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O mais novo episódio do TalkSal, programa apresentado pelo prefeito de Biguaçu, Salmir Silva, trouxe uma conversa vibrante e repleta de emoção com um dos maiores nomes da música catarinense: Muriel Costa, vocalista, guitarrista e compositor da banda Dazaranha. Com seu jeito descontraído e acolhedor, o prefeito abriu o episódio perguntando: “Está pronto para mais uma pitadinha de sal?” — e avisou: “Hoje o papo vai ser de subir as paredes!”
Muriel foi recebido com entusiasmo e reciprocou o carinho: “Adorei o nome do programa, TalkSal! Muito legal estar aqui contigo.” A partir daí, o diálogo fluiu entre risadas, boas lembranças e reflexões profundas sobre cultura, música e identidade.
As origens do Dazaranha
O músico relembrou o início da trajetória da banda e explicou a curiosa origem do nome Dazaranha: “Vem das Ilhas das Aranhas, no canto esquerdo da praia do Moçambique. A gente acampava ali, dormia nas tocas de pedra, pegava marisco, fazia um peixe na beira da praia… Era uma vida simples, livre, autêntica. Então o nome virou sinônimo de quem se adapta, de quem vive de bem com a vida, sem frescura.”
Muriel contou que o Dazaranha surgiu em meio à efervescência das bandas cover, com o objetivo de valorizar a música autoral de Santa Catarina, dando continuidade à tradição de nomes como Luiz Henrique Rosa, Grupo Expresso e Grupo Engenho. “A gente veio para reafirmar a nossa identidade. Começamos tocando nos bares, nas festas de amigos, até lotar os lugares. Era pura entrega, pura verdade”, relembrou.
Infância no João Paulo e o nascimento da paixão pela música
Com emoção, o músico relembrou as origens humildes e a infância no bairro João Paulo, em Florianópolis, onde cresceu em contato direto com o mar e o manguezal. “A gente vivia da pesca, pegava ostra, marisco, caranguejo. Era um modo de vida simples, mas cheio de significado.”
O amor pela música, segundo ele, foi herdado da família. “Meu pai tocava violão, minha mãe era backing vocal do meu avô, o Gustavo da Gaita. A música estava no sangue. Mas quem me fez mergulhar de vez foi o cavaquinho. Quando vi que dava pra transformar um movimento da mão em melodia, pirei. A partir dali, nunca mais larguei o instrumento.”
Fé, mar e poesia: a força da cultura manezinha
Durante o bate-papo, Muriel falou sobre o processo criativo da banda e a forma como o cotidiano e a espiritualidade inspiram suas composições. Um dos exemplos foi a canção “Oração”, que retrata o poder da fé de uma mãe que reza pelo filho em alto-mar:
“Ela acende o fogo, faz sua prece e o vento muda. O mar se acalma. Essa é a força da fé catarinense, da mulher que confia no invisível. É poesia e verdade.”
Ele também comentou sobre a música “Calmaria”, que integra a trilha sonora de uma novela portuguesa exibida em mais de 90 países. “É uma música sobre o silêncio, sobre o mar como oração. Mergulhar é o meu jeito de rezar”, explicou.
A arte como missão e o poder da alegria
O prefeito Salmir Silva aproveitou o tema para refletir sobre o papel da cultura nas cidades. “Muita gente questiona o investimento público em arte, mas o entretenimento também é saúde. É ali que o cidadão se recarrega, esquece os problemas e se conecta com o outro”, afirmou.
Muriel concordou e complementou: “O músico é um gerador de bem-estar. Sem arte, a vida fica meio insonsa. A missão do artista é levar alegria e transformar o ambiente.”
Bastidores e parcerias históricas
Entre as várias histórias compartilhadas, uma chamou a atenção: o dia em que o Dazaranha gravou com Jorge Ben Jor. “A gente estava num estúdio em São Paulo, o Jorge Ben precisava de mais tempo pra terminar uma gravação e acabou entrando com a gente. Gravamos juntos a música ‘Te Liga’, do Gazú. Foi mágico”, contou Muriel.
O artista também revelou que a banda nunca interrompeu sua trajetória, mesmo com as mudanças do mercado musical. “O Dazaranha nunca parou e nunca deixou de cumprir um show. 90% dos nossos eventos são comerciais. Vivemos da nossa arte com muito trabalho e respeito ao público.”
Encerramento com emoção e representatividade
Ao final do programa, Salmir destacou a importância do Dazaranha como símbolo de Santa Catarina. “Vocês representam a alma do nosso povo: simples, criativo e de coração aberto. É um orgulho catarinense ver o Daza em cada canto do Estado.”
Muriel retribuiu o carinho com uma reflexão: “A autenticidade gera identidade. A identidade gera representatividade. E o que te representa é o que te conecta. Essa é a nossa força.”
Com boas risadas, música e emoção, o TalkSal mais uma vez mostrou que cultura e política podem caminhar juntas, unindo histórias, arte e o jeito manezinho de ser.
Clique aqui e assista a entrevista de Salmir com Muriel da banda Dazaranha