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O Em Foco Podcast voltou com força total neste mês de novembro e recebeu um convidado especial: Júnior Moresco, uma das figuras mais conhecidas e respeitadas do esporte e da gestão pública em Biguaçu.
Durante a conversa conduzida pelo jornalista Décio Alves, Moresco revisitou sua trajetória — da infância humilde no bairro Fundos, passando pelos bastidores do futebol catarinense e nacional, até o papel de liderança que hoje exerce na Prefeitura de Biguaçu, ao lado do prefeito Salmir Silva.
Em mais de uma hora de entrevista, Moresco emocionou ao compartilhar lembranças do pai, histórias de superação, experiências com grandes nomes do futebol e o episódio mais marcante de sua vida: o dia em que escapou do trágico voo da Chapecoense.
As raízes da família Moresco e o amor por Biguaçu
Nascido em Tijucas e morador de Biguaçu desde os dois anos de idade, Júnior Moresco é filho de Domingos Moresco e Helena Maria Moresco, uma família marcada pela simplicidade, pela fé e pelo compromisso com o bem coletivo.
Seu pai, Domingos, foi vereador, secretário municipal e presidente da Seregi, deixando um legado que inspira gerações.
“Meu pai chegou a Biguaçu em 1977, e em quatro anos já era o vereador mais votado do município. Ele me ensinou que servir à comunidade é a missão mais nobre que uma pessoa pode ter. Tudo o que faço hoje é reflexo dos valores que ele me transmitiu”, contou Moresco.
Ele vive até hoje na mesma casa onde nasceu, no bairro Fundos, cercado pelos irmãos Marina, Maurília, Marcos e Marilis, e pela esposa Kelly, com quem é casado desde 2007, e os filhos Renan e Lago.
“Biguaçu é meu lar e minha missão. Aqui cresci, formei minha família e aprendi o significado de pertencimento. Tudo o que sou nasceu nesta terra”, afirmou.
Do campo de terra ao futebol profissional: o Juventus dos Fundos
A paixão pelo esporte começou dentro de casa. Seu pai foi fundador do lendário Juventus dos Fundos, um dos times mais tradicionais do futebol amador da região.
“O Juventus era o coração do bairro. Aos domingos, as famílias se reuniam para ver os jogos, fazer churrasco, conversar e torcer. Era mais do que futebol: era comunidade. Ali aprendi sobre união, humildade e disciplina”, relembrou.
O ambiente esportivo moldou o caráter e os valores de Moresco, que começou a atuar na Liga de Futebol de Biguaçu, aprendendo sobre gestão, liderança e o poder transformador do esporte.
O encontro com Delfim Peixoto e o início na Federação Catarinense de Futebol
A virada na carreira aconteceu quando, durante uma partida em Três Riachos, Moresco conheceu o então presidente da Federação Catarinense de Futebol (FCF), Delfim Peixoto, um dos dirigentes mais influentes da história do esporte catarinense.
“Ele me chamou de ‘garoto’ e disse: ‘Te dou quatrocentos reais por mês por três meses. Se eu gostar de ti, tu fica; se não, vai embora’. Eu aceitei o desafio e fiquei 16 anos na Federação”, contou entre risos.
O início foi marcado por desafios: viagens diárias de Biguaçu a Balneário Camboriú, longas jornadas de trabalho e o aprendizado com um dirigente exigente e detalhista.
“O Delfim era duro, mas justo. Cobrava disciplina e lealdade, mas te ensinava com exemplo. Foi um mestre”, lembrou.
A dedicação deu resultado. Moresco rapidamente subiu de posição, tornando-se diretor de competições, secretário da comissão de arbitragem e, com apenas 26 anos, chefe de gabinete de Delfim Peixoto, um dos cargos de maior confiança dentro da instituição.
“Ele me chamava de filho. Eu era o braço direito dele. Cuidava de tudo, de viagens a decisões estratégicas. Trabalhar ao lado dele foi a maior escola que tive”, afirmou.
O auge do futebol catarinense
Nos 16 anos de trabalho na FCF, Júnior Moresco viveu o auge do futebol em Santa Catarina. Participou de campanhas históricas, como o vice-campeonato do Figueirense na Copa do Brasil, os acessos de Avaí, Criciúma, Joinville e Chapecoense, e o fortalecimento da imagem do Estado no cenário nacional.
