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Por Décio Baixo Alves
O episódio envolvendo a deputada federal Júlia Zanatta e o vice-prefeito de São José Michel Schlemper, durante o encontro do Partido Liberal em São José, foi lamentável sob todos os aspectos. O que deveria ser um ato de fortalecimento partidário acabou se transformando em um constrangimento público desnecessário, filmado e exposto nas redes sociais como se fosse um troféu político.
Ao abordar Michel Schlemper diante de lideranças e militantes, questionando por que ele estaria no evento do PL e dizendo que o lugar dele seria “no palanque do Lula”, Júlia Zanatta ultrapassou o limite do debate político respeitoso.
Sim, Michel esteve em outro campo político no passado. Isso é fato. Também é fato que ele apoiou candidaturas ligadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022. Mas desde quando a política brasileira virou um tribunal permanente onde ninguém pode mudar de posição, construir novas alianças ou seguir outro caminho?
A política vive de momentos. Vive de alianças, rupturas, aproximações e reposicionamentos. Quem acompanha a história política de Santa Catarina sabe disso. O próprio governador Jorginho Mello, hoje principal nome do PL catarinense, já esteve próximo de figuras e governos ligados ao PT em outros períodos políticos. E aí surge a pergunta inevitável: por que Michel Schlemper virou alvo de exposição pública, enquanto outros nomes históricos da política recebem silêncio e conveniência?
Dois pesos e duas medidas?
Se Júlia Zanatta acredita que Michel não deveria estar no PL, existe um caminho político e partidário para isso. Ela pode defender internamente a expulsão dele do partido, abrir debate dentro da sigla e convencer seus correligionários. Isso faz parte do jogo democrático. O que não combina com a responsabilidade de uma deputada federal é transformar um encontro partidário em palco para constrangimento pessoal e espetáculo de redes sociais.
A atitude foi infantil, desnecessária e irresponsável.
Mais grave ainda porque Michel Schlemper não era um militante qualquer no evento. Ele é vice-prefeito de São José, uma das cidades mais importantes de Santa Catarina, e hoje aparece como pré-candidato a deputado estadual dentro da própria estrutura do PL.
Expor um aliado, ou ao menos um filiado do mesmo partido, daquela forma não fortalece o PL. Pelo contrário. Cria divisão interna, desgaste e passa a impressão de que alguns integrantes da sigla se consideram “donos” do partido.
A política precisa de firmeza, mas também precisa de maturidade.
Quem entra para um partido deve ser avaliado pelo presente, pelas ideias que defende hoje e pelo compromisso que assume daqui para frente. Se todo político fosse condenado eternamente por alianças antigas, sobrariam poucos nos palanques brasileiros.
Júlia Zanatta tem todo o direito de discordar de Michel Schlemper. O que ela não tinha direito era de tentar humilhá-lo publicamente para gerar engajamento político.
Nota zero para essa atitude. Lamentável.
Clique aqui e assista o vídeo de Zanatta confrontando Michel