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O Enfoco Podcast recebeu nesse mês de setembro 2025 um dos nomes mais emblemáticos da história esportiva de Biguaçu: Paulo Eduardo Rodrigues, o popular Paulo Baga, 42 anos. Com uma trajetória marcada pela superação dentro e fora de campo, Baga emocionou ao relembrar momentos decisivos de sua carreira, desde os primeiros passos no futebol amador até as experiências no exterior.
A peneira que mudou destinos
A história de Baga com o futebol profissional começou ainda na adolescência. Ele participou de um teste do Figueirense em Florianópolis, em meio a centenas de garotos. O talento o destacou entre mais de 400 candidatos, e foi ali que surgiu a chance de mudar também a vida de outro biguaçuense.
Questionado pelo treinador Torino se havia alguém de nível alto em sua cidade, Baga não hesitou em indicar o amigo André Santos, então camisa 11 do Biguá. A aposta foi certeira: André passou nos testes, ganhou espaço no clube, brilhou na Copa São Paulo, alcançou a Seleção Brasileira e construiu carreira internacional. “Muita gente diz que se eu não tivesse feito essa indicação, talvez a história do André fosse diferente. Eu apenas vi o talento e quis ajudar”, relatou.
Enquanto André seguia como jogador profissional, Baga acabou não sendo aproveitado no elenco do Figueirense, voltando ao futebol amador, onde acumulou títulos por times locais e iniciou a carreira como treinador.
Do futebol amador ao profissional
A virada na vida de Baga aconteceu em 2014, quando surgiu a oportunidade de trabalhar na base do Figueirense, inicialmente como massagista. Sua dedicação e conhecimento de campo logo chamaram a atenção do técnico Renê Simões, que o convidou para integrar a comissão técnica do time principal na Série A do Brasileirão.
No vestiário, conviveu com jogadores renomados como Carlos Alberto, Marcão e Alex Muralha. A experiência foi intensa, mas também revelou os bastidores turbulentos do clube. “Havia jogadores pensando em derrubar treinador. Cheguei a alertar o Renê Simões de que estavam combinando tirar o pé em um clássico contra o Avaí. Aquilo me marcou demais”, lembrou.
A amizade com Renê segue até hoje, mas os problemas financeiros do Figueirense pesaram. Baga relatou que ficou até seis meses sem receber salário e sobreviveu graças à ajuda da família. Em 2018, após sucessivos atrasos, entrou na Justiça. A dívida, que chegou a R$ 190 mil, foi reduzida em acordos, mas até hoje não foi paga. “Já se passaram sete anos e sigo esperando. Minha esperança é que a venda do terreno onde ficava o ginásio Carlos Alberto Campos ajude a quitar as dívidas”, afirmou.
Realidade dura em Portugal
Buscando novos horizontes, Baga recebeu em 2019 uma ligação que mudaria sua vida. Graças a uma indicação de um amigo, partiu para Portugal, onde trabalhou em um clube da terceira divisão. A expectativa era alta, mas a realidade foi um choque.
“Cheguei achando que encontraria uma estrutura parecida com a do Marcílio Dias. Mas encontrei um clube pequeno, alojamento simples e refeições limitadas a pão de manhã e arroz com mortadela no almoço. Era preciso muita força mental para aguentar”, contou.
Com a pandemia, a situação ficou ainda mais complicada. Sem jogos e com pouco apoio, teve que reinventar-se para sobreviver no país. Apesar das dificuldades, destacou o apoio que recebeu de dirigentes locais, especialmente de Saúl Grosso, que o ajudou a permanecer em território português.
Paixão pelo futebol e futuro em Biguaçu
Mesmo com tantos altos e baixos, Paulo Baga segue firme na missão de formar novos talentos. Atualmente, trabalha na Prefeitura de Biguaçu, coordenando a Liga do Campeonato Municipal. Como treinador, é recordista de títulos nas categorias de base, consolidando-se como referência na formação de jovens atletas.
O apelido, que nasceu de uma brincadeira na infância, virou marca registrada. “No começo eu não gostava, mas hoje, se falar Paulo Rodrigues, ninguém sabe quem é. Todo mundo conhece o Paulo Baga”, brincou.
Com histórias que misturam luta, resiliência e amor ao futebol, Paulo Baga mostrou no Enfoco Podcast que sua jornada vai muito além das quatro linhas. “O futebol me ensinou que foco é tudo. Quem não está 100% comprometido, fica pelo caminho. Foi assim na minha vida, e é o que tento passar para os jovens hoje”, finalizou.
📌 Linha do tempo – A trajetória de Paulo Baga
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Paulo Baga