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A APAE de Biguaçu vive um momento histórico. Após 15 anos sem eleições internas, a instituição realizará nesta segunda-feira, 3 de novembro de 2025, às 19h, uma votação que promete marcar uma nova fase na história da entidade. Pela primeira vez em mais de uma década e meia, uma chapa de oposição disputará o comando da associação, liderada por Daniela Lígia, que reúne 19 mães e pais insatisfeitos com a atual administração.
O grupo denuncia a falta de transparência administrativa, a ausência de prestação de contas públicas e o uso político da APAE ao longo dos anos. Segundo as mães, a instituição é controlada pelo mesmo grupo nesse período, sem espaço para novas ideias ou maior participação das famílias.
Daniela Lígia afirma que, em anos anteriores, tentou formar uma chapa, mas esbarrou em barreiras e pressões internas. “Durante muito tempo, as mães tinham medo de se manifestar ou se opor à atual gestão. O receio era de que os filhos perdessem o vínculo com a APAE. Agora, unimos forças e estamos lutando por uma eleição justa e democrática”, declarou.
O simples fato de a oposição ter conseguido registrar uma chapa já provocou forte reação dentro da instituição. Segundo relatos, a movimentação de Daniela e das demais mães causou atitudes contrárias por parte da atual administração da APAE de Biguaçu, com críticas e disseminação de informações distorcidas. Diante disso, Daniela precisou gravar um vídeo (clique aqui e veja) e publicar nas redes sociais para esclarecer os boatos que vêm circulando sobre sua candidatura e defender a legitimidade da chapa que lidera. No vídeo, ela rebateu informações falsas e reforçou o compromisso com uma gestão pautada pela transparência e pelo diálogo com as famílias.
A atual presidente, Jacqueline Schuh, busca um novo mandato de três anos à frente da instituição, encabeçando a chapa “Unidos pela APAE Sempre”. Jacqueline não é mãe de aluno da APAE e concorre como associada contribuinte. Ela é companheira da ex-vereadora Salete Cardoso e está há vários anos à frente da associação.
Nos últimos dias, Salete Cardoso, que também foi vereadora de Biguaçu, passou a fazer campanha aberta pela reeleição da companheira, abordando mães de alunos da APAE e pedindo votos para Jacqueline. A movimentação, registrada em fotos que circulam nas redes sociais, tem gerado desconforto entre algumas famílias, que consideram inadequado o uso de influência política dentro de um processo eleitoral de uma entidade assistencial.

Salete conversando com a mãe de um aluno da APAE.
Ajuda em pról da chapa da companheira (Foto Divulgação)
Entre os integrantes da chapa “Unidos pela APAE Sempre” está também Filipe Gomes Vieira, outro associado contribuinte que, assim como Jacqueline, não possui filho atendido na instituição.
Já a chapa de oposição, intitulada “Mães que transformam a APAE no cuidado de mãe”, é liderada por Daniela Lígia Anderson Faria, professora da rede municipal e mãe de uma aluna especial da instituição, Cíntia. A candidata a vice-presidente é Cristiane Andrade César, presidente da ONG Balão Azul. O grupo é composto majoritariamente por pais e mães de alunos e defende uma gestão mais participativa, com transparência, diálogo e foco nas famílias atendidas.
O edital das eleições foi publicado em um jornal de pouca circulação na cidade, o que gerou críticas do grupo opositor. Para as mães, essa medida foi mais uma tentativa de restringir a divulgação do processo eleitoral e dificultar o surgimento de novas chapas até porque Biguaçu tem jornais locais para esse tipo de publicação. Além disso, a listagem dos associados, necessária para a campanha, foi entregue à chapa de Daniela apenas hoje sábado (01), às vésperas da votação, apesar da insistência de Daniela em receber antes.
Diante dessas irregularidades, as mães encaminharam um ofício à Câmara Municipal de Biguaçu, solicitando que o Legislativo acompanhe a eleição para garantir transparência e lisura no processo.
Cerca de 230 votantes devem participar do pleito, que é visto como uma oportunidade de romper um ciclo de 15 anos de continuidade e abrir espaço para uma administração mais democrática, transparente, representativa e principalmente sem vínculos políticos.