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A primeira fase do Campeonato Catarinense chega ao fim deixando lições claras, verdades escancaradas e algumas feridas abertas. Foi um campeonato curto, intenso e sem espaço para erro. Quem entrou preparado, classificou. Quem apostou no improviso, pagou o preço. Não houve injustiça esportiva: avançou quem fez o mínimo com competência e caiu quem construiu o próprio fracasso ao longo do caminho.
Chapecoense, Brusque, Santa Catarina, Avaí, Barra, Criciúma, Camboriú e Concórdia seguem vivos. Cada um com sua realidade, seus limites e suas ambições, mas todos conscientes de que sobreviveram a uma fase onde planejamento valeu tanto quanto futebol jogado.
Do outro lado, o cenário é preocupante. Figueirense e Joinville encerram a primeira fase expostos técnica e institucionalmente. No caso alvinegro, o desfecho é ainda mais pesado: um Grupo da Morte que pode deixar marcas profundas na história recente do clube.
O retrato final da primeira fase
O Brusque foi, sem discussão, o time mais regular da competição. Invicto, competitivo fora de casa, mentalmente forte e com leitura clara de jogo, chega ao mata-mata não apenas como favorito, mas como equipe que sabe exatamente o que quer dentro do campeonato.
O Santa Catarina deixou de ser surpresa. O que se vê é um projeto consolidado, com identidade, organização e continuidade. Pelo segundo ano consecutivo, mostra que não está no campeonato para compor tabela, mas para competir em alto nível.
A Chapecoense, mesmo oscilando em alguns momentos, confirmou sua força estrutural. Elenco, investimento e pressão fazem com que qualquer resultado abaixo de final seja visto como fracasso. A Chape entra no mata-mata com obrigação, não apenas expectativa.
O Avaí foi estratégico. Administrou riscos, rodou elenco quando necessário e garantiu posição confortável para decidir em casa. Não empolgou, mas foi eficiente — e em campeonato curto, eficiência pesa mais que espetáculo.
Criciúma e Barra crescem no momento certo. Chegam perigosos, com confiança e senso de oportunidade. São times que podem crescer ainda mais quando a pressão aumenta.
Camboriú e Concórdia avançam cientes da própria realidade. Sabem que qualquer erro será fatal, mas também entram sem o peso da obrigação, o que pode torná-los adversários incômodos.
Já Joinville e Figueirense são o reflexo do que acontece quando planejamento falha. Instabilidade técnica, decisões erradas fora de campo e falta de convicção dentro dele. O Catarinense foi implacável com quem errou.
O mata-mata: onde o campeonato muda de verdade
A segunda fase não perdoa. Não existe recuperação, nem tempo para correções profundas. Dois jogos definem meses — e, para alguns clubes, anos — de trabalho.
No Grupo A, vejo o Brusque com vantagem clara. Regularidade, confiança e modelo de jogo bem definido colocam o clube um passo à frente. O Avaí, pelo elenco e pelo mando de campo, aparece como favorito no outro confronto, mas precisará mostrar mais intensidade do que apresentou na primeira fase.
No Grupo B, o nível sobe consideravelmente. Santa Catarina x Barra representa o choque de projetos bem executados. Organização contra competitividade, onde detalhes táticos e leitura de jogo serão decisivos.
Já Chapecoense x Criciúma é confronto de peso, camisa, pressão e história. Aqui, o psicológico e a experiência em decisões valem tanto quanto o futebol jogado. Quem errar menos, passa.
Minha leitura é objetiva: Chapecoense, Brusque, Avaí e Santa Catarina largam à frente, mas o equilíbrio é tão grande que qualquer erro, expulsão ou decisão mal tomada pode virar o jogo.
O alerta máximo: o cruel Grupo da Morte
Enquanto alguns sonham com título e calendário nacional, outros lutam pela própria sobrevivência. O quadrangular entre Figueirense, Joinville, Carlos Renaux e Marcílio Dias é cruel, desgastante e emocionalmente devastador.
Aqui, camisa não ganha jogo. Tradição não pontua. Torcida ajuda, mas não resolve sozinha.
O Figueirense entra pressionado, sem confiança e com obrigação imediata de resposta dentro de campo. O peso psicológico é enorme e qualquer tropeço pode gerar efeito cascata.
O Joinville vive crise técnica e de identidade. Falta segurança, falta liderança e sobra nervosismo.
Já Carlos Renaux e Marcílio Dias sabem que este é o campeonato de suas vidas. Entram como “azarões”, mas com algo que os grandes perderam: leveza e senso de urgência.
Não há espaço para erros, desculpas ou discursos prontos. Aqui, quem não reagir rápido, cai.
Conclusão
O Catarinense entra agora em sua fase mais dura, mais verdadeira e mais reveladora.
O mata-mata separa quem está preparado para decidir de quem apenas participou.
Para alguns clubes, o que vem pela frente pode significar título, calendário nacional e fortalecimento institucional.
Para outros, pode representar queda, crise profunda e reconstrução forçada.
O campeonato mudou de chave.
Agora, pressão, mentalidade e organização valem tanto quanto o talento.
Quem não suportar, ficará pelo caminho.