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Biguaçu acaba de celebrar seus 193 anos de emancipação política. Uma cidade que deixou de ser apenas um município de passagem para se consolidar como uma das principais economias da Grande Florianópolis. O crescimento populacional, a expansão urbana e o fortalecimento do comércio demonstram uma realidade de desenvolvimento que impõe novos desafios para o poder público.
Mas, ao mesmo tempo em que a cidade cresce, permanece uma discussão que volta à tona a cada eleição: a representatividade política de Biguaçu nos espaços de decisão do Estado.
Historicamente, o município costuma registrar expressiva votação para candidatos de outras cidades. Durante as campanhas, é comum ver lideranças estaduais percorrendo bairros, participando de eventos e buscando o apoio do eleitorado local. Depois das urnas fechadas, porém, muitos desses representantes voltam suas atenções para suas bases eleitorais de origem, enquanto Biguaçu continua aguardando soluções para demandas antigas.
Essa realidade faz surgir uma reflexão legítima: até que ponto uma cidade do porte de Biguaçu pode continuar sem uma representação própria na Assembleia Legislativa?
O papel de um deputado estadual vai além da elaboração de leis. Cabe também ao parlamentar acompanhar obras, buscar recursos, defender investimentos, articular projetos junto ao Governo do Estado e atuar como ponte entre os municípios e a administração estadual. Ter alguém que conheça de perto as necessidades locais pode facilitar o encaminhamento de pautas importantes para a população.
Não se trata apenas de uma discussão sobre nomes ou partidos. A questão envolve pertencimento, compromisso e presença. Um representante que vive a realidade da cidade conhece os problemas da mobilidade, acompanha as demandas da saúde, entende os desafios da educação, conversa diariamente com comerciantes, empresários, trabalhadores e moradores dos bairros.
A proximidade também fortalece a cobrança da população. Quando o representante está presente no cotidiano da cidade, torna-se mais acessível, mais próximo das comunidades e mais sensível às necessidades locais.
Biguaçu possui força econômica, relevância regional e uma população crescente. Essas características naturalmente levam muitos moradores a defenderem que o município amplie sua participação política nos espaços de decisão estadual, buscando maior protagonismo na defesa de seus interesses.
Mais do que uma frase de campanha, a expressão “Quem é de Biguaçu vota em gente de Biguaçu” representa um debate sobre identidade, representatividade e desenvolvimento local. É uma reflexão que convida os eleitores a pensarem sobre o papel que desejam para a cidade nos próximos anos e sobre a importância de fortalecer sua voz nas instâncias onde são tomadas decisões que impactam diretamente a vida da população.
Independentemente das escolhas individuais de cada eleitor, o debate sobre a representatividade política de Biguaçu permanece atual e relevante. Afinal, cidades que fortalecem sua participação institucional tendem a ampliar sua capacidade de reivindicar investimentos, defender prioridades e construir um futuro alinhado às necessidades de sua própria comunidade.