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Falando de Futebol - Por Júnior Moresco (05/01/2026)

Uma visão franca e apaixonada sobre o nosso esporte, por Júnior Moresco.

Colunista

Biguaçu

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Jornais em Foco

Foto: Na foto, registro de Moresco sendo delegado do maior clássico do futebol catarinense: Figueirense x Avaí.

Abrir o ano de 2026 exige mais do que votos protocolares de felicidade. Exige, sobretudo, lucidez, cobrança e responsabilidade. Ainda assim, desejo aos leitores e apaixonados por futebol um Feliz Ano Novo, com saúde, paz e equilíbrio. Equilíbrio, aliás, é exatamente o que tem faltado nas decisões que comandam o futebol brasileiro. Ao final da temporada, como sempre, alguns clubes celebrarão conquistas, outros acumularão frustrações e muitos pagarão o preço de escolhas equivocadas feitas fora de campo. No futebol, raramente o acaso é o verdadeiro vilão; na maioria das vezes, a conta chega pela má gestão.

A temporada de 2026 escancara, logo em seu início, os vícios históricos da CBF e das federações estaduais: calendários comprimidos, decisões tomadas de cima para baixo e um diálogo quase inexistente com quem realmente sustenta o espetáculo clubes, atletas e torcedores. O discurso oficial insiste na palavra “modernização”, mas o que se observa, na prática, é improviso travestido de inovação.

Os campeonatos estaduais foram drasticamente enxugados, não a partir de um projeto técnico sólido, mas para abrir espaço a um Campeonato Brasileiro que começa já em janeiro, atropelando o planejamento esportivo dos clubes. O resultado é previsível: elencos incompletos, atletas sem a preparação ideal, risco elevado de lesões e um nível técnico comprometido logo nas primeiras rodadas. A pergunta é direta e incômoda: a quem interessa um calendário que ignora limites físicos, financeiros e esportivos?

As federações estaduais, por sua vez, seguem desempenhando um papel excessivamente burocrático e pouco propositivo. Defendem seus campeonatos apenas no discurso, mas aceitam passivamente a perda de datas, relevância e prestígio. Competições que deveriam ser tratadas como patrimônio esportivo e cultural acabam reduzidas a torneios de sobrevivência, disputados sob pressão e com pouquíssimo espaço para planejamento sério.

Os clubes também não estão isentos de responsabilidade. Muitos permanecem reféns de gestões imediatistas, que aceitam calendários inviáveis em troca de receitas pontuais, sem considerar os impactos esportivos e financeiros de médio e longo prazo. Reclamar do calendário tornou-se rotina; agir de forma coletiva, firme e organizada, infelizmente, ainda é exceção.

Campeonato Catarinense 2026

É nesse ambiente de instabilidade e desorganização estrutural que tem início o Campeonato Catarinense 2026, já nesta terça-feira, 06 de janeiro. Chapecoense e Brusque abrem a competição no Oeste do Estado, às 19 horas, carregando não apenas a expectativa esportiva, mas também a pressão de um calendário que pouco respeita processos de construção.

No mesmo dia, às 20 horas, o Santa Catarina, surpresa positiva da edição anterior, recebe o Camboriú, em Rio do Sul, buscando provar que desempenho consistente ainda é possível mesmo em um cenário adverso. Na quarta-feira (07/01), Marcílio Dias x Criciúma, às 19 horas, no Gigantão das Avenidas, colocam frente a frente tradição e a obrigação por resultado desde a rodada inicial.

Às 20 horas, Joinville x Figueirense reeditam a final da Copa Santa Catarina, em um clássico que carrega, por natureza, tensão, rivalidade e cobrança. Fechando a rodada, Avaí x Barra FC, às 21h30min, na Ressacada, entram em campo cientes de que, em campeonatos cada vez mais curtos, errar menos deixou de ser virtude e passou a ser obrigação.

Na quinta-feira, encerrando a rodada inaugural, Carlos Renaux x Concórdia se enfrentam em Itajaí, às 19 horas, em um duelo que representa bem a realidade atual: clubes lutando dentro de campo enquanto tentam sobreviver fora dele.

Arbitragem, VAR e coerência

A Federação Catarinense de Futebol anunciou arbitragem experiente para a rodada de abertura e confirmou a utilização do VAR em todas as partidas do Catarinense 2026. Trata-se de um avanço necessário, mas que exige coerência. Tecnologia não substitui critério, preparo e transparência. Sem padronização e comunicação clara, o VAR corre o risco de apenas sofisticar a polêmica, em vez de eliminá-la.

Espaço Memória

Na foto, registro um momento que carrega não apenas memória, mas também responsabilidade institucional e sentimento. Sendo delegado do maior clássico do futebol catarinense: Figueirense x Avaí. Dois clubes de Florianópolis que, ao longo de décadas, construíram uma rivalidade que ultrapassa o resultado de uma partida. Trata-se de um confronto que movimenta o Estado, mobiliza torcidas, define campanhas e, muitas vezes, decide rumos dentro do Campeonato Catarinense.

Sem qualquer exagero, este é o jogo mais simbólico e relevante do nosso futebol estadual. Tenho orgulho em afirmar que fui escalado 44 vezes como delegado deste clássico. Cada uma dessas designações representou confiança, preparo, responsabilidade e, acima de tudo, respeito à história dessas duas camisas. Estar presente nesse palco, contribuindo para que o espetáculo aconteça com organização e segurança, é uma marca que carrego com honra na minha trajetória dentro do futebol catarinense.

Fechamento

Esta coluna seguirá sendo um espaço de análise, memória e, principalmente, posição. Em um futebol cada vez mais marcado por decisões frágeis e discursos vazios, manter independência, coerência e coragem para questionar não é escolha é dever. O futebol precisa de emoção, mas também de gestão séria, planejamento e respeito à sua história.

Seguiremos atentos, cobrando, analisando e defendendo o que realmente importa: o jogo, o torcedor e a credibilidade das competições. Aqui no Biguaçu em Foco, o compromisso permanece o mesmo: opinião com responsabilidade, crítica com fundamento e paixão sem submissão.

Contato da Coluna
Sugestões de pauta, críticas, elogios ou outras contribuições para a coluna Falando de Futebol, do jornal Biguaçu em Foco, podem ser encaminhadas via WhatsApp para (48) 99148-9521, aos cuidados de Junior Moresco.