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Por Décio Baixo Alves
A mais recente pesquisa do Grupo ND/Neokemp revelou que o governador Jorginho Mello (PL) lidera as intenções de voto para o Governo de Santa Catarina em 2026, mas o destaque do levantamento é o desempenho do prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), que aparece em segundo lugar em todos os cenários e com a menor rejeição entre os nomes avaliados, o que o coloca em uma posição muito favorável diante do atual chefe do Executivo estadual.
No primeiro cenário da pesquisa, Jorginho Mello aparece com 41,5% das intenções de voto, seguido por João Rodrigues com 19%, Décio Lima (PT) com 14%, Adriano Silva (Novo) com 8,2% e Afrânio Boppré (PSOL) com 3,6%. Outros 10% dos entrevistados não souberam responder e 3,7% afirmaram que votariam em branco ou nulo.
Já no segundo cenário, Jorginho tem 46,3%, João Rodrigues 24,4%, Fabiano da Luz (PT) 9,7% e Afrânio Boppré (PSOL) 5,4%. Indecisos somam 8,9%, e brancos e nulos 5,3%.
Porém, o dado mais significativo do levantamento é a rejeição dos candidatos: enquanto Jorginho Mello é rejeitado por 23,2% dos eleitores, João Rodrigues tem apenas 4,6%. Essa diferença é expressiva e pode fazer toda a diferença no decorrer da campanha, especialmente em um cenário polarizado.
Outro ponto relevante é o desempenho regional. Nas cinco regiões pesquisadas, João Rodrigues lidera no Oeste, com 44,8% das intenções de voto, superando Jorginho Mello. Isso mostra que, onde é conhecido, João tem aprovação e credibilidade, o que indica que há espaço para crescer nas demais regiões do Estado.
Há alguns meses, escrevi nesta coluna que acreditava que João Rodrigues não seria candidato, já que ele e Jorginho pertencem ao mesmo campo político, ambos da direita catarinense. À época, parecia improvável uma divisão nesse eleitorado, inclusive por influência do ex-presidente Jair Bolsonaro. Depois revi minha opinião e escrevi que João estava ocasionando um racha na direita catarinense e seu posicionamento como pré-candidato estava se tornando cada vez mais um caminho sem volta (Clique aqui e leia).
Mas o cenário mudou. João Rodrigues consolidou sua presença política e vem se mostrando a direita de verdade, a direita de “gema”, enquanto Jorginho Mello carrega contradições de trajetória. É importante lembrar que o atual governador já esteve no palanque do PT, ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff, e agora tenta se apresentar como líder conservador. Essa incoerência política reforça uma imagem de oportunismo, que certamente será explorada durante a campanha.
Além das contradições ideológicas, o governador enfrenta desgaste administrativo. O programa Universidade Gratuita, por exemplo, foi amplamente divulgado como ação inclusiva, mas acabou beneficiando famílias com maior renda e deixando de fora estudantes de baixa renda. Outro exemplo é o volume de propaganda oficial sobre mutirões de cirurgias, com anúncios de milhares de procedimentos, mas que, segundo relatos, não refletem a realidade enfrentada por pacientes nas filas do SUS.
Esses pontos devem ser alvo de críticas na campanha, ampliando a rejeição do governador e reforçando a imagem de João Rodrigues como um gestor eficiente, de perfil popular e com discurso coerente.
Apesar de Jorginho ainda liderar numericamente, a diferença de rejeição entre os dois é um fator determinante. Em política, quem tem alta rejeição tende a estagnar; quem tem baixa rejeição tem espaço para crescer principalmente se o pleito for para um segundo turno.
Na minha avaliação, João Rodrigues é, sem dúvida, a grande pedra no sapato da tentativa de reeleição de Jorginho Mello. Sua trajetória, coerência política e aceitação popular o colocam como um adversário direto e incômodo para o atual governador.