“Ver os clubes catarinenses disputando a Série A e enchendo estádios pelo Brasil foi uma conquista coletiva. Estive em 33 das 38 rodadas do Brasileirão de 2016, trabalhando como delegado da CBF. Fiz clássicos como Fla-Flu, São Paulo e Corinthians. Representar Santa Catarina no Maracanã, com 60 mil pessoas, foi inesquecível”, contou orgulhoso.
“Eu deveria estar naquele voo” , sobre a tragédia da Chapecoense
O momento mais marcante e doloroso da trajetória de Moresco foi a tragédia da Chapecoense, em novembro de 2016. O avião que levava a equipe para Medellín, na Colômbia, caiu, vitimando 71 pessoas, entre jogadores, jornalistas e dirigentes incluindo Delfim Peixoto, seu chefe e amigo pessoal.
“Eu estava escalado para aquela viagem. Tudo pronto: passagens, mala, documentos. Mas, por um detalhe burocrático, acabei não embarcando. Horas depois, veio a notícia do acidente. Foi o pior dia da minha vida”, revelou, com a voz embargada.
Moresco contou que o impacto foi profundo e o fez repensar a própria existência.
“O Delfim era como um pai. Trabalhei com ele por 16 anos. Acompanhei cada passo, cada decisão, e de repente ele se foi daquela maneira trágica. Aquilo me fez enxergar o quanto a vida é frágil. Eu só consegui seguir em frente pela fé. Deus me deu uma segunda chance, e eu precisava dar sentido a isso”, afirmou emocionado.
Bastidores do futebol: histórias e lições
Em outro trecho da entrevista, Moresco compartilhou bastidores curiosos e reflexões sobre o futebol brasileiro. Relembrou, por exemplo, o episódio em que viajou a Lucas do Rio Verde (MT) para garantir a lisura de um jogo decisivo que poderia levar o Avaí à Série A.
“Fui pessoalmente com um incentivo financeiro para a equipe local jogar com seriedade. Era uma missão arriscada, mas o futebol catarinense precisava daquele acesso. O Avaí venceu e a festa foi enorme”, contou.
Com franqueza, defendeu mudanças estruturais na arbitragem.
“Um árbitro que apita um jogo de Série A ganha cinco ou seis mil reais e tem nas mãos clubes que movimentam milhões. É desproporcional. O futebol precisa valorizar mais quem faz o espetáculo acontecer”, alertou.
A amizade com o prefeito Salmir Silva e o retorno à gestão pública
Após encerrar o ciclo na Federação, Moresco decidiu voltar às origens e dedicar-se novamente à gestão pública. Foi presidente da Liga de Futebol de Biguaçu, assessor parlamentar, atuou na CASAN e colaborou com a Prefeitura de São José. Em 2020, recebeu o convite do prefeito Salmir Silva para integrar sua equipe.
“Conheço o Salmir há muitos anos, desde antes da política. Sempre vi nele uma pessoa honesta, comprometida e visionária. Quando me convidou, entendi que era hora de colocar minha experiência a serviço da cidade que me criou”, contou.
Hoje, Moresco é chefe de gabinete da Prefeitura de Biguaçu, onde coordena projetos, agendas e a articulação entre secretarias e a comunidade.
“Trabalhar com o Salmir é um orgulho. Ele é mais que um gestor, é um amigo. Confia na equipe, escuta, age com firmeza e pensa no futuro da cidade. Nossa relação é de lealdade e parceria. A gente se entende no olhar”, disse.
Segundo ele, o reencontro com a administração pública foi também um reencontro com seu propósito.
“Depois da tragédia da Chapecoense, percebi que Deus me deu uma nova chance. Servir Biguaçu é a forma que encontrei de agradecer. Cada dia de trabalho é uma oportunidade de retribuir o que recebi da vida”, concluiu.
Fé, propósito e legado
Encerrando a entrevista, Júnior Moresco refletiu sobre sua jornada, destacando que tudo o que viveu, do campo de terra ao gabinete, tem um propósito maior.
“Sou filho do serviço público e do esporte. Tudo o que conquistei veio do trabalho e da fé. Quero seguir o legado do meu pai, que acreditava que a vida só vale quando a gente faz algo pelos outros”, declarou.
A entrevista completa com Júnior Moresco está disponível no canal do Em Foco Podcast e traz um relato inspirador sobre superação, fé e compromisso com Biguaçu, uma verdadeira aula de vida, humildade e gratidão.