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O Em Foco Podcast #037, apresentado por Décio Baixo Alves, recebeu o empresário e líder comunitário Miguel Gregório, presidente do MDB Diversidade de Florianópolis, para uma conversa inspiradora sobre fé, superação, empreendedorismo e compromisso social. Em quase uma hora de entrevista, Miguel emocionou os internautas ao relembrar sua trajetória de vida, marcada pela luta, pela gratidão e pelo desejo de transformar a realidade das pessoas através do trabalho e da solidariedade.
“Cheguei em Florianópolis há 24 anos, vindo do Rio de Janeiro, com uma mochila cheia de sonhos e o coração aberto para recomeçar”, contou Miguel logo no início do episódio. “Não tinha nada, só a vontade de trabalhar e construir uma vida digna. Comecei lavando cabelo em salão, observando, aprendendo e conquistando meu espaço com esforço e respeito”, completou.
O entrevistado destacou que, em poucos meses, já havia dado um salto profissional significativo. “Comprei meu primeiro salão com promissória, e em seis meses consegui quitar tudo. Trabalhei muito, com amor e fé. Esse foi o primeiro passo para tudo o que conquistei depois”, relatou.
Com o tempo, Miguel diversificou seus negócios, abrindo uma imobiliária e uma pousada nos Ingleses, tornando-se um empreendedor reconhecido na capital catarinense. “Nunca deixei de trabalhar com alegria. O segredo é servir as pessoas com o coração. O resto é consequência”, disse.
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Amigos do Miguel Gregório: solidariedade que transforma vidas
Entre os projetos que mais marcaram sua trajetória está o “Amigos do Miguel Gregório”, ação social que há mais de 15 anos leva esperança a comunidades carentes, lares de idosos e famílias em vulnerabilidade.
“Tudo começou pequeno, com cerca de 60 crianças da comunidade do Siri. Pedíamos brinquedos, roupas e material escolar, sempre com autorização dos pais. Com o tempo, as pessoas foram acreditando e o projeto cresceu”, contou.
Atualmente, o grupo mobiliza dezenas de voluntários e empresários. “Tenho amigos que levam food trucks, pipoca, churros, refrigerante, tudo de graça para as crianças. É uma festa feita com amor. A cada sorriso que vejo, eu lembro da minha própria história e agradeço a Deus pela oportunidade de retribuir”, emocionou-se.
Miguel reforçou que o projeto é guiado pela empatia e pela fé. “Ajudar não é dar o que sobra, é compartilhar o que você tem. A solidariedade é o caminho para uma sociedade mais humana”, disse.
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Experiência na gestão pública e no enfrentamento da vulnerabilidade
Durante a conversa, Miguel lembrou sua passagem pela Secretaria de Assistência Social de Florianópolis, na gestão de César Souza Júnior, quando atuou como coordenador do Centro Pop, serviço voltado à população em situação de rua.
“Quando entrei no Centro Pop, fui entender a realidade de perto. Cortei cabelo das pessoas em situação de rua para conversar com elas e entender como podíamos ajudar de verdade”, contou.
Uma das principais dificuldades encontradas, segundo ele, era a falta de documentação. “Muitos não tinham identidade, CPF ou certidão. Sem isso, não conseguem emprego, benefícios nem tratamento. Foi aí que, junto com o juiz Alexandre Takashima, criamos um projeto de identificação civil para essas pessoas”, explicou.
O resultado foi transformador. “Com documento na mão, muita gente reencontrou a família, voltou a estudar, conseguiu emprego e até saiu das ruas. Lembro de um rapaz chamado Jeff, que vivia em um esgoto aqui no centro. Hoje ele é gerente de uma churrascaria em São Paulo. Isso é o que me motiva a continuar”, relatou Miguel, emocionado.
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Firmeza e empatia nas políticas sociais
Ao abordar o tema da população em situação de rua, Miguel foi enfático ao defender políticas públicas que combinem acolhimento com responsabilidade.
“Existem três perfis: os que estão na rua e querem sair, os que escolheram viver nela e os criminosos que se escondem entre eles. Cada caso exige uma abordagem diferente”, afirmou.
Segundo ele, o poder público precisa agir com firmeza, mas sem perder a sensibilidade. “Não é judiar, é educar. Se a rua se torna confortável, ninguém quer sair dela. É preciso oferecer abrigo, tratamento, mas também exigir compromisso. A dignidade vem com regras e oportunidades”, defendeu.
Miguel elogiou iniciativas recentes da prefeitura, mas destacou que ainda há desafios a enfrentar. “Temos bons programas, mas é preciso continuidade. Políticas sociais não podem depender de governo, precisam ser políticas de Estado”, observou.
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MDB Diversidade e a luta por respeito e representatividade
À frente do MDB Diversidade de Florianópolis, Miguel destacou a importância de unir forças em prol de um ambiente político mais humano e representativo. “Diversidade é sobre respeito, não sobre bandeira. É sobre entender que todos têm valor — independente de cor, classe, gênero ou religião”, enfatizou.
Ele também revelou sua intenção de disputar uma vaga no Legislativo municipal, como pré-candidato a vereador pelo MDB, levando sua experiência em gestão pública e causas sociais para o campo político. “Quero representar as pessoas que vivem a realidade da periferia, das comunidades, dos trabalhadores. Quero propor leis que promovam inclusão, empreendedorismo e oportunidades reais, e não apenas assistencialismo”, afirmou.
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Gratidão e propósito
Encerrando o episódio, Miguel fez questão de deixar uma mensagem de fé e gratidão. “Florianópolis me acolheu como um filho. Tudo o que conquistei aqui é fruto do trabalho, da honestidade e da generosidade dessa cidade. O que faço hoje é devolver, com amor, tudo o que recebi”, declarou.
Com uma trajetória marcada pela fé, pela persistência e pelo amor ao próximo, Miguel Gregório simboliza o poder da solidariedade e a importância de unir propósito, trabalho e empatia para transformar realidades.