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Imposto: Economista critica recuo do governo sobre IOF e alerta para riscos fiscais e institucionais

João Victor da Silva aponta tentativa desesperada de arrecadação e vê instabilidade nas decisões econômicas do governo federal

Brasil

Santa Catarina

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Jornais em Foco

Foto: O economista João Victor da Silva alerta para os impactos negativos do aumento do IOF sobre a economia brasileira (Foto Divulgação)
O recuo do governo federal sobre o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) gerou críticas contundentes por parte do economista João Victor da Silva, que considera a medida um reflexo do descontrole fiscal e da instabilidade institucional. Para ele, a tentativa frustrada de elevar o imposto demonstra a urgência arrecadatória do governo diante de um cenário de crise e da proximidade eleitoral. “O aumento do IOF foi uma tentativa desesperada. A taxação sobre operações de câmbio, por exemplo, não é apenas um aumento de imposto, mas uma mudança no regime macroeconômico brasileiro”, afirma. João Victor vê a proposta como um grave erro, destacando que a política fiscal atual é insustentável e incompatível com a realidade econômica do país. Segundo o economista, o Brasil vive uma crise fiscal profunda agravada pelo desmonte do teto de gastos e pela fragilidade do novo arcabouço fiscal. “Não tem condições de estabilizar os gastos públicos”, pontua. Para ele, o governo evita cortar despesas e aposta em estratégias arrecadatórias que minam a confiança de investidores e da sociedade. João Victor também criticou a ideia de aplicar a mesma alíquota de 3,5% a fundos nacionais com aplicações no exterior, o que, segundo ele, inviabilizaria esse tipo de investimento. Outro ponto sensível apontado foi a proposta de cobrança de 5% de IOF sobre aportes mensais acima de R$ 50 mil em planos VGBL. “O Brasil já tem uma taxa de poupança muito baixa. Desestimular quem poupa e investe compromete o crescimento”, disse. O especialista também alertou para os impactos no crédito: “Com a taxa Selic no maior patamar em quase 20 anos, adicionar um novo custo sobre operações de crédito é praticamente inviabilizar o crescimento da economia privada.” Sobre as projeções do governo — de arrecadar R$ 20 bilhões em 2025 e R$ 41 bilhões em 2026 —, o economista se mostra cético. “Não acredito que esses valores se concretizem. A consequência será uma desaceleração ainda maior da economia.” Para ele, o caminho correto está na redução de despesas: “O Brasil já tem a maior carga tributária da América Latina. Não podemos penalizar ainda mais a sociedade com novos impostos. O ajuste fiscal precisa vir pelo corte de gastos.” João Victor da Silva é analista de mercado na Orsitec e tem formação em Economia, Relações Internacionais e Finanças por instituições internacionais de prestígio, como Boston University, University of Chicago e University of Miami.