Mostrar mais resultados...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Mostrar mais resultados...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Banco Master e a podridão institucional que ameaça o país

Decisão do Banco Central de liquidar o Banco Master expôs um sistema de influência que agora tenta se proteger por dentro das instituições, em meio a ações sigilosas do STF e do Tribunal de Contas da União.

Colunista

Biguaçu

Logo Jornais em Foco

Jornais em Foco

Foto: Banco Master está descaradamente sendo blindado pelo TCU e STF

Por Décio Baixo Alves

O que começou como um escândalo financeiro está se transformando em um retrato cruel da falência ética das instituições brasileiras.

O escândalo do Banco Master está provocando uma crise institucional de proporções graves e inéditas. Instituições brasileiras, entre elas o Supremo Tribunal Federal (STF), já vinham sofrendo com a perda de credibilidade e os acontecimentos em torno do banco apenas aceleram esse processo de descrença.

Não há, até o momento, explicação convincente para a intervenção do STF em uma investigação conduzida sob sigilo máximo. Tampouco há justificativa clara para que o Tribunal de Contas da União (TCU) tenha assumido, na prática, o papel de investigar o próprio investigador, o Banco Central, também sob absoluto segredo.

A crise não está no fato de um órgão fiscalizar outro; isso é, afinal, parte do equilíbrio democrático previsto pela Constituição. O problema é outro, mais profundo: a crescente convicção pública de que essas instituições não estão agindo como órgãos de Estado, mas sim como instrumentos políticos em uma ofensiva contra a autoridade monetária, que ousou liquidar um banco privado acusado de práticas fraudulentas.

Segundo investigações da Polícia Federal, o Banco Master sustentava há anos uma estrutura de influência dentro da República comprando apoio, moldando decisões e se blindando contra a responsabilização. Quando o Banco Central decidiu agir, o castelo ruiu. O que se vê desde então é uma reação orquestrada para proteger interesses e silenciar consequências, sob a cortina do sigilo institucional.

A sensação que fica é de podridão política em escala inédita uma mistura de cinismo, arrogância e promiscuidade entre o público e o privado. O país que acreditava já ter visto tudo em matéria de corrupção agora testemunha um novo e mais sofisticado estágio da degradação moral de suas instituições.

E o mais alarmante é o silêncio. Silêncio do Congresso, silêncio dos partidos, silêncio das entidades que deveriam representar a sociedade. A omissão coletiva é o combustível da impunidade. Quando o Estado se dobra aos poderosos e o sistema se protege por dentro, o risco não é apenas a corrupção: é o colapso moral de uma nação inteira.