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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa de Santa Catarina aprovou nesta terça-feira (31), em sessão extraordinária, a medida provisória que altera a tabela salarial dos professores da rede estadual.
A proposta, enviada pelo governo de Jorginho Mello (PL), reorganiza os vencimentos ao longo da carreira e tem efeitos a partir de março de 2026. Na prática, não estabelece um reajuste linear, mas redistribui os valores entre níveis e referências.
Para o deputado estadual Fabiano da Luz (PT), membro da CCJ, a proposta não pode ser tratada como uma valorização ampla da categoria.
“Quando a gente olha a média, parece um reajuste próximo de 5%. Mas, na prática, quem está no início da carreira recebe menos de 2%. Isso mostra que não há uma valorização equilibrada. Precisamos de salários mais atrativos para os educadores e que garantam aumento real para a categoria em todos os níveis. O governo do Estado teve quatro anos para fazer uma proposta que desse conta da necessidade do magistério catarinense”, afirmou.
Levantamento com base nas tabelas de dezembro de 2025 e março de 2026 indica que o aumento médio é de cerca de 4,9%; O percentual fica abaixo do aplicado no piso nacional do magistério, de 5,4%, em 2026. Uma das reivindicações da categoria é a aplicação do aumento piso em toda a carreira.
Na base, os reajustes são menores. Professores com ensino médio terão aumento de 0,67%, enquanto os de licenciatura curta terão 1,79%. Esse percentual não cobre a inflação de 2025, que chega a 4,26%.
Já no meio da carreira estão os maiores ganhos. Professores com graduação e especialização registram aumentos progressivos a partir de 2,03% e 4,84%, respectivamente.
Nos níveis de mestrado e doutorado, os reajustes são lineares, de aproximadamente 4,9% e 4,2%.
O último aumento significativo dado aos professores foi em 2021, quando o governo colocou como mínimo para o magistério o valor de R$ 5 mil. Para isso, foi considerado o piso nacional, mais um complemento salarial.
Desde então, os reajustes dados ao piso foram absorvidos por essa PEC. A cada aumento, reduzia-se o complemento, sem impacto financeiro real para os professores. Somente a partir do último reajuste, dado em dezembro de 2025, os salários ultrapassam pela primeira vez esse valor.
Mas esses dois reajustes recentes estão longe de cobrir as perdas salariais devido à inflação, que desde outubro de 2021 são de 25,83%. Se fosse considerado esse percentual, um professor da rede estadual não poderia receber menos que R$ 6.281,5. Hoje o valor mínimo, para um professor com ensino médio (o nível mais baixo da carreira), é de R$ 5.140.
A medida provisória segue para análise em outras comissões para depois ir a Plenário para votação.
Abaixo a tabela completa:
Confira a tabela completa (com comparativos e percentuais)
I – Ensino Médio
| Ref | Dez/2025 (R$) | Mar/2026 (R$) | Diferença (R$) | % |
| Única | 5.106,00 | 5.140,00 | +34,00 | +0,67% |
II – Licenciatura Curta
| Ref | Dez/2025 | Mar/2026 | Diferença | % |
| Única | 5.150,40 | 5.242,80 | +92,40 | +1,79% |
III – Licenciatura Plena / Graduação
| Ref | Dez/2025 | Mar/2026 | Diferença | % |
| A | 5.239,20 | 5.345,60 | +106,40 | +2,03% |
| B | 5.254,92 | 5.399,06 | +144,14 | +2,74% |
| C | 5.270,68 | 5.453,05 | +182,37 | +3,46% |
| D | 5.286,50 | 5.507,58 | +221,08 | +4,18% |
| E | 5.302,36 | 5.562,65 | +260,29 | +4,91% |
| F | 5.318,27 | 5.618,28 | +300,01 | +5,64% |
| G | 5.334,22 | 5.674,46 | +340,24 | +6,38% |
| H | 5.350,22 | 5.731,21 | +380,99 | +7,12% |
| I | 5.366,27 | 5.788,52 | +422,25 | +7,87% |
IV – Especialização
| Ref | Dez/2025 | Mar/2026 | Diferença | % |
| A | 5.343,98 | 5.602,60 | +258,62 | +4,84% |
| B | 5.397,42 | 5.686,64 | +289,22 | +5,36% |
| C | 5.451,40 | 5.771,94 | +320,54 | +5,88% |
| D | 5.505,91 | 5.858,52 | +352,61 | +6,40% |
| E | 5.560,97 | 5.946,40 | +385,43 | +6,93% |
| F | 5.616,58 | 6.035,59 | +419,01 | +7,46% |
| G | 5.672,74 | 6.126,13 | +453,39 | +7,99% |
| H | 5.729,48 | 6.218,02 | +488,54 | +8,53% |
| I | 5.869,40 | 6.311,29 | +441,89 | +7,53% |
V – Mestrado
| Ref | Dez/2025 | Mar/2026 | Diferença | % |
| A | 5.878,38 | 6.168,00 | +289,62 | +4,93% |
| B | 6.007,71 | 6.303,70 | +295,99 | +4,92% |
| C | 6.139,88 | 6.442,38 | +302,50 | +4,93% |
| D | 6.274,95 | 6.584,11 | +309,16 | +4,93% |
| E | 6.413,00 | 6.728,96 | +315,96 | +4,93% |
| F | 6.554,08 | 6.877,00 | +322,92 | +4,93% |
| G | 6.698,28 | 7.028,29 | +330,01 | +4,93% |
| H | 6.845,64 | 7.182,91 | +337,27 | +4,93% |
| I | 6.996,24 | 7.340,94 | +344,70 | +4,93% |
VI – Doutorado
| Ref | Dez/2025 | Mar/2026 | Diferença | % |
| A | 7.347,98 | 7.658,60 | +310,62 | +4,23% |
| B | 7.641,89 | 7.964,94 | +323,05 | +4,23% |
| C | 7.947,58 | 8.283,54 | +335,96 | +4,23% |
| D | 8.265,47 | 8.614,88 | +349,41 | +4,23% |
| E | 8.596,10 | 8.959,48 | +363,38 | +4,23% |
| F | 8.939,94 | 9.317,86 | +377,92 | +4,23% |
| G | 9.297,54 | 9.690,57 | +393,03 | +4,23% |
| H | 9.669,44 | 10.078,20 | +408,76 | +4,23% |
| I | 10.056,21 | 10.481,32 | +425,11 | +4,23% |