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Para os apaixonados por futebol e, em especial, para os torcedores de Corinthians, Cruzeiro, Fluminense e Vasco da Gama o último domingo foi de fortes emoções, daquelas que fazem o coração disparar e tiram o torcedor do sério. Vivenciamos momentos que só o futebol brasileiro é capaz de proporcionar, mostrando por que esse esporte segue sendo a maior paixão nacional.
Corinthians e Vasco da Gama eliminaram, nos pênaltis, os favoritos Cruzeiro e Fluminense, respectivamente. Foram quatro belas partidas de futebol, com estádios lotados e muita emoção do início ao fim. Agora, resta aguardar o que virá nas finais entre Corinthians x Vasco da Gama. Quem gosta de futebol raiz sabe: decisão não se joga, se vence. E emoção, tensão e nervos à flor da pele não vão faltar.
É isso mesmo, torcedor: já podemos falar do Campeonato Catarinense de 2026. O calendário futebolístico de 2025 nem encerrou e a tabela do próximo Estadual já foi divulgada. No dia 6 de janeiro (terça-feira), teremos dois jogos de abertura: Chapecoense x Brusque, às 19h, em Chapecó e Santa Catarina x Camboriú, às 20h, em Rio do Sul, Na quarta-feira, dia 7 de janeiro, a bola rola para mais três confrontos: Na Ressacada, em um horário pouco atrativo (18h30), o Avaí recebe o campeão brasileiro da Série D, o Barra, O Figueirense vai até Joinville enfrentar o time do Norte do Estado, às 20h, Fechando a noite, Marcílio Dias x Criciúma, às 21h30, em Itajaí.
A rodada inaugural será encerrada na quinta-feira, dia 8 de janeiro, com Carlos Renaux x Concórdia, em local ainda a ser definido pela Federação Catarinense de Futebol.
E você, torcedor, qual a sua aposta para 2026? Já começou a analisar os clubes? Acompanhando de perto o futebol catarinense, afirmo sem medo de errar: ainda é cedo para cravar favoritos, mas alguns clubes têm obrigação clara. A Chapecoense, que disputará o Campeonato Brasileiro da Série A em 2026, não pode se esconder. Tem elenco, estrutura e responsabilidade de brigar, no mínimo, por uma vaga na final.
Falando em calendário esportivo, 2026 será um ano bastante atípico por ser ano de Copa do Mundo. A torcida do Flamengo, por exemplo, ainda estará comemorando o título de 2025 quando a edição de 2026 já estiver em andamento, já que a Série A do Brasileirão tem início previsto para o dia 28 de janeiro.
A tabela básica do Brasileirão 2026 já traz os seguintes confrontos de abertura: Fluminense x Grêmio, Botafogo x Cruzeiro, São Paulo x Flamengo, Corinthians x Bahia, Mirassol x Vasco da Gama, Atlético-MG x Palmeiras, Internacional x Athletico Paranaense, Coritiba x Bragantino, Vitória x Remo e Chapecoense x Santos.
Estou bastante curioso para ver como ficarão os Campeonatos Estaduais, que têm previsão de término em 8 de março, quando o Brasileirão já estará em sua quarta rodada. Vejo, com isso, um enfraquecimento claro e preocupante dos Estaduais, que acabam sendo tratados como competições secundárias. Os grandes clubes focam na Série A, enquanto os campeonatos regionais pagam a conta de um calendário mal planejado e sem respeito à tradição.
Voltando às emoções das semifinais da Copa do Brasil, fica impossível não escancarar uma verdade que o futebol brasileiro insiste em ignorar: decisão vende, decisão emociona e decisão marca a história. O formato atual do Campeonato Brasileiro é justo, mas é frio, burocrático e distante da paixão do torcedor.
Defendo de forma enfática que o Brasileirão tenha uma final em duas partidas para decidir o título. O torcedor brasileiro é movido por grandes decisões, jogos históricos e confrontos que param o país. A mídia precisa disso, o futebol precisa disso e o espetáculo agradece.
