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Catarinense 2026: os números da primeira fase e o que eles nos dizem
Encerrada a primeira fase do Campeonato Catarinense 2026, o torneio agora muda completamente de clima. Chega o mata-mata para quem sonha com o título e o quadrangular do descenso para quem luta para sobreviver. Antes de a bola decidir tudo no detalhe, vale olhar com atenção para os números que marcaram essa fase inicial da competição.
⚽ Gols e desempenho ofensivo
A primeira fase contou com 36 partidas, nas quais foram anotados 88 gols, resultando em uma média de 2,44 gols por jogo e 14,66 gols por rodada.
A equipe com melhor ataque foi a Chapecoense, com 11 gols marcados, enquanto o Joinville terminou como o ataque menos eficiente, com apenas 3 gols.
Na artilharia, dois nomes dividem o topo:
Alex dos Santos Gonçalves (Santa Catarina)
Rafael Cavalheiras (Chapecoense)
Ambos com 4 gols cada.
🛡️ Defesas e equilíbrio
Defensivamente, três equipes se destacaram:
Chapecoense
Santa Catarina
Barra
Todas sofreram apenas 5 gols ao longo da primeira fase, um dado que ajuda a explicar a regularidade dessas equipes na competição.
🔁 Invencibilidade e regularidade
Apenas duas equipes terminaram a primeira fase invictas:
Brusque
Santa Catarina
Ambas somaram 3 vitórias e 3 empates, mostrando consistência e capacidade de pontuar mesmo fora de casa.
🏟️ Força como mandante e visitante
Fizeram bem o dever de casa e conquistaram 7 pontos como mandantes (duas vitórias e um empate):
Avaí
Criciúma
Brusque
Chapecoense
Santa Catarina
Já os grandes “visitantes indigestos” foram justamente Brusque e Santa Catarina, que somaram 5 pontos jogando fora de casa, mantendo a invencibilidade.
🟨🟥 Disciplina e arbitragem
A arbitragem aplicou 191 cartões amarelos na primeira fase:
Média de 5,30 amarelos por partida
31,83 por rodada
As equipes mais advertidas foram:
Concórdia – 20 cartões
Carlos Renaux – 20 cartões
A equipe menos advertida foi o Figueirense, com apenas 10 cartões amarelos.
Já em relação aos cartões vermelhos, foram 11 expulsões em toda a primeira fase:
Média de 0,30 por partida
1,83 por rodada
Cinco equipes passaram ilesas, sem nenhuma expulsão:
Marcílio Dias
Joinville
Figueirense
Chapecoense
Criciúma
📊 Resultados das partidas
Nas 36 partidas disputadas:
17 vitórias dos mandantes (47%)
10 vitórias dos visitantes (28%)
9 empates (25%)
O placar mais repetido foi 1 x 0, ocorrido em 12 partidas, mostrando jogos equilibrados e decididos nos detalhes.
🅰️🅱️ Grupos da competição: Somando os pontos conquistados:
Grupo A ficou com 45% dos pontos
Grupo B somou 55%
Um dado curioso que mostra leve superioridade coletiva do Grupo B na primeira fase.
👥 Público e arrecadação geral
A competição levou aos estádios 138.936 torcedores, com:
Média de 3.859,33 torcedores por partida
23.156 torcedores por rodada
A arrecadação total foi de R$ 3.450.435,00, com:
Média de R$ 95.845,41 por partida
R$ 575.072,50 por rodada
📈 Público e renda por clube
Figueirense: 24.871 torcedores | média 8.290 | R$ 691.345,00
Chapecoense: 22.112 | média 7.370 | R$ 486.370,00
Avaí: 21.485 | média 7.161 | R$ 546.000,00
Criciúma: 19.487 | média 6.495 | R$ 374.280,00
Joinville: 14.953 | média 4.984 | R$ 349.095,00
Marcílio Dias: 11.156 | média 3.718 | R$ 292.275,00
Brusque: 7.912 | média 2.637 | R$ 172.505,00
Santa Catarina: 7.786 | média 2.595 | R$ 303.315,00
Barra: 3.627 | média 1.209 | R$ 98.770,00
Concórdia: 2.978 | média 992 | R$ 81.740,00
Carlos Renaux: 1.460 | média 486 | R$ 21.660,00
Camboriú: 1.109 | média 369 | R$ 33.080,00
🔍 Maiores e menores públicos
Maior público e renda:
Figueirense 0 x 2 Avaí – 15.130 torcedores
Renda: R$ 460.820,00
Menor público:
Camboriú x Barra – 269 torcedores, no Estádio Orlando Scarpelli
Curiosamente, o mesmo estádio registrou o maior e o menor público da competição.
💰 Arrecadação da FCF
Considerando que a FCF tem direito a 10% líquido da arrecadação, a Federação arrecadou somente nesta primeira fase: R$ 345.043,50.
OPINIÃO:
Se dentro de campo o Campeonato Catarinense 2026 mostrou equilíbrio, competitividade e jogos decididos nos detalhes, fora dele os números das arquibancadas merecem uma reflexão mais profunda e até incômoda. O público total de 138.936 torcedores e a arrecadação superior a R$ 3,4 milhões parecem expressivos à primeira vista, mas escondem uma realidade desigual e preocupante.
Alguns clubes sustentam praticamente sozinhos a presença de público no campeonato. Figueirense, Avaí, Chapecoense e Criciúma concentram as maiores médias, enquanto outros convivem com estádios vazios, públicos abaixo de mil torcedores e rendas que, em muitos casos, não pagam sequer os custos básicos de operação de um jogo profissional. Ter partidas com 269 pessoas nas arquibancadas não pode ser tratado como algo normal para um campeonato estadual tradicional como o Catarinense.
Essa diferença escancara um problema estrutural: o produto Campeonato Catarinense não consegue ser atrativo de forma homogênea. Falta estratégia de marketing, calendário mais inteligente, horários acessíveis ao torcedor e políticas de preços compatíveis com a realidade local. O futebol do interior sofre, e sofre muito, para competir não apenas dentro de campo, mas principalmente fora dele.
Outro dado que chama atenção é o financeiro. Enquanto clubes lutam para equilibrar suas contas, a Federação Catarinense de Futebol arrecadou R$ 345.043,50 apenas na primeira fase, valor obtido automaticamente com 10% sobre toda a renda bruta. É legítimo, está previsto, mas a pergunta que fica é: quanto desse valor retorna efetivamente aos clubes na forma de incentivo, estrutura, promoção do campeonato e fortalecimento do espetáculo?
Os números mostram que a FCF termina a primeira fase financeiramente confortável, enquanto vários clubes saem no limite, dependendo de bilheterias modestas e com dificuldade para sustentar seus projetos. O campeonato precisa ser pensado como um produto coletivo, onde o crescimento da receita e do público beneficie todos, e não apenas alguns.
O Catarinense 2026 segue vivo, emocionante e decisivo a partir de agora. Mas os dados da primeira fase deixam um recado claro: sem arquibancadas mais cheias e uma distribuição mais justa e inteligente das receitas, o estadual corre o risco de se enfraquecer fora de campo, mesmo mantendo sua competitividade dentro dele. O mata-mata decide campeões; os números, porém, cobram mudanças.
OBS. todos os dados acima foram colhidos dos documentos oficiais publicados na pagina da da Federação Catarinense de Futebol, através do site fcf.com.br