Mostrar mais resultados...

O pastor Silas Malafaia voltou a entrar no debate político e religioso que ganhou força na reta final das eleições de 2026. Em manifestação divulgada nas redes sociais, o líder evangélico fez duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acusando-o de utilizar a controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida para atingir o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e provocar desgaste entre católicos e evangélicos.
A discussão ganhou repercussão após circular nas redes sociais a afirmação de que Flávio Bolsonaro ou grupos evangélicos ligados à sua candidatura pretendiam retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil ou interferir em feriados católicos. Flávio negou publicamente qualquer intenção nesse sentido e classificou a informação como falsa.
Malafaia afirmou que Lula estaria se aproveitando da repercussão do episódio para conquistar apoio do eleitorado católico. Em sua fala, o pastor usou termos duros contra o presidente e sustentou que não existe movimento organizado de lideranças evangélicas para retirar direitos, feriados ou símbolos religiosos dos católicos.
O Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb), entidade da qual Malafaia participou de manifestação recente, também divulgou nota afirmando que não existe iniciativa de líderes evangélicos, vinculada a candidaturas, para cancelar feriados ou cultos de outras religiões. A entidade declarou ainda que católicos e evangélicos devem permanecer em convivência pacífica.
Críticas de Lula à Lagoinha
Outro ponto abordado por Malafaia foi uma declaração de Lula contra a Igreja Batista da Lagoinha. Durante agenda de campanha em Belém, no Pará, no dia 28 de setembro, o presidente afirmou que Nossa Senhora Aparecida deveria ser respeitada e chamou a Lagoinha de “igreja mentirosa”, fazendo referência ao pastor André Valadão e a controvérsias envolvendo Daniel Vorcaro.
Malafaia reagiu à declaração. Segundo ele, uma disputa com líderes religiosos específicos não deveria ser transformada em ataque à instituição religiosa como um todo. O pastor destacou a trajetória histórica da Lagoinha e afirmou que seus membros não podem ser responsabilizados coletivamente por acusações dirigidas a pessoas determinadas.
“Eu não vim aqui defender pastor da Lagoinha, não, mas atacar a igreja?”, questionou Malafaia durante a gravação.
Declaração de Flávio Bolsonaro
Malafaia também saiu em defesa de Flávio Bolsonaro diante da repercussão de uma declaração na qual o candidato afirmou que, caso eleito presidente, faria uma manifestação entregando simbolicamente o Brasil a Jesus Cristo.
A campanha de Flávio posteriormente explicou que a expressão tinha caráter simbólico e que se trataria de uma oração antes da posse, sem alteração do caráter laico do Estado ou desrespeito às demais religiões.
Para Malafaia, associar a declaração a um suposto ataque aos católicos seria uma interpretação equivocada. Ele argumentou que Jesus Cristo é figura central tanto para o cristianismo católico quanto para o evangélico.
Durante a manifestação, o pastor citou Filipenses 2:9-11, passagem bíblica utilizada tanto em traduções católicas quanto protestantes, para sustentar seu argumento de que a referência a Jesus não representa, por si só, uma agressão à tradição católica.
A controvérsia religiosa ganhou espaço nos últimos dias da campanha eleitoral e passou a envolver diretamente Lula, Flávio Bolsonaro e diferentes lideranças religiosas. Malafaia defende que divergências políticas não sejam transformadas em conflito entre católicos e evangélicos e acusa o presidente de utilizar o episódio como instrumento eleitoral.
As declarações fazem parte do acirramento do debate político às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro.