Mostrar mais resultados...

Por Décio Baixo Alves
O que começou como um escândalo financeiro está se transformando em um retrato cruel da falência ética das instituições brasileiras.
O escândalo do Banco Master está provocando uma crise institucional de proporções graves e inéditas. Instituições brasileiras, entre elas o Supremo Tribunal Federal (STF), já vinham sofrendo com a perda de credibilidade e os acontecimentos em torno do banco apenas aceleram esse processo de descrença.
Não há, até o momento, explicação convincente para a intervenção do STF em uma investigação conduzida sob sigilo máximo. Tampouco há justificativa clara para que o Tribunal de Contas da União (TCU) tenha assumido, na prática, o papel de investigar o próprio investigador, o Banco Central, também sob absoluto segredo.
A crise não está no fato de um órgão fiscalizar outro; isso é, afinal, parte do equilíbrio democrático previsto pela Constituição. O problema é outro, mais profundo: a crescente convicção pública de que essas instituições não estão agindo como órgãos de Estado, mas sim como instrumentos políticos em uma ofensiva contra a autoridade monetária, que ousou liquidar um banco privado acusado de práticas fraudulentas.
Segundo investigações da Polícia Federal, o Banco Master sustentava há anos uma estrutura de influência dentro da República comprando apoio, moldando decisões e se blindando contra a responsabilização. Quando o Banco Central decidiu agir, o castelo ruiu. O que se vê desde então é uma reação orquestrada para proteger interesses e silenciar consequências, sob a cortina do sigilo institucional.
A sensação que fica é de podridão política em escala inédita uma mistura de cinismo, arrogância e promiscuidade entre o público e o privado. O país que acreditava já ter visto tudo em matéria de corrupção agora testemunha um novo e mais sofisticado estágio da degradação moral de suas instituições.
E o mais alarmante é o silêncio. Silêncio do Congresso, silêncio dos partidos, silêncio das entidades que deveriam representar a sociedade. A omissão coletiva é o combustível da impunidade. Quando o Estado se dobra aos poderosos e o sistema se protege por dentro, o risco não é apenas a corrupção: é o colapso moral de uma nação inteira.