Minha proposta é clara e objetiva: Campeão do turno garante vaga na final, A pontuação é zerada para o returno, dando nova oportunidade a quem se reorganizou, Campeão do returno enfrenta o campeão do turno em dois jogos decisivos, Caso o mesmo clube vença turno e returno, é campeão automaticamente.
As vagas para Libertadores, Sul-Americana e o rebaixamento seriam definidas pela soma geral dos dois turnos, mantendo a justiça esportiva.
Exemplo prático: em 2025 ao final do turno, o Flamengo terminou com 43 pontos(garantiria vaga na final). No returno, o Palmeiras terminou em primeiro com 37. Resultado? Palmeiras x Flamengo, ida e volta, estádio lotado, audiência máxima e o futebol brasileiro vivendo o que ele sabe fazer de melhor: decisão de verdade.
Sou defensor das SAFs não por modismo, mas por convicção. O futebol brasileiro não suporta mais a cultura do improviso, da irresponsabilidade e da gestão amadora. Clube de futebol não é brinquedo, não é cabide político e muito menos terra sem lei.
Por décadas, dirigentes entraram, fizeram o que quiseram, deixaram dívidas milionárias, atrasaram salários, comprometeram patrimônios e simplesmente saíram pela porta dos fundos, sem responder por absolutamente nada. Isso é inaceitável.
O exemplo do Avaí é claro e simbólico. Gestões recentes deixaram salários atrasados e dívidas acumuladas, e o dirigente simplesmente encerrara o mandato sem qualquer responsabilização financeira ou jurídica. O prejuízo fica para o clube, para o torcedor e para a história da instituição.
A SAF surge como alternativa, mas não pode ser tratada como salvação milagrosa. Nenhum empresário investe para perder dinheiro, e quem acredita nisso está enganando a si mesmo. Por isso, defendo com firmeza uma padronização nacional, rígida e transparente das regras das SAFs, com critérios claros de governança, responsabilidade fiscal e proteção ao patrimônio do clube.
Não se pode aceitar SAFs feitas às pressas, aprovadas por conselhos frágeis ou movidas por interesses obscuros. Tampouco é aceitável entregar estádios, centros de treinamento e a própria identidade do clube em troca de soluções momentâneas. SAF boa é aquela que organiza, paga dívidas, respeita a história e projeta o clube para o futuro. Qualquer coisa diferente disso é aventura — e o futebol brasileiro já pagou caro demais por aventuras administrativas.
Um dos grandes atletas que atuaram em Santa Catarina foi Cléber Santana, com passagens por Avaí, Criciúma e Chapecoense, além de Flamengo, Santos, São Paulo, Atlético de Madrid e outros clubes no Brasil e no exterior.
No ano de 2014, tive o prazer de representá-lo na premiação do Campeonato Catarinense e, em data posterior, entregar-lhe um troféu em uma partida do Tigre. Um grande momento da minha trajetória no futebol catarinense.
Cléber Santana foi uma das 71 vítimas do trágico acidente da Chapecoense e nos deixou de forma precoce, mas sua história e seu legado permanecem vivos no futebol brasileiro.
O futebol brasileiro precisa, urgentemente, parar de fingir que está tudo bem. Calendário mal feito, dirigentes irresponsáveis, clubes endividados, SAFs mal conduzidas e um campeonato nacional que abre mão do espetáculo em nome de uma frieza estatística. Futebol é paixão, é decisão, é cobrança e é responsabilidade. Quem administra precisa responder por seus atos, quem investe precisa respeitar a história e quem organiza o esporte precisa ouvir o torcedor. Sem isso, continuaremos vivendo de momentos isolados de emoção, enquanto o futebol brasileiro segue desperdiçando seu maior patrimônio: a própria grandeza.