Mostrar mais resultados...

Durante sua participação no Em Foco Podcast #038, apresentado por Décio Baixo Alves e gravado na sede da Acibig (Associação Empresarial e Cultural de Biguaçu), o advogado e secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico de Biguaçu, Alfredo da Silva Júnior, compartilhou uma longa e reveladora entrevista sobre sua vida pública, profissional e pessoal. Com mais de 25 anos de carreira jurídica, Alfredo fez um relato minucioso dos bastidores da criação do Hospital Regional de Biguaçu e da Famabi (Fundação Municipal do Meio Ambiente de Biguaçu) — duas conquistas que ele considera “símbolos da coragem política e da visão de futuro” do município.
Início da carreira e chegada a Biguaçu
Natural de Itajaí, Alfredo chegou a Florianópolis aos 18 anos para cursar Direito na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ainda estudante, passou em um concurso público estadual e começou a trabalhar no Hospital Celso Ramos, onde teve seu primeiro contato com a administração pública. “Foi ali que percebi a importância do serviço público e como o Direito poderia ser uma ferramenta para melhorar a vida das pessoas”, contou.
A ligação com Biguaçu surgiu no início dos anos 2000, quando trabalhava no escritório do advogado doutor Caon. “Um dia ele me chamou e disse: ‘Vamos abrir uma filial em Biguaçu’. Eu não conhecia ninguém na cidade, mas aceitei o desafio. Vim de cara e coragem, aluguei uma salinha e comecei praticamente do zero. Hoje, olho pra trás e vejo que foi uma das decisões mais acertadas da minha vida”, recordou.
Com o passar dos anos, o escritório se consolidou e Alfredo passou a atender clientes locais — muitos deles empresas que permanecem com ele até hoje. “Meu vínculo com Biguaçu nasceu do trabalho e se transformou em amor. A cidade me acolheu e eu retribuo com dedicação. A minha maior causa é Biguaçu”, afirmou com emoção.
A semente do Hospital Regional de Biguaçu
Entre os principais temas abordados na entrevista, Alfredo detalhou o início da luta pela implantação do Hospital Regional de Biguaçu, um projeto que ele ajudou a desenhar ainda na década de 2000, durante a gestão do então prefeito Castelo Deschamps.
“Quando começamos a falar em hospital, muita gente achou que era loucura. Diziam que Biguaçu não tinha porte, nem recursos. Teve até quem chamou o projeto de ‘galinheiro’”, relembrou.
A ideia, segundo ele, nasceu após uma viagem a Curitiba, onde conheceu um hospital construído pela organização internacional World Family, ligada à ONU. “Voltei empolgado com o modelo e levei a proposta ao Castelo, que na época era candidato a prefeito. Ele acreditou na ideia e foi comigo até Curitiba para conhecer o projeto. A World Family se propunha a custear um terço do investimento, o restante seria dividido entre o município e parceiros locais. Era um sonho possível.”
Apesar da boa vontade, o caminho foi longo. “Enfrentamos resistência de setores políticos e até de parte da população, mas o Castelo e o secretário Ângelo Ramos Veiga não desistiram. Com apoio do então governador Raimundo Colombo, o projeto andou. Quando o hospital finalmente saiu do papel, foi uma vitória de toda a cidade”, destacou.
Hoje, o Hospital Regional de Biguaçu Helmuth Nass é referência em toda a Grande Florianópolis, com mais de um milhão de atendimentos desde a inauguração. “Cada vez que passo em frente, lembro das reuniões, dos debates, dos nãos que recebemos. Foi uma luta de fé, coragem e persistência. Nenhum exército segura a força de uma ideia quando chega a hora dela”, afirmou.
A criação da Famabi e o fortalecimento ambiental
Outro capítulo importante da trajetória de Alfredo foi a criação da Famabi (Fundação Municipal do Meio Ambiente de Biguaçu), também durante a gestão de Castelo. Segundo ele, a fundação nasceu de uma exigência do Partido Verde (PV), do qual Alfredo era um dos líderes municipais.
“Na época, o PV decidiu apoiar o Castelo com uma condição: que fosse criada uma fundação ambiental, porque Biguaçu precisava cuidar do seu próprio território. Antes, qualquer licença tinha que ser feita na Fátima, em Florianópolis, e isso travava o desenvolvimento local”, explicou.
Inspirado em modelos de sucesso em municípios como Itajaí e São José, o grupo elaborou o projeto de lei que deu origem à Famabi. “Foi uma revolução. Com a fundação, Biguaçu passou a ter autonomia para emitir licenças, fiscalizar empreendimentos e planejar seu crescimento de forma sustentável. Isso foi um divisor de águas na história do município”, ressaltou.
Mesmo reconhecendo críticas pontuais, Alfredo defende que a Famabi é uma conquista coletiva. “Ela não é perfeita, mas é um patrimônio da cidade. Graças à fundação, Biguaçu conseguiu equilibrar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental. E essa é uma das minhas maiores satisfações”, completou.
Trajetória política e visão de futuro
Além da atuação jurídica e técnica, Alfredo também participou ativamente da política local. Filiado ao Partido Verde, concorreu a vereador duas vezes, mas, segundo ele, nunca fez da eleição um objetivo pessoal. “Não me elegi, é verdade, mas nunca parei de trabalhar por Biguaçu. A política é uma ferramenta, não um fim. O importante é servir e contribuir”, destacou.
Nos bastidores, teve papel decisivo na construção de alianças, elaboração de projetos e articulações que marcaram as últimas décadas do município. “Acompanhei várias gestões, vi pessoas boas passarem pela prefeitura e deixarem sua marca. Eu sempre acreditei que a política precisa ser feita com diálogo e com propósito”, afirmou.
Atualmente, como secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico, Alfredo segue atuando nos bastidores, buscando atrair investimentos e fortalecer o setor produtivo local. “Biguaçu tem potencial enorme. Temos uma localização estratégica, uma população empreendedora e uma nova geração de empresários que está transformando a cidade. A prefeitura precisa ser parceira desse movimento”, enfatizou.
“A maior causa da minha vida é Biguaçu”
Em tom emocionado, Alfredo encerrou a entrevista reafirmando sua ligação com o município. “Tudo o que conquistei, devo a Biguaçu. Aqui construí minha família, minha carreira e minhas amizades. A política é passageira, mas o amor pela cidade é permanente. A maior causa da minha vida é Biguaçu”, concluiu.