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A edição de 16 de abril do Linha Viva trouxe como destaque principal a saída do ex-presidente da Celesc, Tarcísio Rosa, afirmando que sua gestão “não deixará saudade”. A publicação apresenta uma avaliação crítica do período em que o dirigente esteve à frente da companhia, apontando desgaste com trabalhadores, reclamações da população e mudanças administrativas consideradas controversas.
Segundo o jornal, a confirmação da saída, divulgada inicialmente pelo Notícias do Dia, foi recebida com alívio por parte dos trabalhadores. A análise destaca que os três anos de gestão foram marcados por tensão nas relações internas e por críticas recorrentes sobre a qualidade dos serviços prestados pela companhia em diferentes regiões de Santa Catarina.
Entre os principais pontos levantados está a insatisfação com o atendimento ao público. A publicação relata que consumidores enfrentaram dificuldades com prazos para religação de energia, demora na solução de problemas, filas em unidades presenciais e sobrecarga nos canais de atendimento. O texto também menciona que a percepção de piora ganhou força em momentos de crise, como eventos climáticos, quando a resposta da empresa foi considerada insuficiente por usuários e entidades de defesa do consumidor.
Um dos episódios citados foi a operação de verão no litoral catarinense, especialmente na região do Vale do Itajaí, quando consumidores teriam passado horas sem energia durante a virada do ano. O caso gerou reclamações da população e manifestações de autoridades locais. O jornal também destaca a realização de audiência pública na Assembleia Legislativa para discutir a situação, ocasião em que o então presidente não compareceu, enviando um diretor como representante.
Outro ponto abordado pela publicação foi a ampliação da terceirização. De acordo com o texto, o aumento da contratação de empresas terceirizadas para atividades consideradas estratégicas gerou preocupação entre trabalhadores, que apontaram riscos à segurança, precarização das condições de trabalho e perda de conhecimento técnico acumulado ao longo dos anos. Para entidades sindicais ligadas à Intercel, a estratégia enfraqueceria a empresa pública e comprometeria a qualidade dos serviços.
A relação com a categoria também foi descrita como marcada por enfrentamentos constantes. O jornal aponta negociações salariais difíceis, tentativas de retirada de direitos e aumento da tensão entre direção e trabalhadores. Mobilizações, paralisações e protestos tornaram-se frequentes durante o período, refletindo a insatisfação dos empregados.
A publicação menciona ainda a realização de duas greves durante a gestão, uma em 2024, relacionada à participação nos lucros e resultados, e outra em 2025, envolvendo negociações do acordo coletivo de trabalho. Segundo o Linha Viva, os avanços obtidos pela categoria ocorreram após mobilizações organizadas pelos sindicatos.
Ao final, a avaliação apresentada indica que, apesar de investimentos aprovados e valorização das ações da empresa, a gestão foi marcada por críticas relacionadas ao atendimento à população e à relação com os trabalhadores, consolidando o período como um dos mais conturbados recentes da companhia.

Capa do jornal sindical: “Tarcerízio” não deixará saudades