Lulinha também vira alvo das cobranças
Carlos Viana dedicou outro trecho importante de sua manifestação a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo o senador, a CPMI buscou aprofundar investigações e aprovou medidas de quebra de sigilo relacionadas a personagens que teriam ligação com as suspeitas investigadas.
Viana afirmou que houve forte reação política às iniciativas da comissão e lembrou episódios de tumulto durante sessões.
Também criticou decisão do ministro Flávio Dino que atingiu medidas de quebra de sigilo aprovadas pelo colegiado.
Viana disse:
“Trinta minutos e nenhum deles sobre o Lulinha.”
O senador ainda fez referência a viagens, pagamentos e depoimentos envolvendo pessoas investigadas no chamado escândalo dos descontos do INSS.
As acusações sobre participação ou responsabilidade de pessoas citadas no discurso seguem dependentes das respectivas investigações e de decisões das autoridades competentes.
Dinheiro, viagens e encontros entram na argumentação
Viana também mencionou relatos envolvendo dinheiro em espécie, registros fotográficos e encontros no Palácio do Planalto.
Ao reconstruir essas situações, o senador buscou sustentar sua tese de que Porchat teria dado atenção a determinadas relações políticas enquanto ignoraria outras.
Novamente, dirigiu-se diretamente ao ator:
“Onde estava você, Porchat?”
Essa pergunta tornou-se praticamente o refrão de toda a manifestação.
Encontro de Lula com Daniel Vorcaro
Carlos Viana avançou então sobre a relação institucional entre Daniel Vorcaro e integrantes do governo federal.
Ele lembrou que o presidente Lula recebeu o então banqueiro em Brasília e criticou o fato de o compromisso ter se tornado público posteriormente.
A partir daí, Viana relacionou a reunião a contatos posteriores do Banco Master com autoridades e instituições financeiras.
O senador questionou:
“Onde estava você, Porchat?”
Na interpretação apresentada por Viana, esse conjunto de acontecimentos deveria ter sido explorado com o mesmo destaque dado no vídeo às relações entre Vorcaro, lideranças evangélicas e políticos ligados à direita.
Jaques Wagner também é citado
O senador mineiro mencionou ainda o senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, ao tratar de relações empresariais e financeiras envolvendo pessoas próximas a políticos e o Banco Master.
Viana citou valores e operações que, segundo ele, aparecem em investigações e reportagens relacionadas ao banco.
Mais uma vez, transformou a questão em cobrança direta:
“Onde estava você, Porchat?”
O caso Master, porém, envolve personagens de diferentes grupos políticos. Reportagens recentes destacam relações do banco e de Daniel Vorcaro com nomes associados à esquerda, à direita e ao chamado Centrão.
Paulo Gonet, Flávio Dino e novas críticas
Carlos Viana também direcionou críticas ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O senador mencionou informações atribuídas a investigações da Polícia Federal e decisões tomadas posteriormente em órgãos de controle.
Na mesma sequência, citou o ministro Flávio Dino e familiares do ministro que ocupam funções públicas.
Viana utilizou esses episódios para reforçar sua acusação de que haveria seletividade na abordagem feita por Porchat.
É importante observar que investigações, arquivamentos e decisões institucionais têm procedimentos próprios e que a citação de autoridades em relatos ou apurações não significa automaticamente comprovação de crime ou responsabilidade.
Alcolumbre e pedidos de investigação do Master
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, também entrou no discurso.
Viana mencionou mensagens atribuídas a conversas com Daniel Vorcaro e criticou a falta de avanço, segundo ele, de pedidos de criação de uma comissão parlamentar específica para investigar o Banco Master.
O senador sustentou que diferentes requerimentos permaneceram sem andamento.
Viana tem defendido publicamente a abertura e o aprofundamento de investigações no Congresso sobre as operações e conexões políticas do Banco Master.
Ele voltou então à pergunta que marcou todo o pronunciamento:
“Onde estava você, Porchat?”
“Eu sei onde você não estava”
Depois de enumerar uma série de acontecimentos, Carlos Viana apresentou sua conclusão sobre o conteúdo produzido pelo humorista:
“Eu sei onde você não estava. Você não estava denunciando nada disso.”
Para Viana, Porchat teria selecionado fatos que atingiriam mais diretamente personagens identificados com um determinado campo político.
O senador argumentou que o caso Banco Master seria muito mais abrangente e envolveria relações com agentes públicos e políticos de diferentes grupos.
Lei Rouanet e episódio envolvendo Porchat
Na reta final da resposta, Carlos Viana deixou de questionar apenas o conteúdo apresentado pelo humorista e passou a falar diretamente sobre a própria trajetória de Fábio Porchat.
