Mostrar mais resultados...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Mostrar mais resultados...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Falando de Futebol - Por Júnior Moresco (19/01/2026)

Uma visão franca e apaixonada sobre o nosso esporte, por Júnior Moresco.

Colunista

Santa Catarina

Logo Jornais em Foco

Jornais em Foco

Foto: Avai venceu o primeiro clássico do ano contra o Figueirense

O assunto do final de semana foi, é e sempre será o clássico entre Figueirense x Avaí. Não existe jogo maior no Campeonato Catarinense. Não importa fase, elenco, tabela, crise ou dinheiro. Quando a bola rola no clássico, tudo se iguala menos quem entende o que é clássico e quem não entende absolutamente nada.

Choveu muito. Muita água antes da partida. Mas o verdadeiro banho foi de futebol, postura e competitividade do Avaí. Um banho de bola. O Leão entrou em campo como se entra em clássico: com sangue nos olhos, alma no bico da chuteira e total compreensão do tamanho do jogo. Enquanto um tentava jogar, o outro tentava sobreviver. Simples assim.

E então veio o absurdo. Não, não foi um erro comum. Foi um assalto à luz do dia. A expulsão de Alysson é uma das maiores barbaridades já vistas em um clássico catarinense nos últimos anos. Não foi falta. Não foi lance temerário. Foi disputa normal de bola em um campo alagado, onde qualquer contato vira espetáculo para quem não entende futebol ou finge não entender.

Gustavo Ervino Bauermann confirmou o que já era sabido: não tem nível para jogo grande. Árbitro fraco, inseguro, perdido e sem leitura de jogo. Errou do primeiro ao último minuto. E não é novidade. Na final do Catarinense de 2025 entre Avaí x Chapecoense já havia feito um festival de erros. Ontem, no maior clássico do Estado, apenas carimbou seu atestado de incapacidade. Árbitro assim não pode apitar clássico. Simples. Santa Catarina merece mais.

Mas nada, absolutamente nada supera o papel vergonhoso do VAR. Wagner Reway consegue errar até quando não precisa decidir nada. Quando apitava, era ruim. Muito ruim. Agora, no VAR, parece ainda mais perdido, mas com um detalhe perigoso: se acha protagonista. Ontem, o jogo seguia normalmente, o Figueirense já ia cobrar lateral, e o senhor Reway resolve “inventar futebol”. Chamou o árbitro para revisar um lance inexistente. Inexistente.

VAR não é para caçar pelo em ovo. VAR não é para aparecer. VAR não é para compensar incompetência de campo. O que aconteceu ontem foi uma clara interferência indevida, típica de quem nunca soube lidar com pressão e agora, atrás de uma tela, acha que manda no jogo.

E aí entra outro problema grave: a falta total de personalidade do árbitro de campo. A decisão final é dele. Mas Bauermann foi lá, olhou, voltou e expulsou um jogador do Avaí sem convicção, sem critério e sem coragem de bancar sua própria decisão. Resultado? Um clássico manchado, um jogo desequilibrado artificialmente e um time punido injustamente.

Mesmo assim, o Avaí foi gigante. Jogou com um a menos, contra o adversário e contra a arbitragem. E venceu.

Waguinho Dias também merece crítica. Foi a Brusque com time alternativo, poupou pensando no clássico, e no clássico errou tudo. Colocar Juliano como camisa 10 em um campo alagado, após mais de um ano parado, é desconhecer totalmente o contexto do jogo. Clássico não é laboratório. Estratégia equivocada, leitura errada e agora uma viagem desgastante a Concórdia com risco real de três derrotas seguidas.

Marquinhos Santos é o oposto disso tudo. Entende clássico como poucos na história recente. Vencedor dentro de campo, líder fora dele. Mesmo ausente fisicamente, esteve presente em cada movimento do Avaí. Conhece o Scarpelli, conhece o adversário e conhece o caminho da vitória. Mais uma vez, comandou o Leão como quem sabe exatamente onde está pisando. Fez o clássico parecer simples.

Zé Ricardo merece capítulo à parte. Jogador completo, líder nato, leitura de jogo refinada e uma entrega que simboliza o Avaí. Protege a zaga, organiza o meio e ainda lidera emocionalmente o time. Usou a braçadeira como quem honra cada centímetro do escudo.

Com 15.130 torcedores debaixo de muita chuva, o clássico mostrou por que é diferente. As torcidas deram espetáculo antes da bola rolar. O único ponto negativo, mais uma vez, foram os sinalizadores, proibidos, perigosos e inexplicavelmente liberados. Mas, fora isso, o futebol catarinense saiu engrandecido. Especialmente pelo Avaí, que ao final deu show de arquibancada e futebol.

E o futebol, esse velho mágico cruel e maravilhoso, pregou mais uma peça. Em 2025, Kayke foi expulso com justiça no primeiro minuto na Ressacada e o Figueirense venceu. Ontem, o Avaí perdeu um jogador injustamente e venceu no Scarpelli. A diferença é gritante. Um erro justo, outro criminoso.

O que aconteceu no clássico Figueirense x Avaí não pode, não deve e não pode mais ser tratado como “erro humano” ou “lance interpretativo”. Isso é o discurso fácil de quem prefere não decidir. O episódio de ontem expõe um problema estrutural, antigo e negligenciado pela Federação Catarinense de Futebol e por sua Comissão de Arbitragem.

Quando um árbitro sem perfil para jogos grandes é escalado para o maior clássico do Estado, a responsabilidade deixa de ser individual e passa a ser institucional. A escolha é da Federação. A manutenção desse nível é da Comissão. E o silêncio posterior também.

O VAR, ferramenta criada para dar justiça ao jogo, segue sendo usado de forma desordenada, vaidosa e sem critérios claros. A interferência indevida vista no Scarpelli não foi exceção é consequência direta da falta de comando, capacitação e cobrança interna. Não existe protocolo que funcione sem pessoas preparadas para aplicá-lo. E isso vale tanto para o árbitro de campo quanto para quem está na cabine.

O futebol catarinense não pode aceitar que seus jogos mais importantes sejam tratados como laboratório. Clássico não é ambiente de aprendizado. É vitrine. É patrimônio do Estado. Quando a arbitragem falha nesse nível, quem perde não é apenas um clube perde o campeonato, perde a credibilidade e perde o torcedor.

A Federação Catarinense precisa se posicionar. Precisa explicar critérios, justificar escolhas e, principalmente, assumir responsabilidades. Sem isso, seguirá normalizando erros graves, protegendo atuações indefensáveis e afastando o futebol catarinense do respeito nacional.

Não se trata de favorecimento ou perseguição. Trata-se de competência, Não se trata de resultado. Trata-se de processo, E não se trata de polêmica. Trata-se de governança.

O Avaí venceu apesar de tudo. Mas o alerta está dado.
Ou a arbitragem catarinense é tratada com seriedade, investimento e cobrança,
ou o futebol do Estado continuará refém de decisões erradas, discursos vazios e notas oficiais que não resolvem absolutamente nada.

Clássico exige grandeza.
E grandeza começa fora de campo.