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Por Junior Moresco
O Figueirense largou melhor que todo mundo e, neste início de Campeonato Catarinense 2026, é o único time com 100% de aproveitamento. A vitória por 1 a 0 sobre o Marcílio Dias, no Orlando Scarpelli, não foi bonita, longe disso. Tecnicamente o jogo foi fraco. Mas estadual curto não perdoa quem escolhe estética em vez de resultado. E nisso o Figueirense foi competente.
Com 5.999 torcedores, o Furacão do Estreito venceu porque teve mais vontade, mais concentração e um goleiro decisivo. Ígo Gabriel salvou o time em pelo menos três oportunidades claras, e Felipe Augusto, mais uma vez, apareceu quando a bola queimou. Time que sabe sofrer também ganha campeonato.
No Heriberto Hülse, o Criciúma venceu o Avaí por 2 a 1, quebrou um tabu de dez anos e respirou na competição. Resultado grande, daqueles que mudam ambiente. O Avaí, que havia começado bem, agora sente o peso de um estadual traiçoeiro: duas rodadas ruins e a pressão aparece. Não existe margem para erro.
E aqui entra um ponto que precisa ser debatido: arbitragem. Faço questão de registrar o bom trabalho de Kleber Lúcio Gil, Luís Alberto Kallemberger, Sandro Rodrigues e Cantucho João Setúbal, que vêm tentando renovar e oxigenar o quadro da Federação Catarinense de Futebol. Isso é positivo e necessário.
Mas insistir em Cinézio Mendes Júnior em um clássico como Criciúma x Avaí é erro. Não se trata de perseguição, mas de realidade. Árbitro antigo, sem histórico de grandes atuações, e que não acompanha o tamanho do jogo. Clássico exige árbitro de ponta. E esse, definitivamente, não é. A Federação precisa entender que jogo grande não comporta arbitragem pequena.
Na Arena Barra, o Barra venceu o Joinville por 1 a 0 e fez o básico para sobreviver no campeonato. O gol, bem trabalhado, mostrou organização e objetividade. Já o Joinville segue o mesmo roteiro de sempre: promessas, discurso e frustração.
O problema do JEC não é apenas técnico, é institucional. Perdeu a Copa Santa Catarina no fim de 2025, manteve Leandro Sena, deixou o treinador comandar toda a pré-temporada e, após duas derrotas, decidiu demitir. Isso não é correção de rota, é falta de convicção. Quando o planejamento acaba na primeira turbulência, o resultado costuma ser o mesmo: time sem identidade e mais um ano como figurante no Estadual.
No Oeste, o empate sem gols entre Concórdia e Santa Catarina mostrou dois times limitados, mas competitivos. O Concórdia segue invicto e pontuando, o que é fundamental para quem sabe exatamente onde pisa. Já o Santa Catarina ainda está distante da boa campanha do ano passado e precisa ligar o alerta.
No Orlando Scarpelli, o Camboriú venceu a Chapecoense por 2 a 0 e assumiu a liderança do Grupo A. Vitória merecida, aproveitando erros graves da defesa adversária. A Chapecoense preocupa. Um ponto em duas rodadas, falhas individuais recorrentes e um time que ainda não se encontrou. A contratação de Bolasie anima, mas nome não resolve problema coletivo.
Para fechar a rodada, o retorno do clássico entre Brusque e Carlos Renaux, após mais de 22 anos, trouxe peso histórico e pressão. Quem precisava vencer era o Brusque — e venceu. Mesmo sem brilho, somou três pontos que aliviam o ambiente.
Fechamento
O Campeonato Catarinense 2026 já mostrou a sua cara: curto, ingrato e sem espaço para discurso bonito. Quem não somar pontos agora vai correr atrás do prejuízo o campeonato inteiro. Planejamento frágil, arbitragem mal escalada e times sem identidade costumam pagar caro. E, no Catarinense, a conta sempre chega cedo.