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Último TalkSal apresentado por Salmir Silva destaca trajetória do Laticínio Holandês e marca despedida do prefeito de Biguaçu

Entrevista exibida neste fim de semana com os empresários Paulo e Gertrudes Papenborg relembrou a imigração da família, a produção artesanal iniciada na década de 1960 e o crescimento de uma indústria que hoje reúne centenas de produtores rurais

Entrevista

Biguaçu

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Foto: Os irmão Paulo e Gertrudes Papenborg foram entrevistados no talksal

O prefeito de Biguaçu, Salmir Silva, apresentou neste fim de semana a última edição do programa TalkSal enquanto chefe do Executivo municipal. A entrevista marcou a despedida do gestor do cargo, já que a partir desta segunda-feira (30) ele deixa a Prefeitura para disputar uma vaga como deputado estadual. Com sua saída, a administração municipal passa a ser conduzida pelo vice-prefeito Alexandre Martins de Souza.

Para encerrar o ciclo, Salmir recebeu os empresários Paulo e Gertrudes Papenborg, proprietários do Laticínio Holandês, em uma conversa que percorreu décadas de história, desde a imigração da família ao Brasil até a consolidação de uma das principais indústrias de laticínios de Santa Catarina.

Durante o programa, os empresários contaram que a trajetória começou com os pais, Johannes Papenborg e Maria Frederica Papenborg, nascidos na Holanda em 1928. Após se casarem, o casal deixou a Europa e enfrentou uma viagem de navio até o Brasil, desembarcando em Santos. O primeiro destino foi a colônia de Holambra, em São Paulo, onde permaneceram por cerca de sete anos trabalhando em cooperativas agrícolas com outros imigrantes holandeses.

Em 1959, a família mudou-se para Santa Catarina, chegando com quatro filhos e iniciando uma nova vida na região de Tijuquinhas. No começo, a atividade principal foi a agricultura, com plantio de milho e feijão. No entanto, sucessivas enchentes na região fizeram com que o casal buscasse alternativas, surgindo então a criação de gado leiteiro como nova fonte de renda.

Segundo os empresários, o início foi simples e totalmente artesanal. O pai produzia o leite e a mãe fabricava os queijos, que eram vendidos diretamente à comunidade. Para comercializar os produtos, Johannes Papenborg percorria longas distâncias de bicicleta até Florianópolis, em uma época em que a BR-101 ainda não era pavimentada. A produção aumentou gradativamente, acompanhada da melhoria do rebanho por meio de cruzamentos com vacas da raça holandesa.

Na década de 1970, a família investiu em inseminação artificial, prática considerada inovadora na região. O aumento da produção levou à necessidade de processar o leite, já que não havia cooperativas locais para absorver o volume. Assim, começaram a produzir não apenas queijos, mas também iogurtes e outros derivados.

Em 1975, os irmãos Johannes, Mário e Paulo fundaram oficialmente o Laticínio Holandês, ampliando a produção com iogurtes com frutas, nata, creme de leite e outros produtos. Em 1977, a empresa conquistou uma das primeiras inspeções estaduais do setor, o que permitiu expandir a comercialização e fortalecer a presença no mercado.

Durante a entrevista, Paulo e Gertrudes destacaram que a essência do negócio sempre foi manter a produção natural e artesanal. Entre os produtos tradicionais estão o iogurte natural com apenas dois ingredientes, o doce de leite feito somente com leite e açúcar e o “queijo Opa”, inspirado nas receitas originais dos pais, produzido com leite, coalho e sal, sem conservantes ou corantes. Eles também ressaltaram o leite pasteurizado em saquinho, com apenas um ingrediente, preservando características consideradas mais naturais.

Os empresários explicaram ainda que a empresa trabalha com diferentes raças de gado, como a holandesa e a jersey, buscando características específicas do leite para cada tipo de produto. Segundo eles, o leite da raça jersey possui maior teor de gordura, sendo utilizado em determinados derivados, enquanto o da raça holandesa apresenta características mais leves.

Outro ponto destacado foi a evolução da estrutura produtiva. Hoje, o laticínio conta com rebanho próprio e parceria com cerca de 284 famílias produtoras distribuídas em 11 municípios. Ao todo, milhares de vacas contribuem para o abastecimento da indústria, que também oferece assistência técnica com veterinários, zootecnistas e orientações sobre manejo, genética e inseminação, fortalecendo a cadeia produtiva regional.

Os empresários também ressaltaram os valores familiares como base do crescimento da empresa. A fé, a disciplina e a perseverança foram apontadas como ensinamentos fundamentais deixados pelos pais. Uma das frases mais lembradas foi: “Só não consegue aquele que desiste”, considerada um princípio que guiou a família ao longo das décadas.

Além disso, eles destacaram a importância da união familiar e da religiosidade no cotidiano, relatando que os pais mantinham o hábito de rezar diariamente antes do trabalho e valorizavam a convivência entre todos os filhos nas atividades da propriedade, que no início eram realizadas manualmente.

Salmir Silva ressaltou que histórias como a da família Papenborg representam a força do empreendedorismo e do trabalho rural para o desenvolvimento econômico da região. O prefeito também destacou que o TalkSal foi criado para valorizar personalidades do esporte, da política e do setor empresarial, aproximando a população de trajetórias inspiradoras.

A última edição do programa simboliza a despedida de Salmir Silva do comando da Prefeitura de Biguaçu e encerra a série de entrevistas sob sua condução. A partir desta segunda-feira (30), Alexandre Martins de Souza assume a administração municipal, dando continuidade à gestão.

Clique aqui e assista o vídeo