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Chega de político de estimação: o Brasil precisa voltar a escolher gestores, não ídolos

Entre escândalos, polarização e militâncias cegas, o brasileiro foi convencido de que política se faz com paixão. O resultado é um país dividido emocionalmente, enquanto os problemas reais continuam sem solução.

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Biguaçu

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Foto: Zema é um dos poucos políticos no Brasil que tem credibilidade para se credenciar a candidato a presidente

Por Décio Baixo Alves

Nenhuma novidade. Mais uma denúncia, mais um escândalo, mais uma decepção envolvendo políticos brasileiros. E talvez o maior golpe político aplicado no Brasil nos últimos anos tenha sido justamente esse: fizeram o povo acreditar que precisava amar político.

Transformaram políticos em ídolos. Criaram torcidas organizadas ideológicas. E, no meio disso tudo, o cidadão virou militante emocional em vez de eleitor racional.

Hoje, o Brasil vive preso entre dois polos que fingem se combater, mas que, politicamente, também se alimentam. Luiz Inácio Lula da Silva e o bolsonarismo dependem um do outro para sobreviver eleitoralmente. Um mobiliza pelo medo da volta do adversário. O outro mantém sua base acesa pela rejeição ao sistema oposto.

Enquanto isso, o país continua parado no mesmo lugar.

A lógica virou simples: quando a denúncia atinge “o meu lado”, é perseguição. Quando atinge “o outro lado”, é corrupção. O senso crítico morreu afogado na paixão política.

Agora surgem novos episódios envolvendo o entorno do senador Flávio Bolsonaro, além de questionamentos relacionados ao Banco Master e ao áudio divulgado cobrando milhões de um empresário ligado ao filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Mas o ponto principal nem é o caso específico. O problema é estrutural. O problema começa quando político vira objeto de devoção.

Político não foi feito para ser amado. Foi feito para ser fiscalizado.

O eleitor brasileiro precisa entender uma coisa básica: você não escolhe um piloto de avião pela paixão. Você escolhe pela competência. Você não entrega sua vida a um médico porque ele fala bonito na internet. Você procura preparo técnico.

Então por que o futuro do país continua sendo decidido na emoção?

A política brasileira virou um campeonato de lacração. Vídeos, cortes, frases de efeito, brigas em rede social e discursos inflamados. Só que o povo já conhece os problemas. O cidadão vê a crise todos os dias quando pega ônibus, enfrenta fila em hospital, paga imposto ou tenta sobreviver com segurança nas ruas.

O Brasil não precisa mais de gente apontando problema. Precisa de gente capaz de resolver.

E talvez esteja justamente aí a discussão que o país deveria começar a fazer.

Menos idolatria. Mais gestão.

Nomes como Romeu Zema ganham espaço justamente porque carregam uma imagem mais ligada à administração do que à militância política. Um gestor que construiu trajetória fora da política tradicional, que chegou ao governo defendendo austeridade, redução de privilégios e equilíbrio fiscal.

Da mesma forma, parte da população também demonstra interesse em figuras técnicas ou profissionais vindos de outras áreas, buscando pessoas que tenham histórico de resultados concretos antes da vida partidária.

Porque governar um país não pode ser tratado como torcida organizada.

Quando exerci mandato, denunciei vereador, denunciei prefeito, denunciei gente do próprio grupo político. Porque corrupção não tem ideologia. Corrupção tem CPF.

O erro do Brasil foi transformar honestidade em discurso seletivo.

Se o corrupto é do meu lado, passa pano. Se é do outro, pede cadeia.

E assim seguimos afundando institucionalmente.

O eleitor também precisa aprender melhor o papel de cada cargo público. Deputado, senador e vereador pertencem ao Poder Legislativo. Criam leis e fiscalizam. Presidente, governador e prefeito fazem parte do Executivo. Administram a máquina pública.

São funções completamente diferentes. Mas muita gente ainda vota como se tudo fosse igual.

É como procurar um cardiologista para tratar uma perna quebrada.

O Brasil precisa amadurecer politicamente. Precisa parar de escolher candidatos pelo grito, pela estética ou pela guerra ideológica.

Porque no fim das contas, o cidadão não mora no discurso político. Mora na vida real.

E a vida real exige resultado.

Chega de fã-clube. Chega de político de estimação. O Brasil precisa voltar a contratar gestores.