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Por Décio Baixo Alves
O município de Biguaçu vive hoje uma oportunidade rara. Daquelas que aparecem poucas vezes na história de uma cidade. E o atual prefeito Alexandre Martins de Souza tem nas mãos a chance de entrar para a história como o prefeito que consolidou Biguaçu como uma das maiores referências em saúde pública da região.
Em julho de 2026 completa-se um ano desde que a Prefeitura Municipal de Biguaçu assumiu a administração do Hospital Regional Helmut Nass, após a interdição da gestão feita pela antiga administradora, a São Camilo. A medida inicialmente seria temporária, por cerca de três meses, mas já caminha para um ano completo, com a interdição administrativa prevista para vencer justamente em julho.
A pergunta que começa a surgir é inevitável: qual será o próximo passo?
A prefeitura continuará administrando diretamente o hospital ou abrirá uma nova licitação para que uma entidade especializada assuma a gestão? Essa decisão será determinante para o futuro da saúde de Biguaçu.
Hoje, o Hospital Helmut Nass já atende pacientes de toda a Grande Florianópolis. O município já possui papel importante dentro do sistema regional de saúde, principalmente nas cirurgias de média e baixa complexidade. Porém, a realidade é que a estrutura ainda trabalha muito abaixo da sua capacidade operacional.
Atualmente, o hospital realiza cerca de 200 cirurgias mensais. No entanto, a capacidade da unidade é muito maior, podendo chegar entre 800 e 850 cirurgias por mês.
Ou seja: existe estrutura. Existe espaço. Existe demanda reprimida. O que falta é ampliar gestão, produtividade e planejamento estratégico.
E esse talvez seja o maior trunfo de Biguaçu neste momento.
O déficit de cirurgias eletivas em Santa Catarina é enorme. O Governo do Estado procura alternativas para aumentar a capacidade cirúrgica da região e reduzir filas que afetam milhares de famílias. Biguaçu já participa desse atendimento regional, mas pode crescer muito mais e ampliar ainda mais sua atuação na Grande Florianópolis caso aumente sua produtividade hospitalar.
Quanto mais produção existe dentro do hospital, mais recursos entram.
Hoje, a unidade já recebe aproximadamente R$ 2 milhões mensais em verbas federais, além de cerca de R$ 380 mil destinados à maternidade. Mas como o volume de produção ainda é considerado pequeno diante da estrutura disponível, os repasses acabam limitados.
Se houver aumento no número de cirurgias, exames e atendimentos, automaticamente haverá crescimento nos recursos estaduais e federais destinados ao hospital.
E é justamente por isso que Biguaçu tem hoje a faca e o queijo na mão.
O município já atende a região. Agora precisa decidir se quer apenas continuar atendendo ou se deseja assumir definitivamente protagonismo regional na saúde pública.
Mas para isso será necessário coragem administrativa, planejamento técnico e visão de futuro.
Uma das ideias mais inteligentes dentro desse planejamento seria a construção de uma UPA 24 horas em anexo ao hospital. O local possui espaço físico, estacionamento e possibilidade de expansão. A implantação de uma UPA ao lado do hospital criaria um sistema extremamente eficiente: a triagem aconteceria na UPA e, nos casos necessários, os pacientes seriam encaminhados diretamente para internação no Hospital Helmut Nass, que permaneceria como hospital de portas fechadas.
Enquanto isso, a atual UPA do bairro Fundos poderia ser transformada em uma UPA pediátrica 24 horas, criando uma especialização importante no atendimento infantil da cidade.
Além disso, existem possibilidades reais de captação de verbas estaduais e federais para projetos dessa natureza. O governo federal possui linhas específicas para ampliação de unidades de saúde e o Estado demonstra interesse em fortalecer hospitais regionais capazes de aumentar a produção cirúrgica.
Biguaçu reúne praticamente todos os requisitos para isso acontecer.
E é justamente por isso que o prefeito Alexandre Martins de Souza tem hoje uma oportunidade histórica nas mãos.
Se houver prioridade política e uma gestão hospitalar eficiente, inclusive com a possibilidade de uma nova licitação para uma entidade especializada e com know-how na área hospitalar Biguaçu pode viver uma verdadeira revolução na saúde pública nos próximos anos.
A prefeitura fez sua parte ao assumir o hospital em um momento delicado. Mas agora chegou a hora de pensar grande. É hora de ampliar produtividade, buscar investimentos, estruturar novas unidades e consolidar o município como uma das maiores referências em saúde da Grande Florianópolis.
A oportunidade está dada.
Biguaçu tem estrutura, localização estratégica, demanda regional, possibilidade de expansão e capacidade para crescer.
Falta apenas transformar potencial em prioridade.
Se fizer isso, Alexandre Martins de Souza poderá entrar para a história como o prefeito que transformou Biguaçu em referência regional de saúde pública em Santa Catarina.