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Falando de Futebol - Por Júnior Moresco (04/03/2026)

Uma visão franca e apaixonada sobre o nosso esporte, por Júnior Moresco.

Colunista

Santa Catarina

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Jornais em Foco

Foto: Copa Sul Sudeste

em coisa no futebol brasileiro que parece filme repetido. A gente já viu esse roteiro antes — e, pelo visto, vamos assistir de novo.

Foi lançada hoje a chamada Copa Sul-Sudeste, e venho aqui dar minha humilde opinião, respeitando, claro, quem pensa diferente. Mas confesso: é difícil entender a lógica.

Todo final de jogo é a mesma ladainha nas entrevistas coletivas. Técnicos reclamando que o calendário é desumano. Que os jogadores estão no limite físico. Que quarta e domingo virou uma maratona. Que o número de lesões só aumenta. Que é preciso diminuir o calendário.

Pois bem.

No mesmo futebol onde todos pedem menos jogos, surge mais uma competição.

E vamos olhar para os participantes:
um clube de Série A (Chapecoense), seis clubes da Série B (Avaí, Juventude, América-MG, Operário-PR, Novorizontino e Volta Redonda), três da Série C (Caxias, Tombense e São Bernardo) e dois da Série D (Cianorte e Sampaio Corrêa-RJ).

Com todo respeito a cada um desses clubes — que lutam diariamente para manter suas estruturas — fica a pergunta simples e direta:

Qual é o apelo dessa competição para o torcedor?

Imaginem um jogo 21h30 da noite, numa quarta-feira, entre Sampaio Corrêa do Rio de Janeiro e Operário de Ponta Grossa.
Que interesse real isso gera?
Que apelo esportivo existe?
Que valor comercial isso traz?
Qual emissora está sonhando em transmitir isso?

E mais: o próprio torcedor muitas vezes já se perde no calendário. O time dele joga… mas ele precisa parar para pensar em qual competição é.

Vamos pegar um exemplo claro: Chapecoense, clube que disputa a Série A.
O que exatamente uma competição como essa agrega ao clube?
Prestígio?
Financeiro relevante?
Valor esportivo?

Ou vamos assistir ao roteiro que já conhecemos?

Times reservas em campo.
Times mistos.
Jogos sem público.
E técnicos reclamando do calendário.

Porque é exatamente isso que vai acontecer.

Então a pergunta que fica no ar é simples:
qual é o objetivo real dessa competição?

Porque existem duas possibilidades.

A primeira: estão preparando o terreno para acabar com os Campeonatos Estaduais.

A segunda — e talvez a mais provável — é que estão criando uma nova fonte de receita para federações, diminuindo datas dos estaduais e preenchendo esse espaço com um novo torneio.

Ou seja: reduzem datas de um lado… e inventam outro campeonato para ocupar as mesmas datas.

Resultado?
O calendário continua apertado.

Começa praticamente na virada do ano, liberam cerca de 10 datas para estaduais, e logo depois surge uma competição que ocupa mais 10 datas.

No final das contas, nada muda.

E digo isso com tranquilidade: venho elogiando bastante o presidente da CBF, Samir Xaud, por algumas iniciativas importantes. Mas aqui faço uma crítica clara e contundente.

O futebol brasileiro precisa simplificar o calendário — não complicar ainda mais.

Porque, do jeito que está sendo desenhado, a Copa Sul-Sudeste corre um sério risco de nascer já com cara de competição sem alma, sem público e sem sentido esportivo.

E o torcedor…
bom, o torcedor mais uma vez vai ficar tentando entender que campeonato é esse que está sendo jogado agora.