Mostrar mais resultados...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Mostrar mais resultados...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Neném Maravilha: meio século de música, histórias e memórias em Florianópolis e Biguaçu

Cantor, percussionista e ícone cultural revela sua trajetória desde a infância no Morro da Mariquinha, a carreira nos clubes de samba, experiências internacionais, trabalhos paralelos e o filme que conta sua vida no Em Foco Podcast

Entrevista

Biguaçu

Logo Jornais em Foco

Jornais em Foco

Foto: Neném Maravilha durante entrevista ao Em Foco Podcast, relembrando sua trajetória de mais de 50 anos de carreira (Foto Divulgação)

O cantor e percussionista Neném Maravilha, com mais de 50 anos de carreira, foi o convidado especial do Em Foco Podcast #078, apresentado por Djalma Rita. Durante a entrevista, Neném abriu o coração sobre sua vida, desde a infância no centro de Florianópolis até a consolidação como uma das personalidades mais queridas da música catarinense.

Infância e primeiros trabalhos

Nascido no bairro Carlos Corrêa, no centro da capital, Neném começou a trabalhar ainda menino, vendendo amendoim torradinho e doces conhecidos como “manchada”:

“Comecei muito cedo, vendia meu amendoim torradinho, minha manchada, ali no centro da cidade”, contou.

Ele cresceu no Morro da Mariquinha, onde construiu laços sólidos com a comunidade local. A música surgiu cedo na sua vida: aos 16 anos, já tocava bateria e cantava em bailes. “Com 16 anos já estava tocando bateria e cantando em bailes. Eu desci do morro para o asfalto muito cedo”, relembrou.

Primeiros passos na carreira musical

Neném começou tocando em bandas locais, como Os Quatro do Samba e Quina de Bandas. Mais tarde, tornou-se intérprete nos blocos de Carnaval Berbigão do Boca e Sou Mais, além de atuar na bateria da escola de samba A Protegido, do Morro da Caixa. Sobre essa fase, ele afirmou:

“Naquela época, o samba erredo era cantado por poucos; todo mundo cantava junto, mas sem caminhões e carros de som como hoje.”

O apelido artístico “Neném Maravilha” foi dado por Aldir Simões, renomado carnavalesco de Florianópolis:

“O Aldir falava, Neném, ó. Neném. Que maravilha. Eu gostei do Maravilha, e assinei assim”, contou o cantor.

Trabalhos paralelos e carreira profissional

Antes de se dedicar integralmente à música, Neném trabalhou em diversos setores, incluindo Correios e Banco BESC. Posteriormente, atuou por 14 anos na Afrosesc, conciliando trabalho e apresentações musicais:

“Trabalhei no Correio, depois no BESC e, por 14 anos, na Afrosesc. Sempre com a música, sempre conciliando tudo”, lembrou.

Ele destacou a importância das amizades e apoios recebidos ao longo da vida:

“Muitas pessoas me ajudaram a crescer, sempre de forma justa e respeitosa.”

Experiências internacionais

A carreira de Neném também ultrapassou fronteiras. Ele se apresentou duas vezes em Madre Plata, Argentina, a convite de fãs do carnaval brasileiro:

“Fui cantar lá, pagaram um cachê e foi muito legal.”

Além disso, participou de eventos em Santos (SP) e outros municípios brasileiros, sempre mantendo sua ligação com Florianópolis e sua comunidade:

“Todas as pessoas me conhecem, desde os morros até a elite artística da cidade.”

Filme “Ratoeira” e reconhecimento cultural

Em 29 de setembro de 2025, foi lançado o curta-metragem Ratoeira, que conta a história de vida e carreira de Neném Maravilha. O filme apresenta sua trajetória desde os primeiros bailes até a consagração como ícone cultural:

“O filme é uma maneira de mostrar tudo que vivi, e é emocionante ver minha história contada dessa forma”, afirmou.

Estilo musical e preferências

Neném é apaixonado por samba tradicional, MPB e reggae. Entre seus artistas favoritos estão Djavan, Beto Guedes, Paulinho da Viola e Roberto Carlos. Ele ressalta:

“Se eu pudesse, cantaria muito Roberto Carlos, porque adoro a melodia. Mas minha paixão mesmo é o samba e a música que toca o coração das pessoas.”

Ele também se preocupa com o público mais maduro:

“Pessoas acima de 40 anos merecem ter música de qualidade. Eu faço questão de cantar para elas, relembrando músicas que marcaram época.”

Energia e longevidade

Mesmo aos 70 anos, Neném mantém uma rotina intensa:

“Me considero com 35, 40 anos. No verão, toco de segunda a domingo, na Praia Brava, em Itajaí, e depois em festas particulares. Não paro.”

Ele atribui sua vitalidade ao amor pela música e à conexão com as pessoas:

“Sigo meu corpo, mas sei que tem algo dentro de mim que flui, que é jovem.”

Linha do tempo da carreira de Neném Maravilha

Década de 1950 – Infância e primeiros trabalhos

  • Nascido em Florianópolis, bairro Carlos Corrêa.
  • Começa a trabalhar cedo vendendo amendoim e “manchada”.
  • Vive no Morro da Mariquinha, formando laços com a comunidade.

Década de 1960 – Primeiros passos na música

  • Com 16 anos, toca bateria e canta em bailes.
  • Participa de bandas locais como Os Quatro do Samba e Quina de Bandas.

Década de 1970 – Blocos de Carnaval e escolas de samba

  • Atua como intérprete nos blocos Berbigão do Boca e Sou Mais.
  • Toca na bateria da escola de samba A Protegido.
  • Recebe o apelido artístico “Neném Maravilha” dado por Aldir Simões.

Década de 1980 – Trabalhos paralelos e fortalecimento musical

  • Trabalha no Correio e no Banco BESC.
  • Consolida sua reputação na música local e constrói relacionamentos profissionais importantes.

Década de 1990 – Afrosesc e reconhecimento local

  • Atua por 14 anos na Afrosesc, organizando eventos culturais e apresentações musicais.
  • Expande sua influência na música local e apoia novos talentos.

Anos 2000 – Experiência internacional e projeção nacional

  • Apresenta-se duas vezes em Madre Plata, Argentina.
  • Realiza shows em Santos (SP) e outros municípios do Brasil.

2020 – Presença em eventos e cultura local

  • Mantém apresentações regulares no mercado público de Florianópolis, festas privadas e praças abertas em Biguaçu, onde reside há 22 anos.
  • Mantém tradição musical e abre espaço para novas gerações.

2025 – Filme Ratoeira

  • Lançamento do curta-metragem que conta sua trajetória e reforça seu papel na cultura musical catarinense.

Clique aqui e assista a entrevista com o músico