Viana recordou investigação divulgada em 2016 envolvendo projetos culturais financiados por meio de recursos captados com incentivo fiscal da Lei Rouanet.
Segundo o senador, uma apresentação de Porchat teria sido contratada por cerca de R$ 200 mil dentro de um contexto posteriormente investigado pelo Ministério Público.
O próprio Viana fez uma ressalva ao apresentar o questionamento:
“Não estou acusando, só estou perguntando.”
Na época, Porchat afirmou publicamente não ter como conhecer a origem detalhada dos recursos utilizados pelas empresas responsáveis por contratá-lo.
Senador questiona quem produziu o vídeo
Carlos Viana também levantou questionamentos sobre a estrutura responsável pela produção e distribuição do material apresentado pelo humorista.
O episódio integra o projeto “Revelando”, ligado ao podcast Calma Urgente. O material teve apoio de distribuição do ICL, Mídia Ninja e 342 Artes.
Viana associou integrantes da produção a pessoas que teriam participado de ambientes políticos ligados ao atual governo e utilizou essa informação para questionar a independência editorial do conteúdo.
Essa interpretação é do senador.
Elogio de Lula a Porchat aumenta temperatura da disputa
Viana também mencionou o elogio público feito pelo presidente Lula a Fábio Porchat depois da publicação do vídeo.
Durante evento de campanha, Lula elogiou a produção do ator e chegou a dizer que Porchat merecia um “Oscar” pelo material.
O presidente também saiu em defesa do humorista depois da repercussão e da remoção temporária do perfil responsável por divulgar o conteúdo.
Para Carlos Viana, a proximidade temporal entre a publicação do vídeo e os elogios de Lula reforçou suas suspeitas sobre a motivação política do material.
Viana ironizou:
“Agora eu entendi de quem é o roteiro.”
“Quero ver se você vai responder”
Já no encerramento, Carlos Viana desafiou diretamente Fábio Porchat a apresentar uma resposta.
“Então eu quero ver, Porchat, se você vai responder esse vídeo ou se vai se esconder.”
Foi nesse momento que o senador utilizou algumas das palavras mais fortes de todo o pronunciamento.
“Você é um oportunista, um lacrador que quer enganar os outros.”
Carlos Viana ainda fez críticas ao financiamento público da cultura e a artistas que utilizam mecanismos de incentivo fiscal.
Na avaliação do senador, determinados artistas dependeriam excessivamente de recursos relacionados ao poder público, argumento frequentemente utilizado no debate político sobre leis de incentivo à cultura.
Viana relaciona discussão à eleição
No último trecho, Carlos Viana deixou claro que enxerga a discussão dentro do ambiente da eleição presidencial de 2026.
O senador relacionou a repercussão do vídeo de Porchat à disputa política nacional e ao desempenho eleitoral de candidatos de oposição ao presidente Lula.
“O desespero bateu”, declarou.
Viana afirmou ainda não se preocupar com as críticas que poderia receber após sua manifestação.
“A esquerda pode responder do jeito que quiser. Eu tenho as minhas convicções e as minhas certezas.”
E encerrou repetindo:
“O desespero bateu.”
Embate amplia disputa de versões sobre o Banco Master
A resposta de Carlos Viana acrescenta mais um capítulo à enorme repercussão política do caso Banco Master.
O vídeo apresentado por Fábio Porchat partiu das relações entre a família de Daniel Vorcaro e a Igreja Batista da Lagoinha e avançou sobre doações, relações políticas e operações financeiras. Reportagens sobre o conteúdo apontam que ele também abordou Nikolas Ferreira e Flávio Bolsonaro. (Correio Braziliense)
Carlos Viana, por sua vez, tenta deslocar o foco para outros personagens.
Sua principal crítica é que, para compreender toda a dimensão política do Banco Master, seria necessário examinar igualmente as relações do banco com integrantes e aliados do governo Lula, autoridades do Judiciário e outros agentes públicos.
Ao repetir inúmeras vezes “Onde estava você, Porchat?”, o senador transformou essa cobrança no eixo central de sua resposta.
O embate ocorre enquanto investigações sobre o Banco Master seguem produzindo novas informações. Nesta semana, por exemplo, Flávio Dino determinou à Polícia Federal investigação sobre possível atuação irregular de integrantes da Comissão de Valores Mobiliários em episódio relacionado ao conglomerado Master.
Assim, enquanto Porchat procura expor determinadas conexões políticas, empresariais e religiosas do caso, Carlos Viana sustenta que o retrato apresentado é incompleto e cobra que o mesmo escrutínio seja aplicado a todos os personagens envolvidos, independentemente do campo político ao qual estejam associados.