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O cantor e percussionista Neném Maravilha, com mais de 50 anos de carreira, foi o convidado especial do Em Foco Podcast #078, apresentado por Djalma Rita. Durante a entrevista, Neném abriu o coração sobre sua vida, desde a infância no centro de Florianópolis até a consolidação como uma das personalidades mais queridas da música catarinense.
Infância e primeiros trabalhos
Nascido no bairro Carlos Corrêa, no centro da capital, Neném começou a trabalhar ainda menino, vendendo amendoim torradinho e doces conhecidos como “manchada”:
“Comecei muito cedo, vendia meu amendoim torradinho, minha manchada, ali no centro da cidade”, contou.
Ele cresceu no Morro da Mariquinha, onde construiu laços sólidos com a comunidade local. A música surgiu cedo na sua vida: aos 16 anos, já tocava bateria e cantava em bailes. “Com 16 anos já estava tocando bateria e cantando em bailes. Eu desci do morro para o asfalto muito cedo”, relembrou.
Primeiros passos na carreira musical
Neném começou tocando em bandas locais, como Os Quatro do Samba e Quina de Bandas. Mais tarde, tornou-se intérprete nos blocos de Carnaval Berbigão do Boca e Sou Mais, além de atuar na bateria da escola de samba A Protegido, do Morro da Caixa. Sobre essa fase, ele afirmou:
“Naquela época, o samba erredo era cantado por poucos; todo mundo cantava junto, mas sem caminhões e carros de som como hoje.”
O apelido artístico “Neném Maravilha” foi dado por Aldir Simões, renomado carnavalesco de Florianópolis:
“O Aldir falava, Neném, ó. Neném. Que maravilha. Eu gostei do Maravilha, e assinei assim”, contou o cantor.
Trabalhos paralelos e carreira profissional
Antes de se dedicar integralmente à música, Neném trabalhou em diversos setores, incluindo Correios e Banco BESC. Posteriormente, atuou por 14 anos na Afrosesc, conciliando trabalho e apresentações musicais:
“Trabalhei no Correio, depois no BESC e, por 14 anos, na Afrosesc. Sempre com a música, sempre conciliando tudo”, lembrou.
Ele destacou a importância das amizades e apoios recebidos ao longo da vida:
“Muitas pessoas me ajudaram a crescer, sempre de forma justa e respeitosa.”
Experiências internacionais
A carreira de Neném também ultrapassou fronteiras. Ele se apresentou duas vezes em Madre Plata, Argentina, a convite de fãs do carnaval brasileiro:
“Fui cantar lá, pagaram um cachê e foi muito legal.”
Além disso, participou de eventos em Santos (SP) e outros municípios brasileiros, sempre mantendo sua ligação com Florianópolis e sua comunidade:
“Todas as pessoas me conhecem, desde os morros até a elite artística da cidade.”
Filme “Ratoeira” e reconhecimento cultural
Em 29 de setembro de 2025, foi lançado o curta-metragem Ratoeira, que conta a história de vida e carreira de Neném Maravilha. O filme apresenta sua trajetória desde os primeiros bailes até a consagração como ícone cultural:
“O filme é uma maneira de mostrar tudo que vivi, e é emocionante ver minha história contada dessa forma”, afirmou.
Estilo musical e preferências
Neném é apaixonado por samba tradicional, MPB e reggae. Entre seus artistas favoritos estão Djavan, Beto Guedes, Paulinho da Viola e Roberto Carlos. Ele ressalta:
“Se eu pudesse, cantaria muito Roberto Carlos, porque adoro a melodia. Mas minha paixão mesmo é o samba e a música que toca o coração das pessoas.”
Ele também se preocupa com o público mais maduro:
“Pessoas acima de 40 anos merecem ter música de qualidade. Eu faço questão de cantar para elas, relembrando músicas que marcaram época.”
Energia e longevidade
Mesmo aos 70 anos, Neném mantém uma rotina intensa:
“Me considero com 35, 40 anos. No verão, toco de segunda a domingo, na Praia Brava, em Itajaí, e depois em festas particulares. Não paro.”
Ele atribui sua vitalidade ao amor pela música e à conexão com as pessoas:
“Sigo meu corpo, mas sei que tem algo dentro de mim que flui, que é jovem.”
Linha do tempo da carreira de Neném Maravilha
Década de 1950 – Infância e primeiros trabalhos
Década de 1960 – Primeiros passos na música
Década de 1970 – Blocos de Carnaval e escolas de samba
Década de 1980 – Trabalhos paralelos e fortalecimento musical
Década de 1990 – Afrosesc e reconhecimento local
Anos 2000 – Experiência internacional e projeção nacional
2020 – Presença em eventos e cultura local
2025 – Filme Ratoeira