Mostrar mais resultados...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Mostrar mais resultados...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Falando de Futebol - Por Júnior Moresco (26/01/2026)

Uma visão franca e apaixonada sobre o nosso esporte, por Júnior Moresco.

Colunista

Santa Catarina

Logo Jornais em Foco

Jornais em Foco

Foto: O Catarinense entra agora em sua fase mais dura

A primeira fase do Campeonato Catarinense chega ao fim deixando lições claras, verdades escancaradas e algumas feridas abertas. Foi um campeonato curto, intenso e sem espaço para erro. Quem entrou preparado, classificou. Quem apostou no improviso, pagou o preço. Não houve injustiça esportiva: avançou quem fez o mínimo com competência e caiu quem construiu o próprio fracasso ao longo do caminho.

Chapecoense, Brusque, Santa Catarina, Avaí, Barra, Criciúma, Camboriú e Concórdia seguem vivos. Cada um com sua realidade, seus limites e suas ambições, mas todos conscientes de que sobreviveram a uma fase onde planejamento valeu tanto quanto futebol jogado.

Do outro lado, o cenário é preocupante. Figueirense e Joinville encerram a primeira fase expostos técnica e institucionalmente. No caso alvinegro, o desfecho é ainda mais pesado: um Grupo da Morte que pode deixar marcas profundas na história recente do clube.

O retrato final da primeira fase

O Brusque foi, sem discussão, o time mais regular da competição. Invicto, competitivo fora de casa, mentalmente forte e com leitura clara de jogo, chega ao mata-mata não apenas como favorito, mas como equipe que sabe exatamente o que quer dentro do campeonato.

O Santa Catarina deixou de ser surpresa. O que se vê é um projeto consolidado, com identidade, organização e continuidade. Pelo segundo ano consecutivo, mostra que não está no campeonato para compor tabela, mas para competir em alto nível.

A Chapecoense, mesmo oscilando em alguns momentos, confirmou sua força estrutural. Elenco, investimento e pressão fazem com que qualquer resultado abaixo de final seja visto como fracasso. A Chape entra no mata-mata com obrigação, não apenas expectativa.

O Avaí foi estratégico. Administrou riscos, rodou elenco quando necessário e garantiu posição confortável para decidir em casa. Não empolgou, mas foi eficiente — e em campeonato curto, eficiência pesa mais que espetáculo.

Criciúma e Barra crescem no momento certo. Chegam perigosos, com confiança e senso de oportunidade. São times que podem crescer ainda mais quando a pressão aumenta.

Camboriú e Concórdia avançam cientes da própria realidade. Sabem que qualquer erro será fatal, mas também entram sem o peso da obrigação, o que pode torná-los adversários incômodos.

Já Joinville e Figueirense são o reflexo do que acontece quando planejamento falha. Instabilidade técnica, decisões erradas fora de campo e falta de convicção dentro dele. O Catarinense foi implacável com quem errou.

O mata-mata: onde o campeonato muda de verdade

A segunda fase não perdoa. Não existe recuperação, nem tempo para correções profundas. Dois jogos definem meses — e, para alguns clubes, anos — de trabalho.

No Grupo A, vejo o Brusque com vantagem clara. Regularidade, confiança e modelo de jogo bem definido colocam o clube um passo à frente. O Avaí, pelo elenco e pelo mando de campo, aparece como favorito no outro confronto, mas precisará mostrar mais intensidade do que apresentou na primeira fase.

No Grupo B, o nível sobe consideravelmente. Santa Catarina x Barra representa o choque de projetos bem executados. Organização contra competitividade, onde detalhes táticos e leitura de jogo serão decisivos.
Já Chapecoense x Criciúma é confronto de peso, camisa, pressão e história. Aqui, o psicológico e a experiência em decisões valem tanto quanto o futebol jogado. Quem errar menos, passa.

Minha leitura é objetiva: Chapecoense, Brusque, Avaí e Santa Catarina largam à frente, mas o equilíbrio é tão grande que qualquer erro, expulsão ou decisão mal tomada pode virar o jogo.

O alerta máximo: o cruel Grupo da Morte

Enquanto alguns sonham com título e calendário nacional, outros lutam pela própria sobrevivência. O quadrangular entre Figueirense, Joinville, Carlos Renaux e Marcílio Dias é cruel, desgastante e emocionalmente devastador.

Aqui, camisa não ganha jogo. Tradição não pontua. Torcida ajuda, mas não resolve sozinha.

O Figueirense entra pressionado, sem confiança e com obrigação imediata de resposta dentro de campo. O peso psicológico é enorme e qualquer tropeço pode gerar efeito cascata.
O Joinville vive crise técnica e de identidade. Falta segurança, falta liderança e sobra nervosismo.
Já Carlos Renaux e Marcílio Dias sabem que este é o campeonato de suas vidas. Entram como “azarões”, mas com algo que os grandes perderam: leveza e senso de urgência.

Não há espaço para erros, desculpas ou discursos prontos. Aqui, quem não reagir rápido, cai.

Conclusão

O Catarinense entra agora em sua fase mais dura, mais verdadeira e mais reveladora.
O mata-mata separa quem está preparado para decidir de quem apenas participou.

Para alguns clubes, o que vem pela frente pode significar título, calendário nacional e fortalecimento institucional.
Para outros, pode representar queda, crise profunda e reconstrução forçada.

O campeonato mudou de chave.
Agora, pressão, mentalidade e organização valem tanto quanto o talento.

Quem não suportar, ficará pelo caminho.