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Gov. Celso Ramos: Município completa 60 anos de emancipação

Conheça a história, cultura e a economia pesqueira da cidade

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Jornais em Foco

O município de Governador Celso Ramos completa, em 2023, 60 anos de emancipação política. Contudo, a história da origem da cidade é bem mais antiga. 

História do município

Citada pela primeira vez em 1776, em mapa português, como “Ganxos”, a cidade foi ocupada por grupos caçadores-coletores há cinco mil anos. Entre os anos 750 e 1.300 d.C., a região foi tomada pelos indígenas Itararé (Jê), sucedidos pelos Guarani que viviam em duas importantes aldeias: Reritiba e Piracoara.

Em 7 de Março de 1739, o Brigadeiro Silva Paes iniciou a criação do seu governo na capitania Santa Catarina, ficando a frente do comando militar do Distrito. Nessa época a pesca da baleia na costa do Brasil constituía um grande monopólio que era entregue aos grandes comerciantes. Entre 1740 e 1742, bem próximo a Freguesia de São Miguel, na direção norte foi instalado um próspero e considerável núcleo de captura e industrialização de baleia, denominado "Armação Grande" ou de Nossa Senhora da Piedade. As instalações ali construídas numa área de 5.327 m², faziam daquela armação a maior e a mais importante do nosso litoral e a segunda mais importante do Brasil – Colônia.

Por volta do ano de 1745 colonizadores vindos das Ilhas dos Açores e da Madeira, atraídos pela pesca da baleia, aqui se instalaram. Com a chegada de outros portugueses, instalaram-se novos povoados a partir de 1747, onde podemos destacar: Fazenda da Armação, Costeira da Armação, Palmas, Canto e Ganchos e outros no litoral catarinense.

A bibliografia local dá conta que o nome Ganchos está relacionado ao formato das meias-luas que recortam a península, mas a denominação pode estar relacionada aos navegadores catalães das primeiras expedições no século XVI, derivando assim dos dois grandes ganchos que formam a Baía de Tijucas. A Baía de São Sebastião dos Tijucais ou de Tijucas, é denominada de Baía dos Dois Ganchos pelo mineralista inglês John Mawe (1806), reafirmado em mapa português (1808). 

Esses núcleos de açorianos e madeirenses que colonizaram o litoral catarinense concentravam-se em pescadores e pequenos agricultores.

Entrando em decadência a pesca da baleia, Armação da Piedade sofre uma grande evasão de pessoas, tem em 1883 apenas 42 pessoas, enquanto em Ganchos nessa época, contava com 208 moradores. Com isso, Ganchos e os povoados vizinhos crescem com as unidades fazendeiras que contavam nessa época com aproximadamente 25 unidades.

Na localidade de Jordão também foram edificadas casas, senzalas e engenhos e uma grande plantação de diversos produtos, além de produzirem farinha de mandioca.

Anos depois, mais precisamente em 2018, foi criado o distrito com a denominação de Ganchos pela lei municipal nº 119, de 28/10/1918, subordinado ao município de Biguaçu. Permaneceu como distrito de Biguaçu até a divisão administrativa de 1948 e foi elevado à categoria de município com a denominação de Ganchos, pela lei estadual nº 929, de 06/11/1963. Em 1967, através de uma lei estadual, o município de Ganchos passou a denominar-se Governador Celso Ramos.

Em 6 de novembro de 1963, o município já denominado Governador Celso Ramos ganha sua emancipação política, constituído de distrito sede, assim permanecendo em divisão territorial datada de 2001.

Com a economia ainda alicerçada na pesca, a cidade também se abre ao turismo. O município possui duas unidades de conservação, a Área de Proteção Ambiental do Anhatomirim, e a Reserva Marinha Biológica do Arvoredo.

Cultura ainda resiste

 

Passados mais de dois séculos, Ganchos ainda preserva suas crenças e suas tradições. A maneira de falar rápido expressões e palavras que muitas vezes só os "gancheiros" sabem seus significados são retratos da cultura viva dentro do coração e da alma do povo simples e hospitaleiro. Ainda existem os que acreditam no lobisomem, na bruxa, na mulher de branco, no boi Tatá e no bicho da Orelha Mole, lendas espalhadas de gerações a gerações.  

Os gancheiros ainda respeitam e cultuam o dia de São Pedro, Nossa Senhora dos Navegantes, o Divino Espírito Santo, lembram e cantam o boi de mamão e dançam o pau de fita, vivenciando momentos de seus antepassados.

Outra tradição é o trabalho na confecção do crivo feito à mão, as redes e tarrafas, os balaios de bambu, os remédios caseiros mostram no presente, um passado de criatividade e de sabedoria que muitos de seus filhos ainda tiveram o privilégio de aprender. 

Os barqueiros ainda mostram o carinho em embelezar suas embarcações e somente eles, pescadores, filhos do mar, poderiam cuidá-las tão bem, já que desde os primórdios de sua colonização, Governador Celso Ramos tem como fonte principal o desenvolvimento pesqueiro. Embora não só vivendo da pesca, pois outras atividades eram desenvolvidas aqui, a pesca sempre despertou mais interesse, até porque, é um município litorâneo.

 

Pesca

Em princípio, o pescado era levado para Tijucas ou Florianópolis, mais tarde apareciam às pequenas indústrias, denominadas salgas.

Foi nos anos 40 que iniciaram as primeiras salgas, onde o pescado era limpo e seus proprietários vendiam. Elas, geralmente, eram realizadas próximas às praias, para tornar-se fácil a espera pelo pescador que chegava em suas embarcações trazendo os diversos tipos de peixes.

A maioria das salgas permaneceram até a década de 60, outros indo um pouco mais além. No final da década de 50, apareceram as indústrias maiores, empregando até 200 pessoas aproximadas cada uma. O trabalho manual dos homens e mulheres era a limpeza do pescado e o encaixotamento.

A quantidade de pescado na região de Governador Celso Ramos, nos anos 70, ficava atrás somente de Itajaí entre os 25 municípios catarinenses. 

Embora sabendo que ainda aproximadamente 70% da população vive direta ou indiretamente da pesca, existem apenas quatro indústrias de conservação e limpeza do pescado, tendo salgas pequenas e os intermediários que compram o pescado direto do pescador e vendem nos municípios vizinhos.