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Gil Peris Cardoso, 40 anos, casado com Franciele e pai de dois filhos, tem uma trajetória marcada por superação e dedicação. “Há dezesseis anos eu me mudei para Amigo Sul, mas em 2001 voltamos para Florianópolis e, em 2002, viemos para Biguaçu. Já estou aqui há 22 anos”, disse ele, lembrando das mudanças de cidade ainda criança. Sua família sempre teve ligação com o empreendedorismo e a política: o pai, natural de Rio Negrinho, atuou como vereador em Rondônia, exercendo três mandatos e acumulando experiência que influenciaria Gil em seu entendimento sobre o meio político.
Antes de descobrir sua paixão pela locução, Gil trabalhou como servente de pedreiro na Rodima Caminhões, onde realizava tarefas pesadas como carregar tijolos e preparar massa. “Cada tijolo que carreguei, cada massa que fiz… tudo isso me ensinou disciplina e dedicação. Foi o meu primeiro contato com o trabalho duro”, relembra.
Em 2004, por indicação de um amigo, Gil começou a locução no Big Love, serviço pioneiro de mensagens ao vivo que entregava flores e homenagens em datas especiais. “As primeiras vezes foram horríveis. Tremia, a pasta tremia na mão, não tinha dicção, mas percebi que minha voz diferenciada poderia me levar mais longe”, contou. Ele explica que o trabalho no Big Love era muito mais que falar ao microfone: era envolver as pessoas e criar experiências memoráveis. “Chegávamos na frente das casas, anunciávamos a mensagem, e a reação das pessoas era incrível. Minha avó adorava, e eu vivi momentos emocionantes com cada entrega.”
A partir do Big Love, Gil iniciou uma trajetória que o levaria a se apresentar em grandes eventos e feiras em Santa Catarina, e posteriormente em todo o Brasil. “Comecei na Big Fest, apresentando artistas nacionais como Armandinho e Papas da Língua. Ali, percebi que poderia fazer da locução uma carreira de verdade”, afirmou. Ele destacou a importância de não apenas anunciar artistas, mas criar uma experiência completa para o público: “Hoje, a locução envolve interagir com o público, conduzir o show do pré-evento até o encerramento, e criar uma energia única.”
Gil também relembrou eventos marcantes em sua carreira local, como a Feijoada do Décio e apresentações no Centro de Eventos Petry, palco de grandes shows em Biguaçu. “Um dos grandes momentos da minha carreira foi apresentar artistas no Centro de Eventos Petry, incluindo uma edição especial do Villa Mix, com Jorge & Mateus, Luan Santana e Gabriel Diniz. Para um locutor, subir nesse palco é a realização de um sonho”, contou emocionado.
O reconhecimento veio rapidamente. Gil ganhou três prêmios de destaque em Santa Catarina e passou a representar Biguaçu em Barretos, o maior rodeio country do mundo. “Estar em Barretos é diferente de tudo. É o palco máximo para um locutor que ama o que faz. Já participei de oito edições, e cada uma é uma experiência única”, destacou. Ele detalhou a logística envolvida: “Hoje, os contratantes entram em contato pelo Instagram ou via agências, e cada evento exige planejamento: cachê, hospedagem, transporte… tudo precisa ser perfeito.”
A rotina de Gil exige atenção aos mínimos detalhes. “Um locutor precisa estar bem informado: conhecer os artistas, os contratantes e até a cidade onde vai trabalhar. Pronunciar corretamente o nome do prefeito ou de autoridades é essencial. Errar pode gerar problemas. Cada evento tem suas peculiaridades”, explicou. Ele ainda ressaltou a diversidade cultural de Santa Catarina: “Em algumas cidades, lidamos com famílias italianas ou alemãs, nomes diferentes e tradições distintas. É preciso ter feeling para se adaptar.”
Entre os eventos mais importantes de sua carreira, além de Barretos, estão Jaguariúna (SP), Colorado (PR), Americana (SP) e festivais de sertanejo em todo o país. “Para um locutor, estar nesses palcos é o reconhecimento de anos de dedicação. É o auge da profissão”, disse. Apesar de toda a experiência nacional, Gil mantém a humildade e o carinho pelas raízes em Biguaçu. “Nunca perdi minha essência, minha simpatia e humildade. É o Gil que todos conhecem aqui em Biguaçu”, afirmou.
Sobre sua inspiração, Gil citou nomes de referência da locução: “Desde pequeno, me espelhei em Marco Brasil, Asa Branca e Cuiabano Lima. Eles me mostraram que locução é mais que voz: é presença, improviso e conexão com o público.” Ele também destacou que sua voz e desenvoltura de palco são diferenciais para se destacar em eventos nacionais. “Um bom locutor precisa ter feeling, improvisar, interagir com a plateia e manter a energia do evento”, explicou.
Mesmo com a carreira consolidada, Gil segue inovando e ampliando seu alcance. Ele atua em feiras e rodeios por toda a Grande Florianópolis e Santa Catarina, e também participa de eventos nacionais, como shows, rodeios e festivais, sempre trazendo uma locução envolvente e profissional. “Para mim, cada evento é único. Meu trabalho é transformar momentos em experiências memoráveis para o público e para os contratantes”, concluiu.